Oblivion Voyage

Oblivion Voyage, No Trilho de Schuldiner

Através da mente da guitarrista e compositora Phoenix van der Weyden, os Oblivion Voyage emergem como um novo projecto de death metal progressivo que combina rigor estrutural, densidade melódica e uma clara herança da linguagem desenvolvida por Chuck Schuldiner, como provam as três malhas que prenunciam o EP de estreia.

Os Oblivion Voyage afirmam-se como um dos projectos emergentes mais promissores do death metal progressivo português, após o lançamento de três singles ao longo de 2025 — “Dagon”, “The Watchers” e “Material Prisons” — que, tudo indica, servirão de base a um EP previsto para 2026. Liderada pela guitarrista e compositora Phoenix van der Weyden a banda apresenta uma abordagem que combina precisão técnica, ambição estrutural e uma forte consciência melódica.

Antes da formação dos Oblivion Voyage, van der Weyden já havia estabelecido um percurso autoral próprio. Em 2018, editou o álbum Defying Destiny (abre link), um trabalho que revelou não apenas a sua proficiência técnica enquanto guitarrista, mas também uma inclinação clara para a composição estruturada e orientada por narrativa musical. Esse registo inicial afirmava uma identidade artística assente no equilíbrio entre virtuosismo e intencionalidade, fomentada por shredders como Eddie Van Halen ou os ases da Shrapnel Records, antecipando os elementos que viriam a definir o seu projecto mais recente.

Natural do Rio de Janeiro, Phoenix viria posteriormente a fixar-se em Coimbra, cidade que se tornou a base de operações dos Oblivion Voyage. Esta deslocação geográfica coincide com uma nova fase criativa, marcada pela transição de um formato predominantemente individual para uma formação completa, permitindo expandir o alcance e a profundidade das suas composições.

As influências assumidas pela banda situam-se na tradição do death metal técnico e progressivo estabelecida por nomes como Death, Cynic, Atheist e Necrophagist. Contudo, os Oblivion Voyage demonstram uma preocupação evidente em desenvolver uma identidade própria, privilegiando coerência composicional e expressividade em detrimento da mera demonstração técnica.

O primeiro sinal concreto dessa nova etapa surgiu com “Dagon”, tema lançado em Julho de 2025. Riffs tecnicamente exigentes, articulação rítmica precisa e uma forte componente melódica que evita a desumanização frequentemente associada ao excesso de complexidade. Mais do que uma introdução, “Dagon” apresenta uma linguagem já plenamente formada. Seguiu-se “The Watchers”, que aprofunda essa direcção estética, evidenciando maior velocidade, alternando momentos de densidade técnica com passagens mais abertas e expressivas, reforçando a coesão musical do projecto – os Death na fase “The Sound Of Perseverance” (abre link).

O terceiro single, “Material Prisons”, lançado no final de 2025, consolida essa trajectória e revela a formação activa da banda. A gravação conta com a participação de David Diefenderfer nos vocalizos, Aleksander Dolgy no baixo e Arnaud Krakowka na bateria, estabelecendo o núcleo interpretativo que acompanha a visão composicional de van der Weyden. O tema foi misturado e masterizado nos Sweep Blast Studios, garantindo um resultado sonoro que preserva clareza e impacto sem comprometer a complexidade estrutural.

Os Oblivion Voyage encontram-se ainda numa fase inicial do seu percurso. No entanto, os sinais são claros: existe uma direcção definida, uma identidade consistente e uma base composicional suficientemente sólida para sustentar desenvolvimento futuro. O EP previsto para 2026, mais do que uma compilação de material existente, será o primeiro verdadeiro teste à capacidade da banda para afirmar uma linguagem própria dentro de um dos subgéneros mais exigentes da música extrema contemporânea.

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