Ane Brun

Ane Brun & Röyksopp, Eat The Fruit

A norueguesa Ane Brun convidou a dupla electrónica Röyksopp a entrar no seu universo para criar uma canção sombria, hipnótica e dançável. O tema é o último avanço de I Thought We Were The Same, primeiro álbum de originais de Ane Brun em seis anos, com edição a 6 de Novembro.

Há colaborações que juntam dois nomes reconhecidos e há encontros em que as identidades dos intervenientes parecem encontrar uma linguagem comum. “Eat The Fruit”, o novo single de Ane Brun com os Röyksopp, pertence à segunda categoria. A cantora e compositora norueguesa convocou Svein Berge e Torbjørn Brundtland para trabalharem uma composição que já trazia uma visão própria, permitindo à dupla electrónica transformar o tema num território de pop electrónica mais sombrio, hipnótico e orientado para a pista de dança.

Lançada no dia 9 de Outubro, a canção foi o último avanço de I Thought We Were The Same, o álbum de Ane Brun com edição física e digital a 6 de Novembro, através da BMG. Com uma duração de quase cinco minutos, “Eat The Fruit” assenta numa pulsação electrónica marcada por um baixo pesado e por uma atmosfera que contrasta com a intimidade emocional da interpretação vocal. A produção abre espaço à dimensão física da música sem retirar centralidade à voz de Ane Brun, que continua a ser o principal ponto de ligação entre a composição e o ouvinte.

Para a artista, trabalhar com os Röyksopp era um desejo antigo. Descreveu a colaboração como a concretização de um sonho, destacando a forma como a dupla levou a canção para um lugar simultaneamente escuro, hipnótico e libertador. Berge e Brundtland, por seu lado, sublinharam que foram convidados a entrar num universo que já tinha uma direcção definida. Encontraram em Ane Brun uma identidade criativa muito própria e uma voz imediatamente reconhecível, considerando o processo de colaboração particularmente natural.

A letra acompanha essa tensão entre inquietação e movimento. “Eat The Fruit” fala de uma vontade persistente de alcançar algo mais, de participar plenamente na vida e de procurar uma ligação que parece estar sempre um pouco fora do alcance. A imagem da fruta funciona como metáfora da passagem à acção, da valorização pessoal e da coragem necessária para sair de uma zona de conforto, de abandonar a inocência idílica.

A própria Ane Brun estabelece uma ligação com “Hand in the Fire”, tema de 2023 que partilha uma disposição emocional semelhante: a sensação de adiar a vida, de não conseguir estabelecer a ligação desejada e de procurar respostas para uma inquietação que, por vezes, começa dentro de nós.

Essa dimensão introspectiva não impede a canção de procurar o movimento. Pelo contrário, a electrónica dos Röyksopp transforma a inquietação numa espécie de impulso físico, como se dançar fosse também uma maneira de romper a imobilidade. É uma combinação particularmente interessante no percurso de Ane Brun, cuja escrita tem mantido uma relação próxima com a vulnerabilidade e a observação emocional, mas que neste novo trabalho procura explorar mais abertamente as possibilidades da pop electrónica.

O próprio álbum nasceu dessa vontade de experimentar. I Thought We Were The Same é o primeiro conjunto de novas composições da cantora desde After the Great Storm e How Beauty Holds the Hand of Sorrow, ambos editados em 2020. Escrito ao longo de três anos, reúne onze temas em torno da confiança, da identidade, da traição e da possibilidade de voltar a confiar nos outros — e em nós próprios — depois de uma ruptura. Ane Brun procurou aproximar a sua música de uma linguagem pop mais evidente, com refrões marcados e melodias imediatas, sem perder a tensão emocional que considera essencial à sua escrita.

“Eat The Fruit” não é a única colaboração do alinhamento. O álbum abre com “Hold Me”, tema desenvolvido com a artista norueguesa ARY, enquanto “How Can I Hold Your Hand” conta com a participação de Emilie Nicolas. A presença dos Röyksopp em “Eat The Fruit” ganha, assim, um significado particular dentro de um disco que parece interessado em explorar diferentes formas de relação entre a identidade de Ane Brun e outras sensibilidades musicais.

O lançamento do single foi acompanhado por um vídeo realizado por Elis Lindsten, com direcção criativa de Hiroki Ichinose. A narrativa acompanha dois jovens durante uma noite apresentada em sentido inverso, transformando um bar pouco acolhedor num espaço progressivamente mais surreal, onde a dança e a ligação entre pessoas ganham protagonismo. A abordagem visual prolonga a tensão entre isolamento e aproximação que atravessa a canção.

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