Luís Fernando

Morreu Luís Fernando

Um dos maiores ícones portugueses da shred guitar, que revolucionou o panorama pop rock nacional ao lado de Adelaide Ferreira na década de 80, Luís Fernando morreu. Tinha 65 anos.

Os anos 80 foram a década dos shredders. Ponto final. Foi nesse período que Luís Fernando teve a sua fase de maior devoção à intensidade da guitarra eléctrica, antes de optar por trabalhos de maior refinamento acústico, e escreveu para Adelaide Ferreira um discaço tremendo de hard rock/aor. Qualquer fã português do género que se preze deve procurar ter na sua colecção um exemplar de “Amantes e Mortais”.

Junto de Adelaide, ainda antes desse disco de 89, revolucionou o panorama pop rock português, com malhas como “Baby Suicida”, “Bichos”, “Penso em Ti, Eu Sei” ou na super balada “Papel Principal”. O sucesso comercial de “Baby Suicida” foi notável, vendendo mais de 20.000 exemplares, um feito considerável para a época. A génese da canção é particularmente reveladora: foi composta por Luís Fernando e Adelaide Ferreira «num quarto de uma pensão». Este detalhe, combinado com a sua relação pessoal – tendo sido seu namorado e, por um período, seu marido – aponta para uma sinergia criativa e pessoal profunda.

Esta não foi apenas uma colaboração profissional; foi uma fusão de talentos e vidas que resultou num marco da música portuguesa. O sucesso de vendas de “Baby Suicida” não só valida o impacto da canção, mas também a eficácia da parceria criativa de Luís Fernando, demonstrando a sua capacidade de criar obras de grande ressonância popular.

Após a colaboração e findo o matrimónio com Adelaide Ferreira, o Luís Fernando foi pivotal nos primeiros discos de Mafalda Veiga, nomeadamente no icónico “Pássaros do Sul”. Foi preservando a sua ferocidade shredder em palcos de música de covers, como o emblemático Até Q’Enfim, ali em Santos, enquanto se tornou mais sofisticado de guitarra electroacústica nas mãos, fosse com Lara Li, com os Trovante ou depois com Luís Represas. Dentro do pop rock, talvez o seu trabalho mais notório para o grande público seja o disco em que fez parte da banda de Paulo Gonzo, “Dei-te Quase Tudo”.

O Luís Fernando deu também aulas no seu instrumento e teve alunos tão proeminentes como o Ricardo Amorim, dos Moonspell. «Mas quando entrei para os Moonspell e fiz a tour do “Irreligious”, achei que devia de aprender mais. Então fui meter-me numa escola que havia em Sete Rios. O meu professor foi o Luís Fernando», confessa Amorim em conversa com a ROMA INVERSA.

Nascido a 12 de Outubro de 1959, o Luís Fernando tinha 65 anos e nos últimos deles lutou contra um cancro. No dia 13 de Junho de 2025 fomos abalados pela notícia da sua morte. Lê-se no seu perfil no Facebook: «A música, tal como a matéria, dispersam-se no universo… Eu sou música, e sou matéria. No universo, estou. O meu último concerto na terra será dia 14 de Junho pelas 9 horas da manhã, na capela da igreja da Torre da Marinha. Às 13 horas, irei partir para o Crematório de Vale Flores. Continuarei a dar-vos música no lugar onde estarei. Obrigado a todos, pelos vossos aplausos!»

A foto do Luís Fernando que abre o artigo é autoria do Rui M. Leal.

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