“Pretty Face” foi o brotar de um novo capítulo dentro da história dos SPiLL. Arrojada, irascível e energética, a sonoridade da banda afirma-se através de riffs urgentes, estâmina e personalidade, marcada pela voz intrépida de Sara Badalo.
Originalmente desenhado como uma expressão de fusão entre cores jazzísticas e experimentação electrónica, os SPiLL vieram a ganhar uma propulsão mais agressiva. Nas palavras de André Fernandes: «Há uns dez anos atrás havia outras influências. Andava a ouvir muita música electrónica e a banda era um escape para fazer isso».
Em Maio de 2017, editaram “What Would You Say?” (provisoriamente, o disco que teve o título “Super Sexy Fight Songs” e já foi alvo de uma review track-by-track aqui na ROMA INVERSA), um ensaio despretensioso e orgânico dentro do cenário do rock português. Foi com esse trabalho que os SPiLL traçaram um caminho marcante e distinto, que viu seguimento com o novo capítulo, “Pretty Face”, apresentado nas principais cidades portuguesas no final de Março de 2019 e editado ainda nesse ano.
Ao segundo disco, os SPiLL iniciaram um novo capítulo na sua existência primeiramente infundida pelo jazz e pelo rock, um que os catapultou na direcção de um universo explosivo e assertivo. Desde logo, reformularam o seu line-up, com Sara Badalo, André Fernandes, Óscar Graça, Nuno Lucas, Ruca Lacerda e Marcos Cavaleiro. Não existem pretensões quanto ao rock que praticam – é um acto desmedido, mas calculado, rematado pela inabalável voz de Sara Badalo. E extremamente orgânico. As dinâmicas de percussão são arrasadoras.
O disco tem uma alma esquizofrénica, composta por elementos melódicos excêntricos, de desconstrução do óbvio, sem nunca perder o equilíbrio entre aquilo que é fascinante para a banda, na sua exploração explosiva duma fusão com rock, jazz e electrónica, e o que é fascinante para o ouvinte.
“Vain”, “Get This Thing Done”, “Bitch Is Gone” são malhões com riffs irresistíveis que certamente terão cativado Alain Johannes, que misturou “Pretty Face”, depois deste ter sido gravado entre Lisboa e Porto, no Timbuktu e Largo Studios, com a produção de André Fernandes e dos bateristas Marcos Cavaleiro e Ruca Lacerda.
No final, o segundo álbum dos SPiLL tem a cara de uma miúda atrevida (pun intended com a capa), nascida de um romance promíscuo entre os Queens Of The Stone Age e os Battles. Tem uma cara bonita.
