Após a compra da Zound, em 2023, a Marshall Amplification deixou sensações positivas e as coisas só vão melhorar, de acordo com o director executivo da marca. Jeremy de Maillard assume uma posição de força no mercado, com intuito de tornar a lendária marca de amplificação num negócio multibilionário.
Foi a maior história de amplificadores de guitarra de 2023. Após mais de 60 anos de propriedade familiar, a Marshall Amplification foi vendida à empresa sueca de altifalantes Zound Industries, passando ambas as marcas a ser comercializadas doravante como Marshall Group.
Todos os murmúrios em torno do negócio de aquisição foram positivos. A família passaria a deter uma participação de 24% no Marshall Group e seria o maior acionista. Apenas alguns meses mais tarde, a Marshall Amplification estreou o Studio JTM, a colecção de amplificadores valvulados de 20 watts com estilo retro, o seu primeiro grande lançamento de amplificadores desde que o acordo foi feito. Ainda havia um certo grau de incerteza quanto à concentração da empresa na concepção de novos produtos para guitarristas ou se seria dada prioridade à linha de colunas e auscultadores bluetooth da Marshall.
Numa entrevista recente ao The Times, Jeremy De Maillard, director executivo do Marshall Group, indicou que a empresa não queria apenas fazer crescer a vertente de amplificadores do negócio, mas que precisava de o fazer para obter ganhos em toda a linha. «Muitas vezes, estas aquisições [envolvem] a redução de custos. Aqui, é completamente complementar, quase não há sobreposição e, onde há, é algo que precisamos de aumentar. O fabrico é o coração da empresa. Quando passamos por [Bletchley], vemos pessoas que estão cá há 35 anos. O trabalho artesanal é tão bom e tão poderoso. Precisamos de fazer mais aqui, para melhorar o legado», disse De Maillard.
Até ver, os sinais são bons no que respeita ao legado da Marshall Amplification. O Studio JTM não só é uma versão fiel de um amplificador vintage icónico, como também foi lançado mesmo a tempo de assinalar o 100º aniversário do falecido Jim Marshall, demonstrando que os novos proprietários estavam cientes dos marcos da história da Marshall e um sinal de que a herança da marca seria preservada.
As gamas de amplificadores económicos da Marshall continuam a ser fabricadas no Vietname. Segundo o The Times, a sede de fabrico da Marshall Amplification no Reino Unido, em Bletchley, emprega 200 pessoas. Se De Maillard está a falar em dar prioridade ao fabrico e em aumentar esses números, seria razoável assumir que podemos esperar mais produtos novos. Há mais amplificadores no catálogo Marshall que poderiam receber o tratamento Studio, reduzidos, tornados mais compactos e actualizados com características modernas, como loops de efeitos e saídas DI emuladas por altifalantes.
Ainda estamos para ver a Marshall Amplification a apostar totalmente no digital. Não está fora dos domínios da possibilidade que eles lancem um modelador de amplificador, com base na tecnologia de modelagem implantada na gama Marshall Code.
Talvez venhamos a ver estes produtos mais cedo ou mais tarde. De Maillard deixou uma nota arrojada sobre o crescimento do negócio Marshall Amplification para corresponder ao reconhecimento da sua marca e disse que estava pronto para «investir pesado» na imagem da marca Marshall, no seu esforço para aumentar as receitas e a quota de mercado…
«Estamos numa indústria de 100 mil milhões de dólares. Temos menos de 1 por cento e somos a Marshall. Podemos tornar-nos rapidamente numa empresa de 3 mil milhões de dólares e isso será apenas 3 por cento. Somos uma das poucas marcas icónicas globais que é amplamente conhecida e está ligada a um determinado aspecto da cultura. Parece ambicioso, mas com a marca que temos, não me preocupa que nos tornemos uma empresa multibilionária».

Um pensamento sobre “Marshall Amplification, As Expectativas de Desenvolvimento em 2024”