Celebrizada por David Graham e imortalizada por Jimmy Page. Como afinar correctamente a guitarra e alguns acordes para começar a explorar a DADGAD ou afinação celta, mais algumas afinações alternativas.
Nascida no cruzamento do folk britânico com os sons do Norte de África e imortalizada pelo rock de estádio dos Led Zeppelin, a afinação DADGAD é o atalho perfeito para criar atmosferas hipnóticas com o mínimo de esforço nos dedos. A afinação DADGAD (lê-se dad-gad) é um dos segredos mais bem guardados e, ao mesmo tempo, mais populares da guitarra. Frequentemente associada à música celta e ao folk, a sua história moderna começou no início dos anos 60 pelas mãos do virtuoso britânico Davy Graham.
Ao viajar por Marrocos, Graham tentou replicar na guitarra acústica as ressonâncias e as escalas microtonais do oud (o alaúde árabe). O resultado foi a DADGAD, esta afinação modal que revolucionou a forma como encaramos o instrumento.
Partindo da afinação em Ré Maior Aberto (Open D: D-A-D-F#-A-D), basta subir meio tom na terceira corda — alterando o F# para G. Ao eliminar a terça (a nota que define se um acorde é maior ou menor), a DADGAD transforma as cordas soltas num gigantesco acorde de Re sus4 (D5/sus4). Sem a imposição de uma tonalidade vincada, a guitarra ganha um som neutro, espacial e profundamente ressonante.
Se no universo acústico nomes como Bert Jansch, Martin Carthy e, mais tarde, o mestre francês Pierre Bensusan fizeram do DADGAD a sua assinatura, foi Jimmy Page quem levou esta “afinação celta” para o planeta do rock eléctrico. Page experimentou-a primeiro nos Yardbirds com “White Summer”, aprimorou-a no álbum de estreia dos Led Zeppelin em “Black Mountain Side” e, finalmente, usou-a para erguer a catedral de som que é “Kashmir” (Physical Graffiti, 1975). A facilidade com que a DADGAD permite manter cordas soltas a ressoar (os chamados drones ou bordões) enquanto se movem formas simples ao longo do braço criou aquele som gigantesco, orquestral e hipnótico que definiu o riff da canção.
A partir daí, a afinação DADGAD passou a ser encarada com enorme entusiasmo tanto no rock eléctrico como na música alternativa, mantendo-se, em simultâneo, como a casa espiritual da guitarra acústica fingerstyle ou dedilhada.
Embora os acordes de barra ou as formações mais complexas sejam perfeitamente possíveis nesta afinação, a verdadeira magia da DADGAD reside nas formas abertas. Ao utilizar apenas um ou dois dedos na escala e deixar as restantes cordas a soar soltas, obtém-se um som denso e aveludado com enorme facilidade.
Para obter a DADGAD, basta afinar a guitarra, da corda mais grave para a mais aguda, como mostra a ilustração seguinte e experimentar depois as formações. Embora os acordes de barra ou de formação mais composta sejam possíveis e dignos de exploração, são as formas abertas como estas que dão o som mais distinto a esta afinação. Eis alguns exemplos, para começar a usar em DADGAD…



Para lá da DADGAD, a chamada afinação standard (a normal) teve a sua origem há mais de 500 anos, com um instrumento da família dos cordofones, a chittarra italiana, que, com 5 cordas, tinha a afinação ADGBE. Posteriormente, já no final do século XVIII, começaram a surgir as primeiras guitarras de 6 cordas, que adoptaram a mesma afinação que a chittarra italiana, que já era uma afinação standard para este tipo de instrumentos, acrescentado apenas um Mi (E) à afinação, ficando EADGBE.
Ter sido esta progressão de notas e não outras, com uma série de quartas justas e uma terceira maior, prende-se ao facto de facilitar tocar escalas ocidentais e fazer os acordes com maior rapidez. Contudo, hoje em dia, a variedade de afinações é enorme, e encontramos muitos guitarristas que usam afinações alternativas nos mais diversos estilos musicais, seja para dar mais corpo e peso ao som, como no caso do metal, seja para ajustar ao estilo de tocar e da sonoridade, como no caso do fingerpicking.
Jimmy Page a improvisar na DADGAD.
Drop D [D-A-D-G-B-E] | Provavelmente é a afinação mais usada a seguir à standard. Consiste apenas em descer um tom na sexta corda de E para D, tornando o som um pouco mais grave, sendo por isso utilizado frequentemente no metal e no rock. Mas, se o Drop D não te enche as medidas podes sempre optar pelo Drop A [A-E-A-D-F#-B], uma afinação para estilos musicais mais extremos, dando um som bastante grave à guitarra.
Afinação em C [C-F-A#-D#-G-C] | Esta afinação utiliza os mesmo intervalos que a afinação standard, mas com dois tons a baixo para todas as notas, o que potencia um som muito mais grave e pesado. Por esse mesmo motivo, é uma afinação utilizada com mais frequência dentro do metal e derivados. Também é muito usada a variação em D que, com os mesmos intervalos, fica entre a standard e a afinação em C, dando mais peso ao som sem perder tanto a definição do riff.
E, nesta variante, existe ainda a Afinação “Iommi” [C#-F#-B-E-G#-C#], a meio tom entre a afinação C e D, com o mesmo intervalo de notas. Depois de ter tido um acidente onde perdeu a ponta de dois dedos, Tony Iommi passou também a adoptar esta afinação de forma a aliviar a pressão nas cordas, o que veio a dar-lhe um som que redefiniu o próprio rock.
Afinação “Nick Drake” [C-G-C-F-C-E] | Esta afinação é uma das muitas que Nick Drake usou e popularizou, sendo mais apropriada ao folk, à guitarra acústica e ao fingerpicking.
Open C [C-G-C-G-C-E] | Esta afinação consiste num intervalo de notas que compõem um acorde quando tocadas soltas, neste caso C maior. Pode-se obter um C menor, baixando meio tom na 1.ª corda, de E para D#. Muito usada no estilo fingerpicking. Podem usar a variante que compõe um acorde em D maior [D-A-D-F#-A-D] quando se tocam as cordas soltas, bastando baixar meio tom na terceira corda, de F# para F, para se obter afinação D menor.
Há ainda a variante muito usada no blues e uma das preferidas do pessoal dos Stones, o Open G [D-G-D-G-B-D] que, quando tocada com as cordas soltas, produz o acorde de G maior. Para se obter a afinação em G menor, basta descer meio tom na terceira corda, de G para A#.

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