Paul Di'Anno

Paul Di’Anno, The Beast [1958-2024]

Em homenagem a Paul Di’Anno [17 de Maio de 1958 – 21 de Outubro de 2024], destacamos cinco álbuns de uma carreira que, para lá dos anos vespertinos dos Iron Maiden, foi bastante rica.

Paul Di’Anno, nascido Paul Andrews a 17 de Maio de 1958, em Chingford, Londres, é mais conhecido como o vocalista original dos Iron Maiden, mas a sua carreira foi muito além dos anos iniciais de inovação com a lendária banda britânica. O seu percurso musical, marcado pela resiliência, reinvenção criativa e desafios pessoais, chegou ao fim ano dia 21 de Outubro de 2024, quando faleceu na sua casa em Salisbury, Inglaterra, aos 66 anos.

Apesar dos seus problemas de saúde nos largos últimos anos, Paul Di’Anno manteve-se activo na música até ao fim, actuando em mais de 100 concertos desde 2023.

The Beast

Di’Anno é uma das grandes figuras da história do heavy metal. Na sua autobiografia de 2002, “The Beast”, revela as histórias incríveis da sua vida na estrada, incluindo a noite em que disparou com uma espingarda contra os pneus de um motoeista e a verdade sobre a sua detenção por porte de uma metralhadora de mão. A sua história é, singularmente e como tantas outras, uma história de drogas, armas, álcool; de longos períodos de prisão numa penitenciária federal dos EUA; e, claro, do seu tempo à frente de uma das maiores bandas de todos os tempos: os Iron Maiden.

As bravatas de Paul fora do palco são ainda mais impressionantes do que o seu comportamento em palco, fazendo com que os Led Zeppelin pareçam um bando de raparigas de convento. Viveu uma vida na linha ténue da lei e lutou contra a toxicodependência desenfreada, desde as alturas da fama mundial até ao poço da falência e além. “The Beast” é um olhar sobre os tempos sombrios e perturbadores de um homem que passou toda a sua vida a cortejar os seus demónios. Infelizmente, esses demónios parecem ter sempre levado a melhor.

Se gostam de ler sobre a devassidão e as escapadelas sexuais ultrajantes das rockstars, quanto mais exageradas melhor e, nesse aspecto, “The Beast” vale cada palavra lida. Paul Di’Anno sempre foi um tipo divertido, apesar de sempre ter tido um lado algo bruto. Um tipo sempre pronto para uma luta de facas num tasco mal-frequentado. Dizemo-lo como um elogio!

A formação mais sexy dos Iron Maiden foi durante a sua era enquanto frontman e, apesar de não serem expostos muitos episódios sobre os outros membros, há algumas histórias memoráveis e divertidas sobre Steve Harris e Dave Murray que envolvem sobrancelhas, um vestido de noiva, equipamento de gravação japonês, uma prostituta francesa e uma necessidade urgente de usar a casa de banho.

Up The Irons

A entrada de Paul Di’Anno na cena do heavy metal começou na vanguarda do movimento New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM). Juntando-se aos Iron Maiden em 1978, o estilo vocal cru e corajoso de Di’Anno desempenhou um papel fundamental na definição do som inicial da banda. Mais punk e visceral e menos épico e melódico. O seu trabalho nos dois primeiros álbuns, Iron Maiden (1980) e Killers (1981), abriu as veredas para a ascensão da banda à fama.

Os seus vocalizos agressivos em malhas como “Running Free”, “Phantom of the Opera” ou “Wrathchild” ajudaram a solidificar o lugar dos Iron Maiden no panteão do heavy metal. No entanto, a sua permanência na banda foi interrompida devido a problemas pessoais, incluindo as suas lutas contra o álcool e as drogas, que afectaram o seu desempenho e levaram a tensões no seio do grupo. Paul Di’Anno deixou a banda depois de uma actuação em Setembro de 1981, precisamente quando o brilho estelar dos Iron Maiden começava a firmar-se.

Heartuser

Em 1983, Paul Di’Anno embarcou numa carreira a solo e formou várias bandas, cada uma reflectindo diferentes facetas das suas influências musicais e estilo. Embora nenhum destes projectos tenha atingido o nível comercial dos seus dias de Maiden, continuam a ser partes essenciais do seu legado. Em jeito de homenagem, elegemos os mais superlativos…

Di’Anno (1984) | O primeiro grande esforço de Paul Di’Anno pós-Maiden foi a banda homónima, Di’Anno. Este grupo, embora de curta duração, marcou um afastamento das suas raízes NWOBHM e abraçou um som de rock melódico mais americanizado, uma mistura de hard rock e metal melódico, mostrando a tentativa de Di’Anno de se libertar da sua persona dos Iron Maiden.

Aliás, Paul Di’Anno recusou-se notoriamente a tocar malhas dos Maiden, para desencanto dos fãs. As covers frequentemente tocadas eram a versão dos Van Halen de “You Really Got Me” (original dos Kinks) e “Please Don’t Le me Be Misunderstood”. O álbum tem uma ingenuidade que hoje exerce enorme fascínio revivalista e torna o disco irresistível. “Heartuser” é uma pérola esquecida, entre uma autêntica colecção de preciosidades!

★★★★★

Fighting Back (1986) & Children Of Madness (1987) | A próxima grande aventura de Paul Di’Anno foi nos Battlezone, um projecto de heavy metal mais tradicional formado em 1985. O álbum de estreia da banda, Fighting Back (1986), recebeu elogios pelas suas faixas de alta energia e tornou a mostrar a voz mais agressiva de Di’Anno.

O álbum seguinte, “Children of Madness” começou a revelar fissuras, das tensões internas e mudanças na formação que fizeram com que a banda se separasse em 1989. Ainda assim, essa tensão traduz-se numa certa urgência no som, com as composições mais refinadas. “I Don’t Wanna Know” é o poder! Os Battlezon reuniram-se brevemente em 1998, para gravar um terceiro álbum, “Feel My Pain”. Detenham a vossa atenção nos dois primeiros.

★★★★★

Murder One (1992) & Menace To Society (1994) | No início da década de 1990, Paul Di’Anno formou o Killers, uma banda que recebeu o nome do segundo álbum do Iron Maiden em que ele participou. Em retospectiva, talvez não tenha sido uma decisão inocente. Os Maiden estavam debaixo de fogo depois da introdução de sintetização e de uma carga ainda mais melódica em álbuns como Seventh Son of a Seventh Son (1988), No Prayer for the Dying (1990) e Fear of the Dark (1992).

Com os Killers, Di’Anno regressou a um som mais próximo das suas raízes NWOBHM, e lançaram álbuns como Murder One (1992) e Menace to Society (1994). Embora os discos não tenham sido bem sucedidos comercialmente, eles agradarão à ala mais hardcore dos fãs de Maiden. Ambos notavelmente ferozes e carregados de riffs afiados como facas, o primeiro explora temas líricos mais sombrios, enquanto o segundo reflecte a raiva e as frustrações da vida e da carreira de Paul Di’Anno na altura.