A Signal Rex torna a celebrar a missa profana. O Invicta Requiem Mass VIII, cada vez mais a grande referência dos eventos nacionais exclusivamente dedicados ao black metal, desce do Porto para Ovar, em Dezembro de 2025.
A sétima edição da Invicta Requiem Mass estava marcada para os dias 30 de Novembro a 2 de Dezembro de 2023, no Bourbon Room, no Porto, Portugal. Com curadoria da Signal Rex, o festival underground sempre procurou apresentar ao público uma experiência desafiante e transcendental, e esse sétimo encontro não seria diferente. Todavia, a Signal Rex decidiu cancelar a edição desse ano da Invicta Requiem Mass, temendo pela segurança de bandas e fãs e depois de um potencial novo espaço ter recusado acolher o evento. Mais detalhes e comunicado oficial (abre hiperligação).
O resultado foi uma produção bastante mais reduzida, para minimizar danos, num evento à porta fechada. Depois de um ano em vão, com a organização a procurar um novo espaço fiável, a Signal Rex anunciou a Invicta Requiem Mass VIII oficialmente. O festival vai ter lugar entre os dias 5 e 6 de Dezembro de 2025, na Associação Cultural e Recreativa De Valdágua, em Ovar. Os bilhetes na modalidade Early Bird ficam à venda desde 11 de Junho de 2025. Podem consultar a página oficial da Invicta Requiem Mass VIII no Facebook e o website oficial em www.irmfest.com.
Entre as bandas já confirmadas epara a Invicta Requiem Mass VIII estão os nacionais Morte Incandescente. Passam já mais de duas décadas desde a reunião de dois nomes icónicos do black metal nacional: Nocturnus Horrendus, que se revelou nos Corpus Christii e depois disso deixou a marca em inúmeras bandas como Storm Legion, A Tree Of Signs ou Son Of Cain, e Vulturius, mentor dos Irae, mas com o dedo em inúmeros outros grupos e projectos, entre eles Decayed, Kommando Baphomet, Scum Liquor ou Viles Vitae, entre muitos mais.
Encontraram-se ocasionalmente em palcos, mas em estúdio é MORTE INCANDESCENTE que melhor representa essa junção. Desde “…Your Funeral”, em 2003, até “…o Mundo Morreu!” em 2016, a dupla editou quatro álbuns. Em 2021, com chancela Signal Rex, lançaram “Vala Comum”, um manifesto de subversão assinado com a crueldade que se espera desta dupla de maníacos.
Estão também confirmados os Ultra Silvam. Formado em 2015, na cidade de Malmö, este misterioso trio — composto por M. A. no baixo e na voz, A. L. na bateria e O. R. nas guitarras — tem-se afirmado como uma das mais interessantes propostas dentro do género em que se move nos últimos anos. Sucintamente, no seu currículo, contam com uma maqueta homónima de 2017, com o álbum de estreia “The Spearwound Salvation”, de 2019, e com o seu sucessor, “The Sanctity Of Death”, que foi lançado em 2022 pela Shadow Records. TRegressam ao nosso país depois de, em 2023, terem profanado as nossas fronteiras ao lado dos Balmog e dos Gleichmacher.
Depois de se terem formado e introduzido em 2021 com a demo “Hel”, os SOERD editaram o EP “Mil laaned vaikivad” logo em 2023 e, já neste 2025, editaram o álbum de estreia “Keldrikojast”. Precisamente editado pela Signal Rex, emite um misticismo provindo do início dos anos 90 e que, ao utilizar a sua língua nativa, empresta uma certa sabedoria atemporal aos temas, tal como a vanguarda norueguesa original o fez. A composição equilibra habilmente fúria passional e a dinâmica rítmica.
Este “Keldrikojast” possui uma aura que é alternadamente espectral e terrena – ou, devido à geografia singular da Estónia, sentem-se laços estéticos com o paradigma finlandês prevalecente e expressões mais amplas da Europa de Leste – colocando-os em território rarefeito para o black metal tradicional. Para confirmar na Invicta Requiem Mass VIII.
Já na segunda vaga de confirmações chegaram os Nächtlich. Desovados de um dos poços mais negros do Inferno, os canadianos tocam black metal de crudeza e ocultista que ressoa com perturbante vileza, com estridência vocal a traduzir ódio e sintetizações grandiosas e hipnotizantes. É o que se espera de raw black metal: vozes descarnadas, baixo e bateria barbáricos e riffs malignos. É inevitável não sentir as vibrações das fundações estéticas do género. “Exaltation Of Evil”, editado em Junho de 2024, é o melhor registo da discografia até à data e estará em destaque na Invicta Requiem Mass.
O EP homónimo e os splits com Nebran e Silent Thunder são os principais registos de Zmyrna. Sediados nas regiões da antiga Checoslováquia, as suas composições carregam a sujidade e corrupção do clero na Idade Média. Atmosferas imersivas, blast e enxame de guitarras indutores de transe e melodias grandiosas formam o núcleo sónico. As composições cuidadas oferecem a dados momentos impactantes elementos surpresa, como vozes limpas ou dissonâncias harmónicas. Uma banda que está a dar os primeiros passos e com um potencial enorme, para confirmar na Invicta Requiem Mass VIII.
Outro infame nome nacional no Invicta Requiem Mass, os Grievance ultrapassam o quarto de século de actividade, com competência e maturidade cada vez mais notórias na mistura que faz do seu caldo de primordial black metal “clássico” (tanto quanto Burzum e Darjthrone podem ser) e sofisticadas camadas melódicas. Depois do split com Thy Black Blood, em 2022, a banda caldense parece estar em momento introspectivo, como atesta a antologia editada já em 2024 que, para os não iniciados, é um excelente pórtico.
No pólo oposto de rodagem no cartaz da Invicta Requiem Mass, estão os espanhóis Awaketh e os estónios Tomb Veneration. Os castelhanos iniciaram profanidades em 2019, tendo até à data lançado três demos. Nelas decifra-se blackened death metal «inspirado pelo activismo da tradição nórdica dos 90s, a fúria do black metal teutónico e a corppução daS Les Légions Noires».
A banda do leste europeu tem no seu único lançamento, “Hymn Of The Catacomb” uma colecção de malhas atmosféricas, também sob a sombra do death metal. Um black metal carregado de harmonias fantasmagóricas e a capacidade de criar uma tensão enervante, culminando numa catarse para lá de gratificante.

Um pensamento sobre “Invicta Requiem Mass VIII”