É uma notícia abrupta e dolorosa, morreu Hélder Luís, baixista dos Louvado Abismo.
«A notícia de que não esperávamos invadiu hoje sem piedade os nossos corações, o nosso Louvado Hélder partiu, e deixou-nos em choque e sem palavras… Descansa em paz querido amigo, vamos tentar processar esta triste notícia. As nossas mais sinceras condolências a todos os familiares e amigos. Serás eterno Louvado!», os Louvado Abismo deram hoje (26 de Janeiro de 2025), nas suas redes sociais, da morte de Hélder Luís, baixista da banda.
Hélder Luís é recordado como um tipo pacato e algo introvertido, que se transfigurava na criatividade e exploração do baixo enquanto instrumento e nas possibilidades no uso de stomboxes de efeitos, capaz de pensar bem fora da caixa, uma marca que distingue o talento. Isso está, aliás, bem latente no homónimo álbum de estreia de Louvado Abismo, lançado no dia 31 de Maio de 2024, pela Half Beast Records.
Louvado Abismo é uma banda composta por músicos de grande rodagem e reconhecidos predicados no underground musical português, oriundos de várias conglomerados estéticos, que trazem ao projecto uma profundidade e complexidade assinaláveis. Na frente de tudo surge Patrícia Andrade, uma luminária no mundo do teatro que assume aqui o seu primeiro projecto musical depois da saída dos Sinistro, e cujo encanto vocal permanece cativantemente intacto. Hugo Conim, nas guitarras, e Pedro Almeida, na bateria, assumem a grossa parte das composições. No baixo, Hélder Luís completava este quarteto.
Mergulhando nos complexos temas da esquizofrenia e da perturbação psicológica, o homónimo álbum de estreia é um testemunho da capacidade de Louvado Abismo em misturar diversas influências musicais, indo desde Christian Death, Siouxsie, and the Banshees, e até elementos de pioneiros industriais como Godflesh, Swans e Ministry. Esta eclética forma, que contém também uma singularidade identitária bem vincada, funciona surpreendentemente bem e revigora a estética gótica dos anos 80 para o público contemporâneo, criando paisagens sónicas que são simultaneamente nostálgicas e inovadoras.
«Os arranjos de bateria, que oscilam entre a síncope rítmica e batidas soltas e dançantes, são complementados por guitarras sintetizadas distorcidas, criando uma vibração glamorosa e envolvente que lembra, de facto, os anos 80. Os baixos acrescentam uma atmosfera cinematográfica, alternando entre texturas e camadas para evocar sensações e paisagens variadas, ora transmitindo agonia e desordem, ora êxtase e groove», lê-se no Bandcamp de Louvado Abismo – local onde podem também fazer a pré-encomenda do seu homónimo álbum de estreia.
O Hélder Luís deixa a esposa Susana e dois filhos. O músico sofreu um enfarte agudo do miocárdio súbito, na noite de 25 de Janeiro. O Hélder Luís residia em Portimão, ainda não há datas para as cerimónias fúnebres. Pede-se discrição e respeito pela privacidade da família, à qual deixamos o nosso profundo pesar.
