Eis os quatro nomes (dois absolutamente emblemáticos) na terceira e última vaga de confirmações da Invicta Requiem Mass VIII, cada vez mais a grande referência dos eventos nacionais exclusivamente dedicados ao black metal. A blasfema congregação acontece no dealbar de Dezembro de 2025.
Depois de um ano em vão, com a organização a procurar um novo espaço fiável, a Signal Rex anunciou a Invicta Requiem Mass VIII oficialmente. O festival vai estar de regresso entre os dias 5 e 6 de Dezembro de 2025, na Associação Cultural e Recreativa De Valdágua, em Ovar. Os bilhetes na modalidade Early Bird ficaram à venda desde 11 de Junho de 2025, mantendo-se durante as primeiras duas vagas de bandas confirmadas no cartaz.
Já no final de Agosto, foram confirmadas as últimas quatro bandas no cartaz e os preços fixaram-se no seu valor final. Assim, o cartaz da Invicta Requiem Mass VIII ficou completo com a confirmação dos alemães BAXAXAXA, dos Osculum Infame, oriundos de França, e dos Faceless Entity, dos Países Baixos. Portugal oferece mais um nome como holocausto ao ritual, os Mallitiae. Lançamos um olhar sobre cada uma…
Da Baviera emerge um nome que parece ter regressado de entre os mortos apenas para lembrar ao mundo como o black metal deve soar quando é realmente cru, ancestral e inflexível. Os BAXAXAXA nasceram em 1992, gravaram a demo Hellfire e desapareceram logo depois, deixando apenas um murmúrio nos subterrâneos dos Alpes. O seu renascimento, décadas mais tarde, trouxe novamente ao de cima esse odor pestilento de black metal primitivo: The Old Evil em 2019, o EP Devoted to Him em 2020, e os álbuns Catacomb Cult (2021) e De Vermis Mysteriis (2023), editado pela The Sinister Flame.
A música é cavernosa, lo-fi, salpicada por teclados lúgubres que mais parecem sinos fúnebres em catedrais profanadas. As letras são invocações ao Anticristo, ao Velho Mal, àquilo que sempre esteve à espreita nas catacumbas. Os BAXAXAXA não se limitam a tocar black metal; encarnam um regresso ao espírito original, pré-moderno, quase arqueológico do género. De repente, a Invicta Requiem Mass tornou-se ainda mais negra.
De França chegam à Invicta Requiem Mass os Osculum Infame, um nome amaldiçoado desde os anos 90, envolto em polémicas e sempre pronto a incendiar as normas. Oriundos de Paris, lançaram em 1997 Dor-Nu-Fauglith, um álbum que ainda hoje é citado como clássico maldito do underground, e que trouxe uma mescla rara de ferocidade crua com interlúdios góticos e uma teatralidade sacrílega. Em 2000 regressaram com o EP The Black Theology, mais uma pedra angular do seu cânone, recentemente alvo de reedição. Após um período de silêncio, a banda reergueu-se uma outrav vez em 2008, reafirmando a sua identidade feroz com novos lançamentos e um ódio redobrado.
Os Osculum Infame são, acima de tudo, um acto de iconoclastia: a música é abrasiva, satânica, hostil, mas também profundamente ritualística. A cena francesa deve-lhes muito, mas é sobretudo o público que ainda se vê arrastado para dentro da escuridão que eles projectam. Sketchy as fuck, absolutamente históricos. Um dos “nomes” da Invicta Requiem Mass VIII.
Do Norte da Europa, os Faceless Entity trazem a vertigem do abismo à Invicta Requiem Mass. Activos desde meados da década de 2010, este trio neerlandês construiu, com um punhado de lançamentos, uma reputação de culto. O álbum de estreia In Via Ad Nusquam (2017) já mostrava o seu ADN: faixas longas, arrastadas, atmosféricas, em que o black metal se cruza com a lentidão sepulcral do funeral doom. Mas foi com The Great Anguish of Rapture (2022), lançado pela Argento Records, que a visão da banda se consolidou: um disco que é um mergulho numa noite sem fim, denso, opressivo, sem concessões à esperança.
A música é lenta, mas brutal, como um corte que se recusa a sarar. A voz é dilacerante, sufocada, quase inumana. Os Faceless Entity não compõem canções: erguem muralhas de som nas quais o ouvinte se perde, até que o próprio tempo deixe de fazer sentido.
Portugal, por sua vez, oferece ao ritual o nome de Mallitiae, um acto envolto em sombras, quase clandestino, mas justamente por isso ainda mais fascinante. Movem-se sob o estandarte do raw black metal e estão ligados ao selo por detrás do festival, a Signal Rex. O recente “Rugitus Aeternus labe in Abyssum irent” é um registo absolutamente perturbador e malévolo, um vislumbre de algo maior que permanece oculto. A sua presença no Invicta Requiem Mass VIII acresce ruído cru, blasfémia sem ornamento, música feita para ser sentida na carne mais do que compreendida pela razão.
Para mais detalhes, podem consultar a página oficial da Invicta Requiem Mass VIII no Facebook e o website oficial em www.irmfest.com.
