Os Myrath regressam a Lisboa a 22 de Outubro de 2026 para apresentar Wilderness of Mirrors, o álbum editado em Março passado, na República da Música.
Os Myrath regressam a Lisboa a 22 de Outubro para apresentar Wilderness of Mirrors, o sétimo álbum de estúdio da banda tunisina, editado em Março pela earMUSIC. O concerto acontece na República da Música e integra a segunda etapa da digressão europeia Wilderness of Mirrors – Second Strike, que atravessa vários países entre Setembro e Outubro. Depois de uma primeira passagem pelo continente na Primavera, os Myrath retomaram a estrada em Setembro e chegam a Portugal depois de datas na Alemanha, Suíça, França, Escandinávia, Reino Unido, Países Baixos, Bélgica e Espanha.
A história dos Myrath é particularmente interessante porque a sua música nasceu de uma combinação pouco habitual dentro do metal progressivo. Formados na Tunísia e actualmente associados também à cena francesa, os músicos desenvolveram uma linguagem onde riffs de metal, estruturas progressivas, elementos sinfónicos e melodias de matriz norte-africana e oriental convivem sem que uma componente tenha necessariamente de servir apenas como decoração da outra. A própria banda usa a expressão “Blazing Desert Metal” para descrever essa identidade, uma designação que procura traduzir precisamente a mistura entre peso, teatralidade e as raízes culturais que atravessam a sua música.
Essa característica tornou-se particularmente evidente a partir de Tales of the Sands, de 2011, álbum escrito durante a Revolução Tunisina. Segundo a biografia oficial dos Myrath, os músicos compunham durante a noite enquanto, durante o dia, protegiam as suas casas, num período de enorme instabilidade no país. A experiência acabou por deixar marcas na forma como a banda encara a relação entre música, identidade e resistência, embora os Myrath tenham progressivamente afastado a sua música de uma leitura exclusivamente política ou regional. O resultado foi uma carreira internacional que os levou a festivais como Hellfest e Wacken e a palcos na Europa, Ásia e América.
Depois de Shehili, de 2019, e de Karma, lançado em 2024, Wilderness of Mirrors representa mais um passo nessa procura de escala. O álbum foi editado a 27 de Março de 2026 e reúne dez temas, mantendo a combinação entre metal progressivo, power metal, orquestrações cinematográficas e melodias orientais. A produção ficou novamente associada a Kevin Codfert, teclista e elemento central na construção sonora dos Myrath, cuja presença ajuda a explicar por que razão a banda consegue colocar sintetizadores, arranjos sinfónicos e melodias de inspiração árabe dentro de estruturas de metal sem transformar o conjunto numa simples demonstração de exotismo.
Os singles apresentados antes e depois da edição do álbum ajudaram a definir esse território. “Until the End”, com a participação de Elize Ryd, dos Amaranthe, introduziu uma dimensão melódica particularmente forte, enquanto “The Funeral” aprofundou o lado mais cinematográfico da banda. Já “Soul of My Soul” explorou a vertente mais emocional dos Myrath, antes de “Breathing Near the Roar”, lançado em Fevereiro, acrescentar uma dimensão mais pesada e tensa ao disco. Este último tema aborda isolamento, sobrevivência e a fronteira instável entre verdade e ilusão, com Zaher Zorgati a alternar entre uma interpretação mais vulnerável e momentos de grande intensidade.
O álbum funciona, assim, como uma espécie de território intermédio entre fantasia e realidade. A música continua a ter a dimensão épica que caracteriza os Myrath, mas existe também uma atenção evidente à melodia e à atmosfera. Não é apenas uma questão de juntar instrumentos orientais a guitarras distorcidas: há uma tentativa de fazer com que essas referências participem da própria arquitectura das canções, seja através das linhas melódicas, dos teclados, da percussão ou da forma como Zaher Zorgati conduz a voz entre o metal progressivo e uma tradição vocal mais próxima das suas raízes.
A actual digressão passa por uma série de salas europeias de dimensão semelhante à República da Música antes de continuar por França e Espanha. Depois de Lisboa, os Myrath seguem para Sevilha, Valência e Barcelona, antes de terminarem esta etapa europeia em Lyon, a 28 de Outubro. A data portuguesa surge, portanto, no meio de uma sequência particularmente apertada de concertos, com Madrid no dia anterior e Sevilha no dia seguinte.


Em Lisboa, o concerto está marcado para 22 de Outubro, na República da Música. A abertura de portas está prevista para as 20h00 e o espectáculo começa às 20h30. Os bilhetes têm um preço base de 28 euros (abre bilheteira digital). A noite contará ainda com os Roses of Thieves, banda que cruza metal melódico, elementos progressivos e uma componente atmosférica, funcionando como primeira parte do espectáculo.
