A evocar o SWR, o Dinaamo Barroselas acolhe mais uma descarga de morte e decomposição, celebrando o culto do death metal mais denso, podrido e impiedoso com dois nomes bem alinhados com a estética da Me Saco Un Ojo Records: os Ossuary, liderados pela carismática Isabell Nadia Plunkett, e os catalães Sanctuarium.
Deve ser daquele bagaço vil que destilam por lá. A máquina do SWR Barroselas Metalfest não pára. Este Verão, o fest regressa em formato compacto, mas demolidor, com uma nova série de concertos sob a congregante designação BRUTAZELAS DURANTE TODO O ANO – uma extensão mais íntima, mas igualmente destructiva do culto SWR. Os eventos estão marcados ao longo de 2025, no Dinaamo Barroselas (o SWR Café, como os peregrinos do fest o conhecem) e os cartazes são de carácter obrigatório.
Depois do cartaz encabeçado pelos Defeated Sanity, em Julho, Setembro vem com um cheiro mais pútrido e subterrâneo e o SWR Dinaamo Barroselas acolhe mais uma descarga de morte e decomposição, celebrando o culto do death metal mais denso, podrido e impiedoso com dois nomes bem alinhados com a estética da Me Saco Un Ojo Records — label que, por si só, já funciona como um selo de qualidade para quem anda à caça da imundície mais autêntica do underground extremo.
Directamente do Wisconsin, os Ossuary são uma entidade rara que começou uma one-woman band que se tornou, em pouco tempo, um nome absolutamente incontornável daquele death mais cavernoso. Sob a liderança de Isabell Nadia Plunkett, a banda fez-se ouvir com a demo Cremation Ritual (2015), mas foi com a demo seguinte Supreme Degradation (2019) que o culto explodiu. Com riffs arrastados como procissões fúnebres e uma ambiência que cheira a mofo, ossos e sangue coagulado, Ossuary convoca o espírito de bandas como Incantation, Rippikoulu ou mesmo Asphyx, mas com uma personalidade própria — arcaica, lenta e imersa em misticismo.
Entretanto, Nick Johnson e Matt Jacobs juntaram-se ao culto e Plunkett redimensionou a sua música. Com as malhas criadas em colaboração com Johnson (que empresta a sua batida letárgica à música de Zola Jesus), chegou já em 2025 essa tormentosa besta intitulada Abhorrent Worship que parece inevitavelmente destinada às listas AOTY do género. A de Ossuary ao vivo é escassa e cobiçada.
Por fim, vindo das profundezas de Barcelona, Sanctuarium é um dos nomes mais promissores da nova vaga ibérica de death metal obscuro. Com o EP Into the Mephitic Abyss (2024), a banda cravou-se rapidamente no radar dos iniciados, graças a uma sonoridade espessa, opressiva e orgulhosamente primitiva. Sem espaço para ornamentos, sem interesse em modernices — apenas riffs lúgubres, ambientes cadavéricos e um groove mortuário que ecoa desde os primórdios do underground europeu. No final do ano passado chegou o EP Melted and Decomposed, mais uma pérola para quem procura o death metal (com a letargia do doom) no seu estado mais cru e evocativo.

Evento: fb.com/events/956112423189410. Bilhetes disponíveis para Ossuary e Sanctuarium na plataforma oficial do SWR, em swrfest.bigcartel.com
