O fim de uma era! O guru da amplificação e fundador da Mesa/Boogie, Randall Smith deixou a empresa que a Gibson adquiriu em 2021. As explicações não são categóricas…
A Gibson anunciou que Randall Smith, fundador da Mesa/Boogie e lenda do design de amplificadores de guitarra, deixou a empresa. Numa declaração (algo cáustica, se nos perguntarem), a Gibson, que adquiriu a Mesa/Boogie no final de 2021, afirmou que iria «continuar a celebrar o legado» de Smith, que passou os últimos 55 anos da sua vida a ultrapassar os limites do design de amplificadores.
Por estes dias, circulam rumores na Internet de que Randall Smith terá sido despedido ou que se reformou. A Gibson não explicou as razões por detrás da sua saída, mas Doug West, diretor de I&D da Mesa/Boogie, afirmou que a empresa se tinha preparado para isto: «Todos nós falámos sobre este dia e preparámo-nos para ele de muitas formas ao longo dos anos, mas Randall Smith é uma ‘força da natureza’, e não podíamos imaginar que se concretizasse».
«Agora, reflicto sobre o facto de que poucos neste mundo têm a oportunidade de serem orientados, treinados para a excelência e para darem o seu melhor de forma consistente e pessoal da forma como a nossa equipa de design, e todos aqui na Mesa/Boogie, o fizeram sob a sua tutela», conclui West.
A Mudança
Em 2021, a Gibson e a Mesa/Boogie confirmaram oficialmente que a gigante marca de guitarras comprou a icónica marca de amplificadores. JC Curleigh, Presidente e CEO da Gibson, referiu-se à fusão: «Na Gibson, procuramos estar à altura do nosso passado marcante e inclinamo-nos para um futuro inovador, numa busca que foi iniciada há mais de 100 anos, com o nosso fundador Orville Gibson. Agora, essa busca prossegue com a junção da Mesa/Boogie à família Gibson Brands, incluindo a liderança visionária da Randy Smith e da sua equipa que, nos últimos 50 anos, tem criado uma marca icónica e inovadora que resistiu ao teste do tempo. É uma parceria perfeita, baseada nas nossas experiências profissionais colectivas e numa paixão por som».
No mesmo press release chegado às redacções surgia também um testemunho de Randall Smith. O engenheiro fundou a Mesa/Boogie na sua própria oficina, começando por modificar amplificadores Fender e lentamente estabelecendo a sua tremenda reputação como um dos pionieros no universo dos amps boutique.
Nos anos 70, a Mesa/Boogie já surgia em vários rigs ilustres e nos 80 já tinha uma reputação extraordinária, para a qual foram decisivos os amps Rectifier. Sobre a fusão com a Gibson, na altura, Randall Smith disse: «Conto 75 anos e ainda trabalho todos os dias. Esta é a minha arte e muita da nossa equipa trabalha junta há uns 30 ou 40 anos. Na forma como vimos o JC e o Cesar [Gueikian] transformar a Gibson, reconhecemos almas gémeas com valores comuns e uma intransigente dedicação à qualidade».
Legado
Seja qual for o próximo passo de Randall Smith, o seu nome será para sempre sinónimo de amplificadores de guitarra topo de gama. Ele começou a fazer reparações de amplificadores em Mill Valley, Califórnia, em 1969. Ao fazer um “hotrodding” aos amplificadores valvulados da Fender, encontrou um novo som que rapidamente chamou a atenção dos guitarristas da altura, sendo o mais famoso Carlos Santana. De acordo com a lenda, foi Santana quem inspirou o nome da empresa ao ouvir um dos amplificadores de Smith e declarar que tinha um grande “boogie”.
Keith Richards foi outro dos primeiros a adoptar estes amps. A sua combinação Mesa/Boogie, que seria designada Mark I aquando do lançamento da Mark II, ficaria conhecida como El Macombo Boogie depois de a ter usado na lendária passagem de duas noites dos Rolling Stones pelo El Macombo de Toronto, em 1977. De acordo com o livro de Dave Hunter de 2012, Amped: The Illustrated History of the World’s Greatest Amplifiers, Richards tinha tocado no amp de Santana e os Stones imploraram a Smith que lhes enviasse alguns de graça. Smith disse que não.
Os seus amplificadores construídos à mão eram muito procurados. Richards teria que pagar, e Randall Smith argumentou com o guitarrista dos Stones que se ele não gostasse, muitas pessoas teriam prazer em tirar-lhos das mãos. Não havia perigo disso, disse Richards, que tinha tocado o de Santana e que não tinha gostado apenas. Tinha adorado e queria seis deles.

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