Decline and Fall

Decline and Fall, En Route to Amplifest

Armando Teixeira, Hugo Santos e Ricardo S. Amorim desvendam um pouco do seu núcleo sónico em ensaios para apresentar “Gloom” e “Pulse”, os dois EPs dos Decline and Fall, ao vivo no Amplifest – o primeiro concerto do projecto dark wave.

Os arquitectos dos Decline and Fall, cuja designação deixa clara a devoção aos Godflesh, são Armando Teixeira, Hugo Santos e Ricardo S. Amorim. O primeiro tem uma longa e multifacetada carreira e é considerado um dos pioneiros do EBM e do Industrial em Portugal, através de projectos como Ik Mux, iniciado em 1986, e Bizarra Locomotiva, que fundou em 1993 e onde se manteve como principal força criativa até à sua saída, uma década depois.

Recapitulando o press release dos Decline and Fall. Com uma vasta e premiada obra como compositor, seja em Boris Ex-Machina, Knok Knok, Da Weasel, Bullet ou Balla, que foi a encarnação artística que mais tempo cultivou, tem também uma prolífica carreira como produtor discográfico. Ricardo S. Amorim é autor dos livros “Culto Elétrico” e “Lobos que Foram Homens – A História dos Moonspell”, e conheceu Armando Teixeira em 2015, à boleia um artigo para a LOUD! (que estreou em primeira mão este projecto) sobre “Bestiário”, o segundo longa-duração dos Bizarra Locomotiva, lançado em 1998.

Quando ambos se reencontraram, anos mais tarde, em conversas sobre música e discos que os influenciaram, despertou em Armando Teixeira a vontade de regressar às origens, compondo de forma a trazer à tona aquelas que seriam as suas principais influências, do pós-punk ao new wave, passando pelo industrial, mas com uma experiência e maturidade artística necessariamente mais evoluídas, bem como o acesso a ferramentas completamente diferentes das que tinha quando começou nos anos 80, e um conhecimento técnico e teórico que nunca parou de crescer.

Querendo rodear-se de pessoas que partilhassem esta visão, Hugo Santos, dos Process of Guilt, que ao longo dos últimos 20 anos tem explorado o heavy e a intensidade rítmica, punitivamente repetitiva e catártica, como forma privilegiada de expressão, foi outro dos contactos. Descobrem-se gostos e influências comuns, partilham-se discos que influenciaram os três ou que são novas descobertas para um ou para outro, cresce a inspiração e germina a semente que dá origem a Decline and Fall.

Num tom lúgubre e introspectivo, os temas “Belief”, “Undone”, “Gloom” e “Europa” são as quatro paredes desta sala escura, com uma atmosfera densa e perturbadora, com uma janela entreaberta para os cantos mais obscuros da psique humana. “Gloom” foi o primeiro EP dos Decline and Fall, editado em Maio de 2024. Foi gravado e produzido por Armando Teixeira, tendo Miguel L. Pereira como convidado no contrabaixo no tema “Undone” e sido masterizado por Collin Jordan no The Boiller Room, em Chicago.

No final de Outubro deste mesmo ano, chegou “Pulse”. Previamente à edição deste segundo EP, os Decline and Fall divulgaram “Warm Leatherette” (uma versão do clássico dos The Normal), “Disreality” e “Predator and Prey” marcado uma colaboração com o artista Pedro Sousa e Silva, que fez um tríptico de capas exclusivas para estes singles, inspirado em algumas referências literárias e de BD que também influenciaram a banda, como Enki Bilal ou J.G. Ballard. De igual modo, encontramos essas mesmas influências no novo vídeo, “Dead Channel”, em especial os universos de William Gibson e David Cronenberg a povoarem a realização de Rui Veiga, responsável por toda a componente vídeo de Decline and Fall.

Estas duas obras, “Gloom” e “Pulse” vão ser o foco da estreia ddos Decline and Fall em palco, que vai acontecer no dia 10 de Novembro no festival Amplifest, no Porto, enquanto o primeiro longa-duração já se encontra em preparação. Nesse sentido, a banda partilhou imagens de uma das suas sessões de ensaios para o evento a realizar no Hard Club. Na compacta pedalboard de Hugo Santos desvenda-se uma unidade de distorção Gamechanger Audio Plasma. Também ali surge o Tonex da IK Multimedia (unidade que carrega 150 presets diferentes Tone Model em qualquer combinação de pedal, amp ou rig completo) e o DigiTech FeqOut Natural Feedback Creator, que permite obter um feedback natural em qualquer volume, com ou sem distorção.

O FreqOut é perfeito para situações em que o volume tem de ser controlado como no estúdio, com monitores auriculares, ou com desempenho e prática de baixo volume. No entanto, o FreqOut também pode ser utilizado em volume de trabalho para focar o feedback fora de controlo num harmónico preferido em qualquer posição de palco. Há ainda o BOSS DD-200 Digital Delay, que agrupa sons herdados do DD-500 num chassis makis compacto. Doze modos oferecem cores de delay a partir do digital moderno até ao analógico clássico, providenciando desde ecos básicos até pads de ambientes ricos além de tudo o que está presente entre os dois.

O Amplifest 2024 tem no cartaz Chelsea Wolfe, Ufomammut, Russian Circles, The Body & Dis Fig, Mizmo, Oranssi Pazuzu, Menace Ruine, Zombi, Living Gate, Fvnerals, LLNN, Insect Ark, Avesso, Cinder Well, Decline and Fall, Eihwar, Mary Jane Dunphe, Spurv, UF e Yoo Doo Right. Um cartaz que celebra a décima edição do Amplifest, festival que regressa ao Hard Club, no Porto, nos dias 9 e 10 de Novembro de 2024, e decorre exactamente no fim de semana em que a sua promotora, a Amplificasom, celebra 18 anos de existência.

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