Bleeding Through

Bleeding Through, NINE

Com o line-up reformulado e um renovado sentido sónico, ao fim de seis anos de silêncio, os Bleeding Through oferecem-nos o trabalho mais desenvolto e pesado da sua discografia, “NINE”.

Os Bleeding Through emergiram de Orange County pouco antes da viragem do século. Depois de “Dust To Ashes” (2001) e “Portrait of the Goddess” [2002], entregaram-nos um clássico na forma de “This Is Love, This Is Murderous” (2003), que a Revolver, por exemplo, retrospectivamente baptizou de «peça quintessencial do metal dos anos 2000». Aumentaram o seu público com “The Truth”, que atingiou o primeiro lugar na Billboard Top Independent Albums Chart, e expandiram substantivamente o seu catálogo com “Declaration” (2008), o homónimo “Bleeding Through” (2010), “The Great Fire” (2012) e “Love Will Kill All” (2018).

Após 25 anos, oito álbuns e incontáveis concertos, os Bleeding Through persistem como uma exceção comprovada e verdadeira na música e cultura heavy contemporâneas. A banda do sul da Califórnia possui uma assinatura sónica enigmática e inconfundível no metalcore, nascida no cruzamento de hardcore sem freios, o sentido melódico do death metal escandinavo e algo do sentido cinematográfico do black metal. Dominando um drástico equilíbrio numa espécie de jogo do empurra, sempre ocuparam o seu próprio reino elevado no espaço extremo.

Exibindo uma rara habilidade de não apenas incitar um moshpit, mas também convidar à completa imersão, os Bleeding Through suportaram a mudança de marés e tendências e mantiveram-se sólidos e com aclamação consistente da crítica e concertos lotados. No entanto, o grupo de seis elementos – Brandan Schieppati [voz], Derek Youngsma [bateria], John Arnold [guitarra], Ryan Wombacher [baixo], Marta Peterson [teclas, voz] e Brandon Richter [guitarra] – aperfeiçoa esta visão em 2025 no seu nono álbum, NINE [Sharptone Records].

«Sabíamos que queríamos fazer um disco muito sombrio. Por mais crua que seja a sensação da produção, também fomos muito deliberados em termos de orquestração. É definitivamente um equilíbrio. Colocámos tudo em ‘NINE’. Lembro-me de dizer: ‘Isto precisa de ser a representação mais verdadeira do que é Bleeding Through’. Acho que conseguimos isso», pondera o frontman Bradan Schieppati.

«Há muita paixão e agressividade neste álbum. Se são nossos fãs, não se vão desiludir. Isto é tudo aquilo para que temos vindo a trabalhar. É o culminar de 25 anos. Isto é Bleeding Through na sua forma mais pura», acrescenta Schieppati sobre o disco.

Após o lançamento dos singles eviscerantes, “Our Brand Is Chaos”, “Dead But So Alive” e “Path Of Our Disease” e muita expectativa “NINE” foi editado pela SharpTone Records no dia 14 de Fevereiro de 2025 e, nele, os Bleeding Through emergem de seis anos de silêncio discográfico para um dos discos mais cruéis e implacáveis da sua celebrada carreira.

Por exemplo, “Path Of Our Disease” é uma música sobre o nojento clima social do mundo. Sobre estarmos a tornar-nos uma espécie que nunca está satisfeita, que pensa que a relva é sempre mais verde e está a esquecer-sedo que são valores como a lealdade. Schieppati refere, sobre a malha, que «estamos a ser conduzidos por mentirosos e falsos por um caminho de desilusão. É altura de nos libertarmos».

Todo o disco soa ainda mais escuro e sinistro por comparação à anterior discografia dos Bleeding Through. As teclas são ominosas e sufocantes, o som da guitarra está bastante aproximado ao metal extremo e, ainda nesse particular, John Arnold e Brandon Richter (no seu primeiro disco) estão a shreddar como nunca se ouvira até aqui no colectivo metalcore, insuflando nova vida a esta banda. Ainda a este respeito, Doc Coyle, dos Bad Wolves e God Forbid, merece crédito pelo solo incendiário de trastes em “Lost In Isolation”.

“Gallows” vai directo à jugular. Uma marcha da morte com orquestração em larga escala e riffs implacáveis que convergem num canto algo fúnebre.“Unholy Armada” conclui o álbum de forma épica. O seu alcance sinfónico esconde uma intensidade feral na entrega de Brandan, comprimindo os extremos de Bleeding Through para uma explosão concentrada que olha para a doença da humanidade. «São pessoas que se odeiam, que se pisam e são sem compaixão ou mesmo sem se importar com nada», conclui Schieppati.

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