The Meffs

Business, The Meffs

Em Business, os The Meffs condensam guitarra, bateria e uma urgência punk num álbum curto, directo e politicamente inquieto.

Lily Hopkins e Lewis Copsey não precisam de muito para fazer bastante barulho. Ela na guitarra e voz, ele na bateria e vozes secundárias, os The Meffs são um daqueles duos que transformam a falta de elementos numa vantagem. Não há baixo para preencher o espaço, nem uma segunda guitarra para engrossar os riffs: há uma guitarra, uma bateria e a necessidade de fazer com que ambas pareçam maiores do que são.

Depois de um 2025 passado entre concertos, festivais e primeiras partes de nomes como Sex Pistols, The Undertones e Stiff Little Fingers, Business, o segundo álbum da banda, lançado a 11 de Setembro pela FLG, soa precisamente como seria de esperar de um grupo que passou tanto tempo em palco: directo, rápido e feito para ser tocado alto.

A própria ideia por detrás do disco é simples. Business é trabalho, dinheiro, política, indústria, guerra, saúde e todas as formas pelas quais a vida quotidiana acaba transformada em negócio. Os The Meffs não tentam transformar isso numa tese; preferem pegar na palavra e atirá-la contra tudo aquilo que lhes parece errado. O resultado é um disco político, mas sobretudo um disco de punk rock, onde a urgência da música nunca fica subordinada à mensagem.

“Dreamin’” abre o álbum sem cerimónia e praticamente não há tempo para preparação. A guitarra entra suja, a bateria empurra e Lily Hopkins canta como se estivesse a tentar furar a parede que separa a banda do público. É uma boa apresentação daquilo que Business quer ser: onze canções que não estão particularmente interessadas em perder tempo. Essa energia atravessa “What A Nightmare”, “Where Did It All Go Wrong?” e “So Modern (Keep Up)”, mas os The Meffs têm o bom senso de não manter tudo permanentemente no mesmo andamento.

“Disorder (Wake Up)” introduz uma sensação mais pesada, deixando a bateria e a guitarra respirarem de maneira diferente, enquanto “Love To Lose” volta a acelerar e “Fight” leva a economia do duo ao extremo: pouco mais de trinta segundos de música e acabou. É quase uma anedota, mas funciona porque a banda percebe que, no punk, uma canção também pode ser curta simplesmente porque não precisa de ser longa.

O tema-título é naturalmente um dos mais importantes. Os The Meffs apontam à própria lógica da indústria musical, à transformação da criação em produto e à necessidade de uma banda sobreviver dentro de um sistema que também critica. Existe aqui uma contradição interessante, embora Business não se detenha a explorá-la demasiado. Os Meffs não estão a fazer música de fora do negócio; estão precisamente a tentar encontrar o seu espaço dentro dele. A canção funciona melhor por assumir essa tensão sem a transformar num sermão.

A produção de Dan Weller mantém a música suficientemente áspera para preservar a relação com o palco. Isso é importante porque os The Meffs parecem ser, antes de tudo, uma banda ao vivo. A guitarra de Hopkins ocupa simultaneamente o espaço de riff, harmonia e textura, enquanto Copsey toca como se estivesse permanentemente a tentar aumentar o tamanho da formação. O resultado não é particularmente sofisticado, e não pretende sê-lo. Quando funciona, há uma espécie de desequilíbrio controlado que faz o duo parecer maior do que a soma das suas partes.

Também é aqui que Business encontra os seus limites. A fórmula dos The Meffs é bastante definida: velocidade, guitarras sujas, bateria em primeiro plano, refrões directos e uma atitude política sem grandes rodeios. Ao longo de onze faixas, essa consistência pode transformar-se ocasionalmente em previsibilidade. Há quem tenha encontrado precisamente aí a principal fragilidade do álbum, considerando que a eficácia da fórmula nem sempre corresponde a uma evolução evidente. É uma crítica legítima, sobretudo porque o disco é suficientemente curto para deixar a sensação de que poderia ter arriscado um pouco mais.

Ainda assim, há diferenças suficientes para impedir que Business seja apenas uma sequência indistinta de explosões punk. “God Complex” e “Like Gravity” acrescentam uma dimensão mais pessoal, enquanto outras faixas apontam directamente para o estado do mundo ou para as estruturas em que os próprios músicos estão inseridos. A raiva não é sempre exterior; por vezes também existe alguma vulnerabilidade e auto-depreciação. Isso ajuda a banda a escapar àquela postura de indignação permanente que pode rapidamente tornar-se tão previsível quanto aquilo que critica.

Mais do que reinventar o punk, os The Meffs parecem interessados em fazê-lo funcionar dentro das condições que lhes calharam. São um duo DIY, ligados às salas independentes e a uma cultura de música ao vivo que continua a depender desses espaços para existir. O facto de terem passado de circuitos pequenos para palcos como Glastonbury, Download ou 2000trees sem abandonar essa identidade dá algum contexto a Business. Estas não parecem canções escritas para serem admiradas à distância; parecem canções escritas por músicos que sabem que, poucas semanas depois de as gravarem, terão de as defender diante de uma sala cheia.

E talvez seja essa a melhor forma de ouvir o disco. Business não é um manifesto sobre o punk. É um álbum curto, agressivo e suficientemente consciente das suas limitações para fazer delas parte da sua personalidade. Os The Meffs sabem exactamente o que querem ser: uma guitarra, uma bateria, duas vozes e onze oportunidades para transformar irritação em música. Nem sempre precisam de mais do que isso.

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