Blue Murder

Blue Murder

O homónimo álbum de estreia dos Blue Murder é uma obra-prima do hard rock, produzida pelo guru Bob Rock e contando com um line-up fabuloso, composto por Tony Franklin (baixo), Carmine Appice (bateria) e o líder John Sykes na guitarra e na voz.

John Sykes, como alguns de vós devem saber, foi o guitarrista que basicamente criou todo o álbum homónimo dos Whitesnake em 1987. Exacto, o álbum que ressuscitou “Crying In The Rain” e “Here I Go Again”, o álbum de “Still Of the Night” e “Is This Love”, dos vídeos da fabulosa Tawny Kitaen! Além de ter escrito o álbum inteiro com Coverdale, Sykes gravou todas as guitarras (com exceção de um solo, cortesia de Adrian Vandenberg) e, com as baterias de Aynsley Dunbar e os baixos de Neil Murray, fez com que o álbum soasse como soou.

Os três músicos acabaram despedidos por Coverdale, que recrutou um novo line-up para promover o álbum em digressão e John Sykes não recebeu quase nenhum crédito pelo seu fenomenal trabalho em “Whitesnake”. Excepto a oportunidade que a Geffen lhe deu para gravar um álbum de total liberdade criativa. Então, Sykes gravou uma denmo tape e depois reuniu uma formação diferente para as gravações definitivas, com Carmine Appice e Tony Franklin na bateria e no baixo, respectivamente (Nik Green assumiu os teclados).

No final dos anos 80, poucos guitarristas se mostravam na sumptuosa forma técnica de Sykes, os riffs e melodias são vibrantes neste trabalho dos Blue Murder, que junta o som clássico do hard rock da década de 70 com o shredding da década de 80 e faz algumas referências charmosas ao Egipto Antigo e à sua mais tardia dinastia ptolomaica. Os fãs, pelo menos, sabiam a quem era devido o crédito de “Whitesnake” e este disco, sonicamente é quase um gémeo desse blockbuster de ’87, percebe-se perfeitamente quem é o real protagonista. Talvez a guitarras soe um pouco mais pesada aqui e as malhas se sintam mais densas.

A secção rítmica de Appice e Franklin é absolutamente impressionante e canções como “Riot”, “Blue Murder”, “Jelly Roll” ou “Out Of Love” mostram Sykes no seu melhor, quer na guitarra quer na voz e depois “Valley of the Kings”, malhão que vale uma discografia. Desde a cadência do tema, assente numa atmosfera mediterrânica, com o riff a fazer slide descendente para a route note, que percebemos estar diante dum tema épico. O solo, em termos melódicos e de execução técnica, é de cortar a respiração! Actualmente, é considerado como um dos melhores trabalhos de produção de Bob Rock, ao lado do “Black Album” dos Metallica.

O estranho nisto tudo é que a Geffen, além do orçamento para os vídeos de “Valley of the Kings” e “Jelly Roll”, praticamente não mexeu um dedo na promoção dos Blue Murder. O que deixa especular que ou o disco estava contratualizado antes da gravação de “Whitesnake” ou que, após o ego de Coverdale ter despedido Sykes, a Geffen manteve-o por perto e enterrou um disco que podia rivalizar com os titãs britânicos. Aliás, por estes dias, nem sequer existe oficialmente nas plataformas de streaming. Nunca se saberá exactamente porque falhou comercialmente a estreia dos Blue Murder….

Vamos reforçar a ideia de que este é um álbum muito, mesmo muito bem tocado e produzido. Se são fãs do hard rock no final dos anos 80, devem possuir esta pérola na vossa colecçã, que mostra ainda a inclinação de Sykes para o blues e consegue ser, ao mesmo tempo, bastante heterogéneo esteticamente. “Blue Murder” um álbum verdadeiramente singular. A nossa biblioteca possui um modesto exemplar em vinil.

Leave a Reply