PolyMap

Dark Art Guitars PolyMap Pickup System

Descobre a PolyMap, a guitarra eléctrica experimental com 64 pickups activos. Desenvolvido por David Wieland para a AES 2026, o sistema usa uma grelha magnética 8×8 e software para revolucionar totalmente os sons do instrumento.

Munique, Alemanha — Enquanto o eterno debate no mundo das guitarras costuma orbitar entre a crueza de um único captador P-90 ou a versatilidade dos três single-coils de uma Stratocaster, o engenheiro de áudio David Wieland, da Dark Art Guitars, decidiu implodir os limites do instrumento. O seu mais recente projecto chama-se PolyMap Pickup System, uma guitarra eléctrica experimental que carrega nada menos do que 64 pickups activos.

O projecto, que serve como tese de mestrado de Wieland, foi a sua submissão oficial para a AES Student Design Competition 2026 (Audio Engineering Society). A premissa é simples na teoria, mas incrivelmente complexa na execução: acabar com a limitação física dos selectores de pickups tradicionais.

«As guitarras eléctricas tradicionais têm dois ou três pickups e o músico tem de decidir, enquanto toca, quais estão activos. Isto pode limitar as possibilidades de performance, e foi por isso que desenvolvi a PolyMap», explica Wieland na demonstração em vídeo oficial do sistema (no player no fundo do artigo).

Em vez de depender de um punhado de ímanes para captar a vibração das cordas, a PolyMap utiliza uma matriz massiva disposta em grelha – uma grelha magnética 8×8. Trata-se de um sistema de captação polifónico que detecta cada uma das seis cordas individualmente em oito posições diferentes ao longo do corpo da guitarra. Vamos tentar explicar da forma mais simples possível como é possível colocar 64 pickups activos a funcionar sem criar um pesadelo de ruído e cabos.

Wieland desenhou um caminho de sinal digital rigoroso em que os sinais de cada PU passam por estágios analógicos blindados e com controlo de largura de banda e depois entram em oito conversores analógico-para-digital multicanal. Depois, os dados são agregados num fluxo MADI (Multichannel Audio Digital Interface) enviado através de um único cabo coaxial — que, curiosamente, faz o caminho inverso para alimentar os captadores com 12V de corrente contínua e o sistema debita um sinal stereo final com uma resolução de 24-bit/48 kHz.

A verdadeira magia do sistema acontece já dentro da DAW, através de um plugin específico que oferece dois modos de controlo. O Modo Manual dá ao músico controlo absoluto sobre o nível, fase, pan e micro-delay de cada um dos 64 pickups. Já o Modo Virtual permite ao utilizador “desenhar” e posicionar um pickup simulado em qualquer ponto por baixo da corda. Então, o software faz o cálculo e mistura os sinais da grelha em tempo real para mimetizar desde o ataque crunchy de um pickup vintage passivo até à pureza clínica dos designs modernos de high gain.

As possibilidades de efeitos são vastas. Ao introduzir ligeiros desfasamentos temporais entre os sensores, a PolyMap consegue criar efeitos nativos de delay e difusão sem recorrer a pedais externos. Além disso, permite o roteamento independente de frequências: o guitarrista pode enviar o sinal das cordas mais graves para um amplificador de baixo, enquanto as cordas mais agudas alimentam uma linha de amplificação tradicional de guitarra.

Código Aberto, Mas Longe das Lojas

Para já, a PolyMap não é um produto comercial. Fiel ao espírito académico, David Wieland disponibilizou todos os esquemas de hardware, software e documentação do projecto de forma gratuita no GitHub, permitindo que a comunidade de luthieria e engenharia possa explorar o conceito.

Se a PolyMap chegar um dia ao mercado de consumo, Wieland estima que o preço final possa rondar os 2000 dólares. No entanto, o engenheiro pede paciência: «Diria que, no mínimo, precisamos de seis meses até podermos sequer falar sobre o aspecto final do sistema. Realisticamente, só no próximo ano é que, possivelmente, poderá estar disponível».

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