Tó Pica gravou uma arrasadora versão instrumental de “The Fiddle And The Drum”, a pungente canção anti-guerra de Joni Mitchell.
Foi em 2015 que Tó Pica editou “Is This The Best You Can Do?!”, disco que já mereceu a nossa atenção, eleito para destaque numa das nossas rubricas mensais dedicadas aos mais pertinentes discos do underground metaleiro e rocker português. No caso, na primeira que foi dedicada ao universo shredder português e ao temível mundo dos álbuns de guitarristas a solo. Podem ler o 4º volume das Pérolas Imundas do Underground (neste link).
Daí para cá, o shredder luso tem lançado digitalmente vários singles. Os mais recentes chegaram já em 2024. “For What Reason” e “The Big Blue” são mais dois singles que podem ou não vir a fazer parte de um novo álbum solo de Tó Pica, mas que provam uma vez mais, se ainda houvesse dúvidas a esse respeito, a propensão melódica e a versatilidade musical do shredder luso. E, por falar na sua propensão melódica, estreou uma nova malha. Desta vez uma versão.
O original é “The Fiddle And The Drum”, original de Joni Mitchell no álbum “Clouds” (1969). Uma malha que, por exemplo, Maynard gravou com A Perfect Circle, no álbum de covers “eMOTIVe”(2004). A letra da canção é um lamento, a partir da posição de um forasteiro, que a América esteja «fighting us all» e tenha trocado «the fiddle for the drum»; no entanto, a musa recorda-se daquilo que há de bom numa nação «remember/All the good things you are» e questiona «an we help you find the peace and the star?»
É uma poderosíssima canção anti-guerra e parece mais pertinente que nunca, se pensarmos na tensão geopolítica que o globo, uma vez mais, enfrenta. Nas palavras de Tó Pica, em conversa com a ROMA INVERSA: «Adoro esta malha da Joni Mitchell, canção que ela canta a capella e faz-me sempre vir as lágrimas aos olhos, tal a emoção que ela transmite. É aflitiva. Dá mesmo para sentir o que ela transmite».
Num impulso emocional, Tó Pica assumiu a versão sob outra forte influência: «Tentei dar uma de Jeff Beck, como ele tantas vezes faz com músicas cantadas. Vinha no carro a ouvir e, nessa mesma, noite gravei isto. Tentei dar o mesmo sentimento e inflexões que ela dá e os aceleramentos e retardandos no tempo».
Fiquem com o original e a respectiva versão, nos players seguintes. A foto que ilustra o artigo é do Hugo Rebelo.
