O sexto álbum de estúdio da banda alemã de hard rock e heavy metal Scorpions, “Lovedrive”, é um dos seus melhores discos e também aquele que definiu completamente o estilo da banda, trazendo consigo sucesso comercial e radiofónico.
“Lovedrive” é o sexto álbum de estúdio lançado pelas rockstars germânicas Scorpions. Surgiu durante um período crucial para a banda, marcando um ponto de viragem significativo na sua carreira e mostrando a sua evolução musical. Lançado, originalmente, no dia 15 de Janeiro de 1979, “Lovedrive” não só solidificou a posição dos Scorpions na cena do hard rock e do heavy metal, como também serviu de ponte entre o seu som anterior, mais agressivo, e o estilo polido e comercialmente bem-sucedido que definiria os seus anos posteriores.
A capa do álbum, com uma imagem provocadora, gerou controvérsia e levou mesmo a que o disco fosse vendido em alguns países com uma capa alternativa. Apesar da polémica, o artwork também desempenhou um papel determinante na notoriedade do álbum, chamando a atenção para “Lovedrive” e contribuindo para o seu sucesso comercial. Mas vamos ao que mais importa…
Musicalmente, “Lovedrive” é um álbum diversificado e dinâmico que, mesmo dentro de uma inegociável matriz hard rockers, reflecte a versatilidade artística dos Scorpions. A malha de abertura, “Loving You Sunday Morning”, define imediatamente todo o som do disco, com as suas linhas melódicas de guitarra e refrão cativante. A mistura do trabalho de guitarra de Rudolf Schenker e Matthias Jabs, as vozes distintas de Klaus Meine e a base sólida da secção rítmica criam uma paisagem sónica que é simultaneamente poderosa e memorável.
Outra das malhas de destaque do álbum é “Always Somewhere”, uma das grandes power ballads do hard rock – algo em que os Scorpions se tornaram inexcedíveis. A voz carregada de alma de Klaus Meine transmite uma pungente sensação de saudade e desejo, acrescentando profundidade à paisagem emocional do álbum. A interacção entre as guitarras na secção dos solos demonstra ainda mais as proezas musicais da banda e o seu intrincado trabalho nas seis cordas, algo proeminente ainda no instrumental “Coast to Coast”.
“Holiday” é outro baladão que se tornou icónico e, para o pessoal da velha guarda, o álbum tem malhas de onde se podem traçar raízes do power metal germânico, caso do tema-título, ou um o estouro hard rocker em “Another Piece of Meat”. As letras, que tratam de temas de luxúria e desejo, alinham-se com a natureza provocadora da capa do álbum.

“Lovedrive” foi produzido por Dieter Dierks, que já tinha trabalhado com os Scorpions em álbuns anteriores. A produção é polida e refinada, melhorando a clareza de cada instrumento e permitindo que as nuances musicais da banda brilhem. A qualidade da produção do álbum contribuiu para o seu sucesso comercial, ajudando-o a atingir um público mais vasto, particularmente nos Estados Unidos (onde a capa mais deu que falar). A combinação de ganchos cativantes, melodias memoráveis e destreza musical musicalidade habilidosa em “Lovedrive” fez o resto e carimbou o estatudo dos Scorpions como uma força a ser reconhecida.
Foi o primeiro disco em que Matthias Jabs participou, entrando para ocupar o lugar de Uli Jon Roth, e é também o único da banda a ter três guitarristas na gravação, uma vez que durante as sessões Michael Schenker gravou três das malhas, nomeadamente os solos de “Another Piece of Meat”, “Coast to Coast”, “Holiday”, “Loving You Sunday Morning” e “Lovedrive”. Em 2015, para celebrar o quinquagésimo aniversário da banda, o álbum foi remasterizado com duas faixas adicionais e um DVD ao vivo, de uma actuação no Japão em 1979, parte da Lovedrive Tour.

Um pensamento sobre “Scorpions, Lovedrive”