Invicta Requiem Mass

Invicta Requiem Mass IX: Três Dias de Diferentes Faces de Black Metal

O festival Invicta Requiem Mass regressa a Válega, Ovar, de 3 a 5 de Dezembro, com um cartaz internacional de enorme ferocidade que cruza black metal experimental, sonoridades cruas e abordagens mais dissonantes.

O Invicta Requiem Mass regressa de 3 a 5 de Dezembro de 2026 para a sua nona edição, reunindo 13 bandas e convidados especiais numa programação dedicada ao black metal underground. Organizado pela Signal Rex, o festival volta a realizar-se em Válega, no concelho de Ovar, e apresenta um alinhamento que atravessa diferentes geografias e sensibilidades, da abordagem experimental dos finlandeses Ride for Revenge à violência black/death dos franceses Necroblood, passando pela dimensão melódica e dissonante dos belgas Solfatare.

Entre os nomes de maior destaque estão os Ride for Revenge, projecto finlandês activo desde 2001, conhecido por uma interpretação pouco convencional do black metal. A sua música cruza ritmos primitivos e hipnóticos, ambientes sufocantes, ruído e elementos de death metal, recusando a produção polida e as estruturas previsíveis.

Em discos como Wisdom of the Few e Ageless Powers Arise, a banda desenvolveu uma linguagem ritualística e deliberadamente abrasiva, onde a repetição e a tensão contam tanto como os riffs. A sua presença oferece ao festival uma das propostas mais singulares do cartaz.

Também da Finlândia chegam os Morgal, banda formada em 2014 que trabalha uma vertente mais tradicional do black metal, marcada pelo ocultismo, pelo caos e por uma estética de inspiração ritual. O grupo editou Nightmare Lord em 2021 e regressou em 2026 com The Seventh Circle, prolongando uma discografia construída em torno de atmosferas sombrias e de uma abordagem assumidamente underground.

Os franceses Necroblood aproximam-se de outro território: o cruzamento entre black metal e death metal. Activos sob este nome desde 2010, embora com raízes anteriores, desenvolveram uma sonoridade agressiva, blasfema e primitiva, na qual a violência do death metal se encontra com a atmosfera malévola do black metal. O álbum Collapse of the Human Race é uma boa porta de entrada para o universo do grupo, que representa uma das propostas mais extremas da edição.

A representação belga fica a cargo de Solfatare, formação de Bruxelas cuja música combina as raízes do black metal tradicional com dissonância, melodias sombrias e uma abordagem mais elaborada à composição. O álbum de estreia, Asservis par l’espoir, editado em 2025 pela Signal Rex, desenvolve uma reflexão sobre a angústia existencial e a procura de sentido, com letras em francês e uma atmosfera que oscila entre a agressividade e a introspecção. É uma das propostas do cartaz que mais claramente procura ampliar a linguagem do género sem abandonar a sua intensidade.

Os austríacos Weathered Crest seguem uma direcção diferente, assente num black metal cru, rápido e melódico. Blossoming of the Paths, de 2021, apresenta sete temas que alternam entre passagens aceleradas e andamentos médios, mantendo uma abordagem áspera, mas com melodias suficientemente vincadas para dar identidade às composições. A banda regressou entretanto com novas edições, incluindo o split lançado em 2025, e acrescenta ao cartaz uma faceta mais directa do black metal europeu.

Entre os nomes nórdicos encontram-se ainda Myling, Hail Conjurer e Victimarum, e Stormpyre. Hail Conjurer, projecto de Helsínquia activo desde 2017, explora uma vertente explicitamente ocultista e satânica, com uma discografia de gravações curtas, colaborações e lançamentos que privilegiam a intensidade e a atmosfera. Victimarum, oriundos de Turku, apresentam-se como praticantes de black metal satânico, enquanto Myling e Stormpyre completam a presença escandinava no alinhamento.

Portugal estará representado por Ventr e Empalamento. Os Ventr editaram o álbum de estreia, Ubique Diaboli Voluntas, através da Signal Rex, em 2025, depois de se terem dado a conhecer com o EP Numinous Negativity. O disco desenvolve um black metal de atmosfera antiga e sombria, com linhas melódicas marcantes e uma secção rítmica em constante movimento. A combinação entre intensidade e composição cuidada distingue-os de uma abordagem exclusivamente lo-fi e coloca-os entre as propostas nacionais a acompanhar nesta edição.

Os Empalamento, por sua vez, são uma formação portuguesa surgida em 2023, ligada à aliança Sulphur Waters Black Metal. O seu universo temático passa pelo ocultismo, pelo vampirismo e pela fantasia, enquadrando-se numa geração recente da cena nacional que procura afirmar uma identidade própria dentro do black metal underground. A lista fica completa com os espanhóis Vomit Messiah e Lucero de Alba. Os primeiros cruzam black metal e death metal numa abordagem extrema, enquanto Lucero de Alba acrescentam mais uma representação da cena espanhola ao alinhamento.

O Invicta Requiem Mass mantém o formato de três dias, com uma jornada de aquecimento na quinta-feira, 3 de Dezembro, e os concertos principais na sexta-feira e no Sábado. A edição inclui ainda um concerto exclusivo numa antiga capela de Válega, anterior às actuações no recinto principal e reservado aos portadores do passe especial de fim-de-semana. A organização assinala que essa modalidade tem acesso limitado devido à dimensão do espaço.

A nona edição dá continuidade ao percurso do festival. Sob a curadoria da Signal Rex, o Invicta Requiem Mass tem mantido uma orientação dedicada ao black metal, privilegiando propostas do circuito underground e evitando diluir a sua identidade numa programação genérica de música pesada.

O festival realiza-se de 3 a 5 de Dezembro de 2026, em Válega, Ovar. Os bilhetes e as informações actualizadas estão disponíveis no site oficial do Invicta Requiem Mass e na bilheteira da Signal Rex.

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