Guns N' Roses

Guns N’ Roses: O Documentário Proibido da Use Your Illusion Tour (91-93)

O Santo Graal dos arquivos: o mítico documentário inacabado da Use Your Illusion Tour (que chegou a ter o título provisório de The Perfect Crime) surgiu online. O motivo de tanta euforia é o fator nostalgia sem filtros. Este leak massivo mostra os Guns N’ Roses no pico da sua arrogância, genialidade, decadência e poder sónico. É o retrato cru de uma era pré-redes sociais onde o caos era real.

Em 1989, na tentativa de isolar a banda dos vícios autodestrutivos de Los Angeles e focar o grupo na criação dos ambiciosos volumes de Use Your Illusion, o management dos Guns N’ Roses fechou-os num estúdio em Chicago. O tiro saiu pela culatra. Como Slash e Duff McKagan recordam nas suas respetivas autobiografias, os excessos apenas mudaram de código postal. Ali nascia a semente da desintegração da maior banda do planeta, um processo de combustão lenta cujo “Santo Graal” visual acabou de ser exposto na internet: um corte inédito de 38 minutos do documentário nunca lançado da Use Your Illusion Tour.

Originalmente baptizado de The Perfect Crime, o projecto cinematográfico pretendia ser uma resposta rock ’n’ roll a Na Cama com Madonna. Entre 1991 e 1993, os Guns N’ Roses eram a maior e mais perigosa banda do planeta. Sabendo o momento histórico que viviam, eles contrataram uma equipa de filmagem (liderada em grande parte pelo fotógrafo oficial Robert John) para registar absolutamente tudo.

Como o próprio Gilby Clarke revelou numa entrevista em 1993, eles tinham câmaras nos hotéis, nos bastidores, nas viagens e em cima do palco de quase todas as cidades. Com o fim da digressão em 1993, os Guns N’ Roses implodiram. Izzy já tinha saído, Slash e Duff abandonaram o barco pouco depois, e o Axl Rose fechou-se no seu casulo para trabalhar no Chinese Democracy.

O material bruto — centenas de horas de fita de rolo profissionais (Pro-Shot) e de bastidores — ficou trancado a sete chaves num cofre. Slash chegou a admitir na sua autobiografia que, enquanto as pazes não fossem feitas e os contratos assinados, ninguém veria aquelas imagens devido à natureza crua (e potencialmente embaraçosa) dos excessos e das discussões registadas. Até agora.

O vídeo de 38 minutos que deixou a internet em polvorosa funciona como uma radiografia sem filtros da decadência e do isolamento descritos nos livros dos músicos. Longe dos produtos de marketing polidos pelas editoras, as imagens expõem a fractura total do grupo em dois campos distintos: os Guns N’ Roses e Axl Rose. Sintomático nas imagens do vocalista em estúdio, a gravar “Since I Don’t Have You” e a queixar-se da banda ter deixado um verso de fora.

Nos bastidores, o ambientedentro dos Guns N’ Roses é de uma tensão sufocante. Duff procura desabafar, e simultaneamente fala sobre o distanciamento dos gunners com paninhos quentes. Matt Sorum, fala da exigência de aguentar os concertos nos momentos em Axl se retira de palco e a banda fica sozinha. Logo de seguida é mostrado o incidente de Sacramento, quando Duff foi atingido por uma garrafa, Axl interrompe o concerto, Slash surge de seguida a explicar porquê, para acalmar tumultos.

Todavia, quando o documentário corta para as canções ao vivo, os Guns N’ Roses são uma força da natureza esmagadora. Malhas como “It’s So Easy”, “Welcome To The Jungle”, “Double Talkin’ Jive” ou “Live And Let Die” são uma cápsula de poder avassalador que demonstram perfeitamente aquela que, no seu auge, foi possivelmente a maior banda de hard rock da história.

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