Death

Death, The Sound Of Perseverance

Tecnicamente prodigioso e emocionalmente poderoso, “The Sound Of Perseverance” foi um álbum que transcendeu barreiras musicais e que definiu uma era. A obra-prima dos Death e de Chuck Schuldiner.

“The Sound of Perseverance” foi o último álbum dso Death, lançado originalmente no dia 31 de Agosto de 1998, pela Relapse Records. Apesar das inúmeras mudanças de formação ao longo da sua carreira, o líder visionário da banda, Chuck Schuldiner, permaneceu uma força dinâmica constante. Este álbum, com uma formação totalmente nova, excepto Schuldiner, é amplamente considerado a sua obra-prima.

A habilidade técnica e a paixão dos músicos complementam perfeitamente as vozes electrizantes, o intrincado trabalho de guitarra de Schuldiner e a sua infindável criatividade, mesmo diante da finitude. Os temas do álbum assumem um significado pungente quando se considera a trágica morte de Schuldiner de cancro no cérebro em 2001. De certa forma, “The Sound of Perseverance” parece prenunciar o seu destino, como se ele estivesse a cumprir a sua própria profecia. A música inovadora e influente de Schuldiner solidificou o seu lugar como uma das figuras mais icónicas do metal.

“The Sound of Perseverance” é um álbum único e inovador, enormemente ambicioso e exemplarmente concretizado. De tal modo que parece curto dizer que é um disco de death metal. Será mais correcto dizer que transcende a categorização e é uma obra de musicalidade universal. É um disco anterior ao metalcore, por exemplo, mas prefigura muitos dos seus elementos definidores: vozes ásperas, estruturas de canções complexas e progressões de acordes de inspiração sueca. Podem intuí-lo no som de bandas como Between the Buried and Me ou Dillinger Escape Plan.

A natureza progressiva deste trabalho dos Death é evidente na extensão das músicas e nas composições complexas. Cada malha apresenta melodias e solos memoráveis, evidenciando as excepcionais habilidades de guitarra de Schuldiner – a velocidade, articulação e precisão – e de Shannon Hamm (que transitara dos Control Denied). «”The Sound Of Perseverance” funde o melhor do “Symbolic” de ’95 (valores de produção nítidos, melodias fulgurantes) com o “Human” de ’91 (tecnicidade vertiginosa, finesse rítmica)», referiu a revista Metal Maniacs, na época.

No entanto, o álbum oferece muito mais do que apenas destreza técnica (por obscena que seja). Liricamente, Chuck Schuldiner subiu às alturas dos dilemas filosóficos e, hoje em dia, parece falar connosco do além-túmulo as suas últimas palavras, o que lhes acrescente muito mais peso e significado. Este “The Sound Of Perseverance” é o culminar de tudo o que os Death representaram e procuraram alcançar.

De modo bastante similar ao “Blackstar”, de David Bowie, este último álbum dos Death é uma reflexão sobre a morte, desde as letras, às estruturas das canções e solos emocionais, ao trabalho artístico e interpretativo da capa, tudo se soma e culmina na palavra final de Chuck sobre o enigma da que mais assombra a humanidade. A morte é o pano de fundo, através do qual todas as coisas e todos os seres humanos são medidos e vistos, em relação, retaliação ou aceitação da finitude. This is Death. Isto é a Morte. E dentro e fora dela, esforça-se a vida.