Os Converge vão tornar a mostrar o seu díptico Love Is Not Enough/Hum Of Hurt em Portugal. A banda norte-americana integra um alinhamento de 55 artistas no Primavera Sound Porto que inclui Fontaines D.C., FKA twigs, Dinosaur Jr., Hayley Williams, CHVRCHES e The Chemical Brothers. A 14.ª edição do festival decorre de 10 a 13 de Junho, no Parque da Cidade.
O Primavera Sound Porto revelou o cartaz da edição de 2027 e, entre os 55 nomes anunciados, há uma confirmação que merece atenção particular dos ouvintes mais próximos das margens extremas do rock: os Converge. A presença da banda de Massachusetts introduz no alinhamento uma das expressões mais intensas e influentes do hardcore contemporâneo, num programa que procura aproximar universos musicais bastante distintos. O festival regressa ao Parque da Cidade entre 10 e 13 de Junho, para a sua 14.ª edição.
A escolha dos Converge é especialmente interessante num cartaz dominado, nos lugares de maior destaque, por nomes da pop, da electrónica e do rock alternativo. Fontaines D.C., Hayley Williams, FKA twigs, The Chemical Brothers, Lola Young e beabadoobee surgem entre os principais destaques, acompanhados por artistas como Tinashe, Kim Petras, Metronomy, Wilco, underscores e Christine and the Queens. A diversidade não é, neste caso, apenas uma fórmula promocional: o alinhamento inclui propostas que raramente partilham o mesmo contexto de festival, criando possibilidades de descoberta e de confronto entre públicos.
Para quem acompanha a história do hardcore, a presença dos Converge tem um peso que ultrapassa a simples representação de um género. Formados em Salem, Massachusetts, em 1990, os norte-americanos construíram uma identidade que levou o hardcore punk a territórios de maior complexidade rítmica, dissonância e experimentação. A música da banda nunca dependeu apenas da velocidade ou da agressividade: a tensão entre a precisão instrumental, a instabilidade das estruturas e a intensidade vocal de Jacob Bannon tornou-se uma linguagem própria.
Jane Doe, editado em 2001, permanece como uma das obras fundamentais dessa evolução. O álbum levou a banda a um novo patamar de reconhecimento e ajudou a consolidar uma linguagem que viria a influenciar gerações de músicos ligados ao metalcore, ao mathcore e às formas mais experimentais do hardcore. Trabalhos posteriores, como Axe to Fall e All We Love We Leave Behind, demonstraram que a intensidade dos Converge não dependia de uma fórmula fechada. A banda continuou a explorar diferentes relações entre peso, dissonância, melodia e dinâmica, sem perder a identidade que a distingue desde os primeiros anos.
A confirmação no Primavera Sound Porto surge depois de um ano particularmente produtivo para os Converge, que editaram dois álbuns de estúdio em 2026. Love Is Not Enough, lançado a 13 de Fevereiro, foi o primeiro disco de originais da banda sem colaboradores externos desde The Dusk In Us (2017).
Décimo primeiro álbum de uma carreira que já ultrapassa três décadas, reafirma a combinação de hardcore, metal e violência rítmica que tornou o grupo uma referência incontornável, mas fá-lo com uma concentração invulgar: Jacob Bannon, Kurt Ballou, Nate Newton e Ben Koller condensam a turbulência emocional e a angústia do presente numa sucessão de temas incisivos, sem espaço para ornamentação ou complacência.
A 5 de Junho chegou Hum Of Hurt, construído a partir do mesmo período de composição e das sessões de gravação do álbum anterior, mas com identidade própria. A ideia nasceu do fenómeno conhecido como The Hum, um ruído persistente de baixa frequência cuja origem permanece por explicar, que Jacob Bannon imaginou como manifestação audível do sofrimento acumulado da humanidade.
Musicalmente, o disco desloca o centro de gravidade dos Converge: se Love Is Not Enough se inclinava mais para o metal, Hum Of Hurt aproxima-se de um hardcore emocional, mais exposto e visceral, com uma inclinação para o noise rock. Bannon fez questão de afastar a ideia de uma sequela: os dois trabalhos são declarações autónomas, nascidas de uma abundância de material que a banda decidiu não comprimir num único álbum.
A sua edição no mesmo ano permite, assim, perceber duas faces complementares de uma banda que continua a encontrar novas formas de trabalhar a tensão e a intensidade. Nesta sequência, Os Converge passaram em Lisboa no Verão passado, no festival EVIL LIVE, onde não deixaram pedra sobre pedra.
A sua inclusão no Primavera Sound ganha, por isso, uma dimensão particular. Num festival que reúne artistas de universos tão diferentes, os Converge representam uma concepção de música ao vivo em que a entrega física e a exigência musical não são elementos separados. Será uma oportunidade para os ver num contexto de grande dimensão, perante um público que poderá incluir tanto seguidores de longa data como espectadores que ainda não tiveram contacto com a sua obra.
O cartaz inclui outros nomes relevantes para os públicos ligados às guitarras. Os Dinosaur Jr. regressam com a sua combinação característica de distorção, melodias e solos expansivos; os DIIV trazem o seu universo de shoegaze e rock alternativo; os Don Caballero representam uma referência importante do math rock instrumental.
English Teacher, Friko, Gurriers, Maruja, Westside Cowboy e Bonnie “Prince” Billy alargam ainda mais o espectro de propostas ligadas à música independente. Os CHVRCHES estarão a mostrar álbum novo: All The King’s Men chega ao Janeiro de 2027.
Primavera Portuguesa
A edição de 2027 do Primavera Sound Porto volta também a reservar espaço significativo à música portuguesa. Clã, Branko, Cassete Pirata, 800 Gondomar, A Sul, Bia Soull, Mães Solteiras, MAQUINA. e PZ estão entre os projectos nacionais anunciados. A presença de artistas brasileiros e latino-americanos, como Marina Sena, Akriila e Santiago Motorizado, reforça a dimensão transatlântica do programa. O festival terá três dias principais de concertos e uma festa electrónica de encerramento, no domingo, com Josh Baker, Cloonee, Carlita e Trikk.
Os passes gerais para os quatro dias já estão à venda pelo preço de 190 euros (segue link), acrescido de taxas. Existe também um passe VIP, por 300 euros, igualmente sujeito a taxas. Os bilhetes diários serão disponibilizados na hiperligação sugerida e nos locais habituais.

