Os black midi, banda britânica que tem incendiado o mundo com os seus concertos, acabam de anunciar “Hellfire”, o sucessor de “Cavalcade” (2021). O álbum chega a 15 de Julho, via Rough Trade Records, e já deverá ser revelado ao vivo no início de Junho, no Primavera Sound. O primeiro avanço ao novo trabalho chama-se ‘Wellcome to Hell’ e já pode ser ouvido.
black midi, o trio britânico de Geordie Greep (guitarra, voz), Cameron Picton (baixo, voz) e Morgan Simpson (bateria), anunciou o seu terceiro álbum. “Hellfire” chega a 15 de Julho na Rough Trade Records. A acompanhar o anúncio, chegou o primeiro single/vídeo do álbum, “Welcome To Hell”.
Escrito em reclusão, em Londres, no ano passado, “Hellfire” suporta-se sobre os elementos melódicos e harmónicos do seu antecessor, enquanto aumenta a brutalidade e intensidade do álbum de estreia, “Schlagenheim”. Como Greep o descreve, «se ‘Cavalcade’ foi um drama, ‘Hellfire’ é como um filme de acção épica» que se debruça sobre temas sobrepostos de dor, perda e angústia. É o seu álbum mais tematicamente coeso e intencional até agora, refere o press release da label. Enquanto as histórias de “Cavalcade” estão contadas na terceira pessoa, “Hellfire” é apresentado na primeira pessoa e conta as histórias de personagens moralmente suspeitas. Há monólogos dramáticos que apelam, de forma exuberante, ao degradado sentido do certo e do errado do mundo actual. Nunca se sabe ao certo se se deve rir ou ficar horrorizado.
A propósito do primeiro single, “Welcome To hell” conta a história do excesso de um soldado com stress pós-traumático e da sua dispensa do serviço de pois de, num caótico cenário de uma campanha de guerra longínqua ele se revelar incapaz de lidar com o meio ambiente. O tema é ilustrada com secções de guitarra funky, marcações metais e uma voz progressivamente rosnante. O vídeo que o acompanha foi realizado por Gustaf Holtenäs (que também realizou o vídeo dos black midi para “Slow”). «Quase toda a gente retratada é uma espécie de escumalha», diz Greep. «Quase tudo o que escrevo deriva de uma coisa verdadeira, algo que experimentei e exagerei e escrevi. Não acredito no Inferno, mas toda essa loucura do velho mundo é óptima para canções, sempre adorei filmes e qualquer outra coisa com representações do Inferno. O Inferno de Dante. Quando Homer vai para o Inferno nos Simpsons. Há um Inferno de robôs em Futurama. Isaac Bashevis Singer, um escritor judeu que retrata Satanás a interferir na vida das pessoas. Há imensas coisas!»

A criação de “Hellfire” levou seis meses, brotando de um riff de uma das mais antigas jams do grupo e florescendo no drama futurista de boxe, “Sugar/Tzu”. A abrangência, força e a potência de produção da música dos black midi nunca foi maior do que neste “Hellfire”, em parte graças à produtora Marta Salogni, que trabalhou com a banda na abertura do álbum anterior, “John L.”. Mas, como sempre, o tipo de música que os black midi tocam não é tão importante como a sua qualidade. E o que quer que se pense sobre a música da banda não é tão importante como o aquilo que se sente a ouvi-la.
Os black midi têm planeados alguns dos seus maiores concertos como suporte a este álbum, incluindo concertos na Somerset House em Londres, no Central Park SummerStage em Nova Iorque, The Wiltern em Los Angeles, The Warfield em São Francisco. Enfim, a lista continua. Ainda antes da data de chegada do disco, a banda vai estar presente no Primavera Sound, na edição de Barcelona (02 de Junho) e na do Porto (10 de Junho). Experienciar a banda ao vivo, sentindo o poder da tensão que cuidadosamente constroem até cada explosiva libertação catártica, bem à imagem dos Swans, é essencial para compreender os black midi. Ao vivo, juntam-se ao trio Kaidi Akinnibi (metais) e Seth Evans (teclados), invocando temíveis vendavais dinâmicos. Enquanto esperam por esse Primavera, eis “Welcome to Hell”…
A capa do álbum é uma composição de David Rudnick. A foto da banda é de Atiba Jefferson.
