Ricardo Amorim, dos Moonspell, revela como começou a tocar guitarra e quais os guitarristas (com Adrian Smith e os Iron Maiden à cabeça) que tiveram um papel determinante na sua paixão pelo instrumento e no desenvolvimento da sua linguagem musical.
O Ricardo Amorim herdou o gosto pela música da sua avó, uma ávida cantora durante os dias em que tomava conta do músico, na sua infância. Muito antes dos Moonspell, ia com os pais aos bailes das associações recreativas e culturais e ficava fascinado com a bateria.
A certo ponto, Ricardo Amorim começou a perceber que a guitarra era o instrumento que lhe falava mais directamente através do seu dia-a-dia: «Vivia num bairro a 200 metros de um prédio completamente habitado por ciganos, portanto via-os a tocar bastante flamenco na rua e ficava impressionado com a técnica. Na altura, sabia lá eu o que era técnica, mas aquilo puxava por mim». Da magia virtuosa da guitarra hispânica, começou a ser cativado pela ferocidade eléctrica do rock, «aquelas notas agudas e os riffs».
Um caminho que levou Ricardo Amorim até um determinado álbum, “algures no tempo” e o fez decidir-se em pegar numa guitarra. «Em 1986, os Iron Maiden lançaram um álbum chamado “Somewhere In Time” e lembro-me que na altura havia a TV Europa, que estava em emissão experimental e que transmitia a partir das seis da tarde. Vi um programa que se chamava “Countdown” ao qual os Iron Maiden foram tocar, em playback obviamente, em promoção do álbum. Tocaram o “Wasted Years” e aquele momento de abertura foi aquele ponto que disse: «Isto é a cena mais fixe que já ouvi. Quero fazer cenas destas!» Os Iron Maiden tornaram-se a minha banda favorita durante muitos anos».
Foi este o início de uma conversa na qual o Ricardo Amorim nos fala sobre os seus guitarristas preferidos, as suas influências e o seu som de giutarra. Uma conversa que começou com os Iron Maiden, com o álbum “Somewhere In Time” (alvo de louvores na nossa plataforma) e com Adrian Smith.
Ainda hoje, percebo o que são os modos, mas são um mistério para mim. Tanto se pode dizer sobre eles. Tens sete modos numa escala e basicamente aquilo é uma escala… Vais tocar Mi frígio? Também posso tocar Dó maior. A nota tónica é que vai definir, em vez de olhares para o braço da guitarra a decorar sete padrões diferentes.
Ricardo Amorim
Ficaste muito desiludido quando o Adrian Smith saiu, logo a seguir a esse álbum?
Fiquei triste, porque o Adrian, para mim, é um bocado agente da coisa… Mas quando ouvi o “No Prayer For The Dying” com o Janick Gers, não tinha propriamente aquele charme dos Maiden a que estava habituado, mas não deixava de ser um bom disco. Também consigo sair um bocado daquela bolha do fã die hard que não tolera nada e tentar perceber o que é que se passa ali. Sou dos poucos que gosta bastante do “Load” dos Metallica (acho bem melhor que o ” St. Anger”) e o “Reload” tenho pena que soe um bocadinho aos restos do “Load”, mas tem lá momentos também bastante bons. Agora, lá está, para quem ouve o “Ride The Lightning” ou o “Master of Puppets” aquilo é… Pura heresia! Para mim não, aquilo soa-me a Metallica e isso é o mais importante. Mas, como estava a dizer, mostrei mesmo vontade de aprender a tocar viola e os meus pais ofereceram-me uma acústica quando tinha 14 anos. Tive duas prendas de natal, nesse ano de ‘87, que marcaram-me um bocado. Ofereceram-me o homónimo de 1987 dos Whitesnake em vinil. Quem gravou aquilo foi o John Sykes (depois veio o Adrian Vandenberg juntar-se à banda) e tem ali um trabalho que é fabuloso. É dos tipos que mais gosto de ouvir. Tem alma. Foi um excelente trabalho. O “Still Of The Night” é um dos melhores riffs do heavy-blues que já ouvi; o “Crying In The Rain”, dos poucos shred solos que oiço que tem alma e que realmente arrepia e mexe com a pessoa. O tipo tinha um dom! Mais tarde, por volta dos meus 19 anos, fui juntar-me a uma banda que eram os Paranormal Waltz. Tive que poupar dinheiro do trabalho part-time que fazia e comprei uma guitarra eléctrica, uma Aria Pro II que me custou 57 contos.
Essa guitarra era um clássico dessa altura. Muita malta tinha uma.
O pessoal tinha a sensação que era aquele nível intermédio [risos]. Havia a Mason, depois já tinhas um upgradezito para a Vester, e depois já havia qualquer coisa na Aria Pro II. Acima dela já era a Ibanez, com uma já eras pro. Gibson e Fender esquece, isso é outro patamar. Tive a sorte de ter tido sempre muito apoio dos meus pais, portanto, quando me juntei aos Moonspell e expliquei do que se tratava, eles tiveram a gentileza e a amabilidade de, num gesto fabuloso, me oferecerem uma Les Paul Studio, dizendo: «Se vais tocar a sério, deves ter uma guitarra mais a sério». Tenho-a em casa, guardada com muito carinho. O meu pai faleceu em 2015 e essas coisas começam a ter ainda mais valor para mim. Foi o gesto, está ali… Não sei o que te diga.
Voltando um pouco para trás. O teu percurso foi todo autodidacta ou tiveste aulas?
Tive aulas de guitarra clássica, na Escola de Guitarra Duarte Costa. Só que o professor era tão conservador que se ouvisse um bend na guitarra clássica, por mínimo que fosse, aquilo era um escândalo. «Isto, na guitarra clássica, é inadmissível». Senti-me um bocado limitado, estava ali a tocar aquelas coisas, études e tal, mas chegava a casa e queria tocar o “Battery”! Então muito do metal que aprendi foi por ouvido. Apercebi-me que quanto mais curta a corda fica mais aguda é a nota e quanto mais comprida fica mais grave é a nota; apercebi-me que temos que meter os dedos entre os trastes e não em cima dos trastes, aquelas coisas que ia descobrindo. E depois foi uma questão de aprender os acordes básicos. Havia coisas que percebia instintivamente, se tivesses um Open A, tens aquele acorde com formato Lá, se meteres o B e subires dois trastes obténs um Si. Ninguém me disse isso, conclui. Estudei matemática, anda para a frente, anda para trás… Apanhei bastantes músicas assim. Obviamente, mais tarde, quando começo a perceber como é que são realmente tocadas é que reparei que andava lá perto, mas era completamente diferente. É como, hoje em dia, ver pessoas a tentarem tocar a “Alma Mater” ou a tocarem uma interpretação e pergunto-me: «Será que estamos a ouvir a mesma música?». Mas assim também se treina o ouvido, também erras e começas a perceber que determinada nota, normalmente, está sempre dentro de tal acorde, começas a fazer os voicings todos na tua cabeça. E tenho alguma facilidade em apanhar música, não te consigo explicar academicamente, entendo algumas coisas e tenho conhecimentos de música, melodias e algum ritmo, mas tenho facilidade e foi assim que aprendi. A apanhar as músicas que ouvia e que gostava. Mas quando entrei para os Moonspell e fiz a tour do “Irreligious”, achei que devia de aprender mais. Então fui meter-me numa escola que havia em Sete Rios. O meu professor foi o Luís Fernando.
Shredder.
Shredder, mas contido. Ele deu-me aí um certo boost. Entretanto comecei a comprar cassetes do John Petrucci, para ver se aprendia assim uns truques mais elaborados. Mas com o Luís Fernando, lembro-me que me sentei, ele já sabia o que eu fazia, que era dos Moonspell e disse-me: «Vocês estão-se a dar bem e tal, o que é queres saber?». Respondi-lhe que queria estar num contexto musical qualquer e ter capacidade de perceber o que é que se passa ali e improvisar. Parece que tinha que andar sempre ali à procura das coisas. Gostava de ter uma visão mais abrangente que me permitisse saber a piori que se tocar naquela área, aquilo funciona. Então ele deu-me a conhecer os modos e fez-se luz. E, ao mesmo tempo, mais dúvidas surgiram. Ainda hoje, percebo o que são os modos, mas são um mistério para mim. Tanto se pode dizer sobre eles. Tens sete modos numa escala e basicamente aquilo é uma escala… Vais tocar Mi frígio? Também posso tocar Dó maior. A nota tónica é que vai definir, em vez de olhares para o braço da guitarra a decorar sete padrões diferentes quando, no fundo, um faz aquilo tudo e conjugação e mudança de chave, etc.
Podes ter uma alma extremamente poética e não teres vocabulário para a exprimires?
Às vezes, o problema é esse. A minha cabeça musicalmente produz muito só que muitas vezes, só o facto de pegar no instrumento e procurar uma nota, já metade da ideia se foi embora. Estas coisas acontecem mais quando uma pessoa está no estado mais meditativo. O Steve Vai, num seminário dele, disse uma cena que achei engraçada, que tinha sempre um Dictafone na mesa de cabeceira. Quando te deitas e entras naquele estado em que já não estás propriamente acordado, mas ainda não adormeceste totalmente, estás num estado de meditativo… Ele diz que tem ideias fabulosas e que quer guardá-las logo. Isso também me acontece, a diferença é que ele tem a capacidade de se levantar e não perder a ideia, a mim basta mexer um dedo e já era. Mas pronto, elas aparecem de outras formas. Às vezes estou a fazer uma jam em cima de um acorde e, de repente, há umas três ou quatro notas que fazem uma sequência que me agrada e começo ali à volta daquilo.
Consistência & Economia
E como chegaste aos modelos de guitarra que mais usas em digressão?
Isto vem tudo por busca. Como te disse, a minha primeira guitarra a sério foi uma Les Paul e a Les Paul, quanto mais não seja o formato single cut, até tem sido uma constante nestes quase 23 anos. Já tive várias guitarras. Tive duas Ibanez, uma delas era o modelo do Alex Skolnick, tive uma ESP… Fui experimentado guitarras, porque uma dava-me mais conforto na mão, mas a outra soava melhor, mas aquela tinha Floyd Rose e permitia coisas que com uma Les Paul não posso. Tenho uma Brian Moore, uma guitarra que fiquei obcecado quando a vi e quis ter e a verdade é que funciona numas coisas, mas não funciona noutras. Dei por mim, às tantas, no meio de uma confusão. Encontrares a guitarra que consegue ser mais abrangente não é assim tão fácil. Neste momento tenho a single cut da Amfisound, que está mais próxima daquilo que procuro. Porque não posso ir com seis guitarras para a estrada. Vou com duas guitarras. Quando temos melhores condições levo três guitarras e já cheguei a levar quatro. Mas tentamos levar o mínimo possível. Convém ter uma guitarra com a qual consiga fazer o set todo, a Amfisound Branca, por exemplo, consegue fazer isso.
É um modelo custom?
Sim. Aquela foi feita para mim a partir de um modelo que é a Halti, a single cut deles, mas é uma single cut com duas oitavas completas, uma coisa que sempre quis ter. Está escavado atrás, onde o braço une ao corpo, o que permite um acesso muito mais fácil às notas mais altas. Tendo killswitch, tenho duas opções de cortar o som à guitarra e com o killswitch podes também fazer coisas interessantes, que o Tom Morello faz bastante. Tenho um D Tuner da Hipshot. O sistema do Van Halen é no Floyd Rose. Não tenho Floyd Rose e desabituei-me. Usava o Floyd para fazer mais caos sonoro, basicamente. E com o Sustainiac faço o mesmo, tenho um na guitarra e dá-me sustain indefinido, harmónicos naturais soam fabulosamente bem… Dá-me liberdade. Com aquela guitarra faço uma digressão inteira, só estou preocupado em não partir cordas [risos]. Reage e comporta-se lindamente. É mogno com topo em maple. É pesado, tudo tem o seu preço. Tenho duas customs da Amfisound, a outra é a Flying V, a primeira guitarra que eles me fizeram.
Como surgiu essa colaboração?
Nunca tive uma Flying V e queria ter uma. Olhava para uma marca e tinha umas coisas, mas não tinha outras, nunca encontrava nada próximo daquilo que realmente queria e, entretanto, vi bandas que andavam com esta marca finlandesa. Fui ver o site deles, gostei bastante e contactei o Tomi Korkalainen, o luthier deles, e tive uma resposta muito boa, era fã de Moonspell e teria todo o gosto em fazer guitarras. Então pedi-lhe a Flying V. Foi ele que a desenhou toda, só lhe disse que gostava que nos inlays fosse o Moongram, que gostava de ter os últimos 5 trastos escavados, à Steve Vai, pedi-lhe o Sustainiac, pedi-lhe o Floyd Rose e queria também o D Tuner cá em baixo e ele disse que não o colocava, por ser um pesadelo de setup, e que trabalharíamos isso num próximo modelo. Só usava Drop D na “Everything Invaded” e na “Shadow Sun”, a primeira consigo tocar em afinação standard e a última não tocamos simplesmente. A partir daí já comecei a usar mais Drop D, no “1755” é um abuso [risos]. Só há duas músicas que não são em Drop D. Portanto, o Hipshot é uma peça fundamental.
Tenho graves problemas, sou mesmo Velho do Restelo, em perceber porque é que há guitarras de nove cordas. Não me venham falar em expansão sónica, a não ser que queiram despedir o baixista.
Ricardo Amorim
Baixar a afinação tem sido uma tendência cada vez mais acentuada no metal. Porquê?
As pessoas estão a perder, cada vez mais, a imaginação. É esta ideia de que, quanto mais grave, mais pesado. Só que chegas a um ponto… Tenho graves problemas, sou mesmo Velho do Restelo, em perceber porque é que há guitarras de nove cordas. Não me venham falar em expansão sónica, a não ser que queiram despedir o baixista. Na música bem feita e bem orquestrada, os voicings estão todos nos sítios certos. A guitarra ocupa uma frequência por algum motivo, a bateria ocupa uma frequência por algum motivo… Senão, às tantas, a única coisa que ouves é bombos com um bocadinho de tom. Não sou ninguém para dizer o que devem ou não devem de fazer, mas não consigo perceber. Uso drop porque, de facto, gosto de adicionar peso e tenho esse extra, mas é o limite. A partir daí já começa a ocupar espaço que não me diz respeito e a dinâmica começa-se a perder, sobretudo na nossa música. A minha guitarra, atrevo-me a dizer, tem uma voz muito activa na música que fazemos e tenho que manter essa voz. Além das duas cordas mais graves, há outras quatro com as quais podes fazer coisas bem interessantes, saber jogar com as notas e saber jogar com os outros instrumentistas da banda. Na “Everything Invaded”, se reparares, uso o Drop, mas toco nas seis cordas o riff principal, como se tivesse uma viola acústica. Permite-me ser um bocadinho mais forte nesse aspecto, por causa da natureza da própria afinação, não estou só a “moer” os graves. Não tenho nada contra guitarristas que tocam dois acordes, sou mesmo o gajo mais bacano que há nesse aspecto, o que me chateia é ver guitarristas que só sabem dois acordes a quererem fazer sete e oito sem trabalharem para isso. Calma, não comecem uma casa pelos telhados. AC/DC é três acordes e enchem estádios.
A Nova “Velha” Questão
Tens o Mesa/Boogie Dual Rectifier, um clássico, mas passaste a usar o Kemper. Esta tecnologia veio para ficar? Sempre usei muitos efeitos, criei a minha assinatura com base nisso, mas não os uso para ensopar o meu tocar, uso-os para enaltecer passagens, expressões, certas coisas que acho que devem sobressair. Comecei isto tudo com uma BOSS ME-10, ia tirar a distorção da própria BOSS e mandava para o amplificador. Aquilo era um besouro amplificado! Comecei a perceber que estes amplificadores, os solid state, existem é para distorcer, mas o meu problema era que se mudasse um som limpo que tinha chorus e delay para um som de distorção, tinha que desligar efeitos e mudar o som, então estava sempre a fazer sapateado. Ao longo dos anos, experimentei de tudo. Tenho um TriAxis [Mesa/Boogie], um Marshall JMP-1, andei com uma rack que parecia um frigorífico. Se tocas nos Pink Floyd tens condições para levares o material todo bem acomodado e tens um técnico contigo, óptimo. Se não, esquece! Tive que simplificar e cheguei a andar só com uma cabeça e um pedal delay. Mais tarde comprei o G-System [TC Electronic], mas mesmo assim tive que comprar um Amp Switcher, que tanto recebe o MIDI da pedaleira e depois transmite à entrada de footswitch do amplificador e converte em analógico e muda-te os canais. O problema disto tudo é quando tens um fly-in. Não posso mandar a Dual Rectifier no avião e muito menos a coluna. O que fazes é mandar o rider ou alugar. Antes disponibilizavam, hoje em dia já pagas o backline, outra coisa que entrou na equação. Além dos problemas de material alugado, o tempo que demoras a montar no changeover, ground loops até dizer chega… Havia sempre qualquer coisa que estava mal e, muitas, vezes dei por mim a sair do palco claramente chateado e ou termos que cortar um par de canções devido ao tempo perdido com problemas. Tive que repensar tudo e atirei-me para o Kemper. Sou patrocinado pela Mesa/Boogie e um produtor alemão levantou essa questão moral: se isto não é um rip-off às marcas e às companhias de backline. Isso depende da educação de cada pessoa. Os presets que comecei por usar foram os Mesa/Boogie que vinham de fábrica e ajustei. Depois fiz o profile aos meus próprios Mesa/Boogie. Basicamente, estou a pegar no sons destes amplificadores e a torná-los mais fáceis de transportar. Ao vivo, isto torna-me a vida muito fácil, só tenho que ligar dois XLR, tenho a mistura toda nos in-ear, trabalho em stereo e as possibilidades são infinitas.
Assim acaba de vez a era “Amp Wall”…
Por outro lado, tens mais espaço para cenário no palco. Claro que gosto de paredes Marshall, mas isso é tudo muito giro quando tocas no Campo Pequeno, quando vais tocar a um clube como o Stereogun em Leiria, onde é que metes a banda? Outra coisa que se ganhou foi qualidade de som para a própria banda, sem amplificação em palco há muito menos som a entrar pelos microfones, o que facilita a vida ao nosso técnico de som. Portanto, isso reflectiu-se na qualidade do espetáculo. O feeling que tens quando ligas um amplificador e sentes a pressão sonora? Se quiser posso ligar o Kemper a um amplificador. Continuo a mandar a mistura directa para a mesa, mas posso ter o amplificador em palco para senti-lo. É uma questão de hábito, senti alguma falta ao início, mas habituei-me a outra coisa: quando estás com uma mistura in-ear parece que estás a ouvir e a tocar no disco e isso estimula-me de outra forma. Não estou a sentir a pressão sonora, mas o que estou a ouvir, o que me entra pela cabeça dentro é um panorama, um quadro muito mais completo daquilo que é a música. Não estás a lutar com tudo o que faz barulho no palco, estás a ouvir tudo cristalino. Os meus delays todos a fazer ping-pong, os teclados em panorâmica, estas coisas todas dão muito mais feeling para tocar. Em palco também se tenta compensar, há algum som, algum side-feel, para não estarmos só com o som in-ear. Senão era um bocado estranho, precisamos de sentir o ambiente.
Esta entrevista é um excerto do artigo integrado na Arte Sonora #61. Para criar algo especial para uma edição que, em 2018, celebrou 10 anos de publicações, pediram-me algo que fosse inédito ou, no mínimo, incomum, na nossa imprensa musical. Então surgiu a ideia de reunir numa edição histórica dez grandes guitarristas portugueses. Para a entrevista completa, podem adquirir um exemplar da revista na loja. A foto é do Paulo Maninha.

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