Forgeries Vol 1

Forgeries Vol 1, 1972–1984, -(16)-

Os -(16)- regressam com Forgeries Vol 1, 1972–1984, um álbum de versões que revisita as suas influências — dos Black Flag aos Bee Gees — transformadas em matéria bruta, obsessiva e profundamente pessoal.

Há bandas que evoluem. Outras persistem. E depois há aquelas que regressam sempre ao mesmo ponto de origem — não por falta de imaginação, mas porque reconhecem que é ali que tudo ainda faz sentido. Os 16 pertencem a essa última categoria: uma entidade que nunca procurou polir o seu som, apenas aprofundá-lo, camada após camada, como quem escava a própria obsessão.

Formados em 1991 em Santa Ana, Califórnia, os 16 — estilizados como -(16)- — emergiram da cena skate do sul da Califórnia. A formação original incluía Bobby Ferry (guitarra), Cris Jerue (voz), Ben Clark (baixo) e Jason Corley (bateria). Inicialmente chamados 15, rapidamente mudaram de nome após descobrirem outra banda com a mesma designação. Influenciados por 7 Seconds, Bad Brains, Metallica e pelo catálogo da Amphetamine Reptile, os -(16)- desenvolveram um som que ajudaria a definir tanto os seus primeiros anos como o próprio subgénero sludge.

O álbum de estreia, Curves That Kick (1993), editado pela Bacteria Sour de Pushead, foi seguido por uma digressão no Japão e concertos com Slayer. Drop Out (1996) e Blaze of Incompetence (1997) consolidaram o percurso, já com Phil Vera na guitarra. Após uma digressão pelos Estados Unidos com Grief em 1998 e o lançamento de Zoloft Smile (2002), a banda percorreu os EUA, Reino Unido e Japão antes de entrar em hiato em 2004, em meio a dificuldades pessoais.

Reformados em 2007, os -(16)- assinaram com a Relapse Records para Bridges to Burn (2009), seguido de Deep Cuts from Dark Clouds (2012). Com Bobby Ferry a assumir as vozes, a formação baseada em San Diego — Alex Shuster (guitarra principal), Barney Firks (baixo) e Dion Thurman (bateria) — lançou Lifespan of a Moth (2016), Dream Squasher (2020) e Into Dust (2022), todos amplamente aclamados. Intensas digressões pelos EUA, México e Europa, bem como presenças em grandes festivais, cimentaram a reputação da banda por actuações ao vivo viscerais e profundamente envolventes.

Em 2025, os -(16)- editaram Guides for the Misguided pela Relapse Records, distinguido como um dos Top 40 Álbuns do Ano pela Decibel Magazine (abre lista completa). Nesse mesmo ano, encabeçaram uma digressão europeia de três semanas e actuaram em datas seleccionadas na Califórnia com Acid Bath, High on Fire e Fu Manchu. Em 2026, a banda associou-se à Heavy Psych Sounds para lançar Forgeries Vol 1, 1972–1984, um álbum de versões a percorrer as suas influências.

Há um momento na vida de qualquer banda em que a originalidade deixa de ser virtude e a honestidade toma o controlo. No seu 11.º álbum, Forgeries Vol 1, 1972–1984, os -(16)- regressam ao impulso que os levou pela primeira vez para salas barulhentas e más decisões: a vontade de roubar aquilo que amam e torná-lo quase irreconhecível através da devoção.

Com versões que vão dos Bee Gees aos Scorpions, passando por Black Flag e Blue Öyster Cult, Forgeries Vol 1, 1972–1984 atravessa épocas e atitudes, unido não por género, mas por necessidade. Por vezes desconfortável e assumidamente destemido, cada faixa funciona como documento de obsessão — influências absorvidas e reconfiguradas sem pedir permissão.

«Sempre acreditámos que uma grande versão não é imitação, mas revelação. É encontrar uma canção que já vive dentro de nós desde a juventude e deixá-la sair, magoada e transformada», refere Bobby Ferry sobre Forgeries Vol 1, 1972–1984. Desde os anos 90, os -(16)- tratam as versões como traduções, não como réplicas — actos de tributo filtrados pela distorção, pelo desgaste e pela experiência vivida.

Sobre uma das malhas de Forgeries Vol 1, 1972–1984 em particular, Bobby Ferry acrescenta: «‘Beat My Head Against the Wall’, dos Black Flag, foi a minha primeira fractura real. O punk deixou de ser nós contra eles — passou a ser eu contra mim. Em retrospectiva, esta música serviu de molde para o nascimento dos (16). Formámo-nos em 1992, apenas oito anos após o lançamento desta faixa. Grande parte do que tocamos pode ser rastreada até aqui. Em vez de a copiar durante 34 anos, finalmente rendemo-nos e fizemos uma versão».

«Estas são canções que nos ensinaram a ficar de pé, a cair e a continuar. No nosso imaginário colectivo, este álbum existe porque estas músicas o exigiram. Forgeries Vol 1, 1972–1984 é simultaneamente uma nota de agradecimento e um roubo — um lembrete de que toda a música que vale a pena é emprestada, quebrada e passada entre amigos», conclui o guitarrista/vocalista de -(16)-.

A arte de Marald van Haasteren completa este ritual sonoro. Forgeries Vol 1, 1972–1984 tem edição em LP, CD e formatos digitais em de 1 de Maio de 2026, através da Heavy Psych Sounds (abre link).

Forgeries Vol 1, 1972–1984 | 1. Can’t Get Enough (Scorpions) 2. Nausea (X) 3. Cities on Flame with Rock and Roll (Blue Öyster Cult) 4. Rotten to the Core (Rudimentary Peni) 5. Mother Mary (UFO) 6. Tragedy (Bee Gees) 7. Bloodstains (Agent Orange) 8. Beat My Head Against the Wall (Black Flag) 9. St. Vitus Dance (Black Sabbath) 10. Foreign Policy (Fear) 11. Rocket Ride (Kiss)

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