Flotsam and Jetsam

Flotsam and Jetsam, Rats in the Temple em Lisboa 2026

Com abertura dos Speedemon, os Flotsam and Jetsam regressam a Lisboa a 19 de Novembro para apresentar Rats in the Temple, novo álbum dos veteranos do thrash americano, no RCA Club.

Quatro décadas depois de terem ajudado a definir o thrash metal norte-americano, os Flotsam and Jetsam regressam a Lisboa a 19 de Novembro para um concerto no RCA Club. A passagem por Portugal integra a Rats In The Temple Winter Tour 2026, criada em torno do novo álbum da banda, Rats in the Temple, editado a 28 de Agosto pela Napalm Records. A noite contará ainda com os portugueses Speedemon, numa data que coloca no mesmo palco uma das formações históricas do thrash de Phoenix e uma banda nacional ligada à mesma tradição de velocidade e peso.

A história dos Flotsam and Jetsam começou no Arizona no início dos anos 80 e ganhou dimensão internacional com Doomsday for the Deceiver, de 1986, e No Place for Disgrace, de 1988. O primeiro continua particularmente associado à história do thrash por ter contado com Jason Newsted no baixo, antes da sua entrada nos Metallica, mas reduzir a banda a esse episódio seria ignorar uma carreira que se prolonga por dezasseis álbuns de estúdio e atravessou diferentes fases do metal norte-americano.

Depois de uma primeira metade de carreira marcada pela velocidade e pela agressividade do thrash, os Flotsam and Jetsam foram alterando a sua linguagem sem abandonarem completamente a matriz original. Álbuns como Cuatro (1992), Drift (1995) e The Cold (2010) mostram diferentes momentos dessa procura, enquanto a fase iniciada com The End of Chaos (2019), seguida por Blood in the Water (2021) e I Am the Weapon (2024), voltou a colocar a banda numa posição particularmente activa. Rats in the Temple surge precisamente nessa sequência, já sem qualquer necessidade de provar que os Flotsam and Jetsam continuam a ser uma banda de thrash.

O novo álbum é também uma espécie de regresso ao princípio, mas não através da repetição de Doomsday for the Deceiver. São treze temas que mantêm a combinação entre riffs cortantes, guitarras melódicas, bateria rápida e a voz característica de Eric “A.K.” Knutson, mas que incorporam uma produção contemporânea e algumas soluções mais próximas do power metal e do metal melódico. A produção ficou a cargo de Ken Mary, com a própria banda envolvida na produção, enquanto Jacob Hansen tratou da mistura e masterização nos Hansen Studios, na Dinamarca.

A campanha de apresentação do disco começou com “Harvesting the Hate”, tema que abre Rats in the Temple, e prosseguiu com a faixa-título e “The Edge of Nowhere”. São canções que deixam perceber uma banda particularmente interessada em manter o ataque das guitarras sem sacrificar o trabalho melódico que sempre distinguiu os Flotsam and Jetsam de uma parte significativa do thrash da sua geração. “The Edge of Nowhere”, por exemplo, constrói uma tensão progressiva antes de desembocar em “Last Rites”, enquanto “A Taste for War” coloca baixo e bateria no centro de uma composição de carácter assumidamente anti-bélico.

A actual formação mantém Knutson na voz, acompanhado por Michael Gilbert e Steve Conley nas guitarras, Bill Bodily no baixo e Ken Mary na bateria. A presença de Mary é particularmente relevante no novo disco, não apenas pela bateria mas também pelo trabalho de produção e pelas orquestrações. O resultado não é uma tentativa de reproduzir artificialmente o som de 1986: Rats in the Temple procura antes prolongar a identidade dos Flotsam and Jetsam através de uma formação que conhece profundamente aquilo que a banda pode fazer com velocidade, peso e melodia.

Lisboa surge assim numa fase em que os Flotsam and Jetsam têm material novo suficiente para construir um concerto que não dependa exclusivamente da nostalgia. Naturalmente, será difícil imaginar uma actuação da banda sem referências ao período clássico — “Hammerhead”, “Iron Tears”, “She Took an Axe” ou temas de No Place for Disgrace continuam ligados à sua história — mas Rats in the Temple acrescenta uma nova camada ao repertório e dá uma razão concreta para esta passagem pela Europa.

O concerto acontece a 19 de Novembro de 2026 no RCA Club, em Lisboa, com os Speedemon como banda convidada, para apresentar o recente Fall Of Man, discaço apreciado nas páginas da ROMA INVERSA. As portas abrem às 20h00 e o espectáculo começa às 21h00. Os bilhetes têm um preço anunciado de 25 euros.

Leave a Reply