Pássaros do Fogo e do Trovão Ressuscitados

Este par de guitarras Firebird I e o baixo Thunderbird II, de 1964, estiveram “perdidos” num armário durante décadas. Agora, estas lendas da Gibson preparam-se para voar uma vez mais…

Com a ajuda do notável designer automóvel Raymond Dietrich, a Gibson introduziu os modelos Firebird e Thunderbird na Primavera de 1963. A intenção era competir com as lendas offset de Leo Fender: a Jazzmaster, a Jaguar e o Jazz Bass. Dietrich, famoso pelo seu trabalho com a Chrysler, Packard e Lincoln, criou os contornos de quatro guitarras – Firebird I, Firebird III, Firebird V e Firebird VII – e dos baixos Thunderbird II e Thunderbird IV.

Cada um destes instrumentos apresentava corpo assimétrico, composto por duas asas de mogno presas a um longo braço na mesma madeira, que atravessa todo o centro. A sua semelhança com as linhas dos automóveis da era dourada do fabrico norte-americano continua a ser marcante. As guitarras utilizavam os mini-humbuckers de Seth Lover, que foram inventados no final dos anos 50. Os baixos tinham um novo tipo de humbucker que utilizava moldes dos pickups dos lap-steel. Outra quebra com a tradição Gibson, no caso das guitarras, foi a utilização de seis afinadores estilo banjo, posicionados em fila ao longo do lado direito da cabeça – o oposto do perfilamento da Fender. Contudo, eram necessários afinadores mais típicos e resistentes para aguentar a tensão das cordas dos baixos numa fila de quatro. O acabamento padrão era esse marcante Dark Tobacco Sunburst, mas qualquer uma de 10 cores personalizadas – semelhantes às da Fender, mas com nomes diferentes – podia ser encomendada por $15 (dólares) adicionais.

As guitarras foram originalmente numeradas de acordo com o seu preço, com a Firebird I de pickup singular – apetrechada com apenas dois controlos para a tone e volume – a ter um valor mais reduzido de custo. O braço da Firebird I tem pontos simples de marcação e não possui binding, enquanto alguns modelos mais caros têm binding e alguns têm incrustações trapezoidais. O catálogo de 1963 descrevia a Firebird I desta forma: «O novo solidbody da Gibson com um preço para o crescente mercado de orientação económica. A completa capacidade de performance desta nova e excitante série de guitarras a um preço que se pode pagar. É preciso experimentar para acreditar». E eis como o mesmo catálogo descrevia o Thunderbird II: «Um excelente baixo da Gibson, a um novo preço económico. Oferece uma resposta articulada e sustain, típico rugido de baixo e acção baixa comfortável e rápida, que te permite tocar sempre no teu melhor». O T-bird II é também um modelo de captação única, com o mesmo conjunto de controlos que a Firebird I.

Os instrumentos de 1964 aqui representados – um par de modelos Firebird I e um Thunderbird II – foram originalmente adquiridos por um reformatório para rapazes, para serem utilizados pelo seu departamento de música. A dada altura, foram colocados numa sala de arrumos e passaram as décadas seguintes sem serem perturbados. Recentemente, um novo funcionário que sabia um pouco sobre guitarras descobriu-os. Percebendo o seu valor, contactou vários revendedores e até a própria Gibson para licitar os instrumentos. Acabaram por ser adquiridos pelo mesmo comprador e mantidos como um conjunto. O preço original (em dólares) de um Firebird I era de $189,50. O valor actual é de $12.500,00. O preço original (em dólares, uma vez mais) de um Thunderbird II era $260, e o valor actual é de $9.000.

A atracção pelo aspecto modernista da Firebird e o seu som arrojado tem apelado a uma série de ases ao longo das décadas, incluindo Allen Collins, Eric Clapton (sobre a sua Firebird I, original de ’64, podem ler mais aqui), Clarence “Gatemouth” Brown, Phil Manzanera, Gary Moore, Brian Jones, Dave Grohl, Warren Haynes e Johnny Winter. E os fãs notáveis do Thunderbird incluem Kim Gordon, Adam Clayton, Mike Watt, Tom Hamilton, Tom Petersson, Jared Followill ou Jackie Foxx.

As fontes para este artigo original da Premier Guitar incluem: Gibson Electrics de A.R. Duchossoir; Flying V, Explorer, Firebird: An Odd-Shaped History of Gibson’s Weird Electric Guitars by Tony Bacon; Gibson Guitars-Ted McCarty’s Golden Era: 1948-1966 by Gil Hembree; e Gibson Amplifiers: 1933-2008 by Wallace Marx Jr. Atrás dos ‘Birds está um cabeço plexi Marshall Super Bass de 100 watts de 1969, anteriormente propriedade de Eric Johnson. A coluna é uma rara 8×10 do final dos anos 60.

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