Brent Hinds

O Último Solo de Brent Hinds

“Red Door”, malhão de Marcus King, traz um dos últimos solos gravados pelo saudoso Brent Hinds (Mastodon). Eis a história dos bastidores no Capricorn Studios e do perfeccionismo obsessivo do lendário guitarrista.

O mundo do rock e do heavy metal foi apanhado de surpresa com uma revelação emocionante a envolver um dos guitarristas mais icónicos e imprevisíveis de sua geração. Um dos últimos solos de guitarra gravados por Brent Hinds, o lendário e saudoso líder do Mastodon que nos deixou em Agosto de 2025, foi oficialmente identificado na música “Red Door”, lançada recentemente pelo country rocker Marcus King.

Embora a malha já estivesse disponível nas plataformas de streaming há algumas semanas, a participação de Brent Hinds foi mantida em segredo até ao dia 20 de Maio, quando a prestigiada luthieria Banker Guitars — que mantinha uma relação próxima de amizade e parceria com Hinds — quebrou o silêncio através de uma publicação comovente nas redes sociais.

No comunicado, a Banker Guitars revelou os bastidores caóticos, intensos e profundamente artísticos que selaram a colaboração entre duas gerações do rock sulista americano no lendário Capricorn Studios, localizado em Macon, na Geórgia. O testemunho na íntegra reconstrói os passos de Hinds durante o que viria a ser uma de suas últimas passagens por um estúdio de gravação:

«Para aqueles que talvez não saibam, esta música que estão a ouvir tem um dos últimos solos de guitarra que Brent Hinds gravou. Ele dormiu no sofá da sala por uma semana (ou duas, quem está a contar) com a The Marcus King Band na casa que eles alugaram em Macon, Geórgia, enquanto escreviam e gravavam o disco, ‘Darling Blue / No Room For Blue, no lendário Capricorn Studios. A música final no lançamento complementar, intitulada ‘Red Door’, foi uma na qual Brent colaborou e gravou. Sempre um perfeccionista obstinado, conseguiu fazer 278 takes antes de chegar ao que mais gostou».

A revelação de que Brent Hinds realizou impressionantes 278 tentativas para lapidar um único solo de guitarra sintetiza com perfeição a dualidade que definiu sua carreira. Conhecido publicamente pela sua persona indomável, entrevistas excêntricas e um estilo de vida puramente rock ‘n’ roll, o guitarrista era, acima de tudo, um artesão implacável de seu instrumento. A obsessão pela tomada perfeita em “Red Door” mostra que, mesmo na reta final de sua jornada, o compromisso de Hinds com a integridade da música permanecia inabalável.

A escolha do local para a gravação também adiciona uma camada mística ao lançamento. O Capricorn Studios é considerado o solo sagrado do Southern Rock, tendo sido a casa espiritual de ícones como The Allman Brothers Band e Lynyrd Skynyrd nos anos 70. Para Hinds, um nativo da Geórgia que, apesar da fama mundial com o metal progressivo do Mastodon, sempre carregou o DNA do country, do bluegrass e do surf rock em seu inovador estilo de hybrid picking, gravar naquele estúdio ao lado de Marcus King foi um retorno às suas raízes mais profundas.

Marcus King, cujo trabalho em Darlin’ Blue e no complementar No Room for Blue vem sendo amplamente elogiado pela crítica, ainda não se pronunciou publicamente sobre a revelação, mas fontes próximas ao estúdio indicam que a presença de Hinds foi recebida pela banda como uma benção de um mestre veterano.

Para os fãs que ainda processam a perda de Brent Hinds, “Red Door” deixa de ser apenas uma excelente canção de rock sulista e transforma-se em documento histórico. O solo, agora carregado de um peso melancólico e transcendental, serve como o testamento final de uma força da natureza que se recusou a entregar qualquer coisa menos do que a genialidade absoluta.

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