Uma extravagância demencial de thrash, doom, d-beat e black metal. Revemos os destaques do calendário editorial da label indie portuguesa Selvajaria Records nos primeiros meses de 2026.
A Selvajaria Records tem-nos inundado a inbox com notificações de novos lançamentos discográficos. A brutalidade sónica e a pertinência musical tem-se revelado inexcedível e ultrapassado a nossa capacidade (reduzida, admita-se) de escrever sobre as mesmas. Todavia, antes que estes discos apodreçam na nossa caixa de correio e o cheiro se aproxime ao que é emanado pelas sandálias de guerra do Big Boss da Selvajaria Records (nauseabundo, admita-se), deixamos os destaques dos lançamentos até Julho de 2026…
Desde La Rioja, Logroño, Norte de Espanha, surgem os Kverna na fase obscura pré-história pandémica. Já com um passado musical de outras bandas como Nitrako e Depinfango (Jarry, guitarra), Tripaluim e Armario Empotrado (Meri, vocalista) Puerta Caída e Acumulo Despropósitos (Papi, bateria) Navajazo en el Bazo e Beat Blues División (César, baixo) e ainda Tiranë e Superfly Band (Papi y César), os músicos juntam-se para sacar sonoridades que não vais encontrar muito por aí, um mix de sludge e stoner com d-beat.
As composições iniciais começam em 2020, mas é em 2022 que se estreiam em estúdio com o EP Craternario e ao vivo no aniversário do Squat Villatruño da sua cidade natal, Logroño. A banda concentra-se nas actuações ao vivo nos anos seguintes por La Rioja, Euskadi, Burgos, Cantabria ou Aragão. Em 2025, cruza fronteiras pela primeira vez com duas datas em Braga e Lisboa.
A Selvajaria Records detalha: primeiro surge o nome Kverna, com a ideia de raíz de que a humanidade está de volta às cavernas, seres primitivos como numa Idade da Pedra mítica e que o mundo experiencia um reset através de um meteorito. É daqui que a banda pega no conceito de ter dinossauros na sua imagem, onde há a ideia de uma reconstrução da Terra, os dinossauros voltariam a povoar o planeta e participam na extinção final da raça humana. Assim se pode ver um humano nas presas da cauda do dinossauro (na capa), uma revolta que a natureza tem e que se revela contra o humano.
Chiflodocus teve edição Selvajaria Records no dia 31 de Julho de 2026.
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Um lançamento menos usual na Selvajaria Records. No silêncio entre o peso e a melancolia, Alkimista regressou com um novo capítulo profundamente introspectivo e emocional. Projecto português conduzido por Pedro Serpa, Alkimista continua a afirmar-se como uma visão singular dentro do death/doom nacional — totalmente cantado em português é uma expressão artística marcada pela solidão criativa, pela contemplação existencial e pela transformação da dor em atmosfera sonora.
Mantendo a essência que define o projecto, a Selvajaria Records e a Prophetical Productions editaram Contraste a 29 de Maio de 2026. O 4.o álbum de Alkimista é um disco que mergulha numa viagem densa entre riffs arrastados, ambientes etéreos e melodias melancólicas. A componente doom/death permanece como fundação, mas expande-se agora para territórios ainda mais atmosféricos e emocionais, onde o peso convive com momentos de fragilidade, silêncio e reflexão, ousando ainda aproximar-se das profundezas do Funeral Doom, mas profundamente enraizado numa sensibilidade portuguesa feita de saudade.
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Das profundezas do underground de Istanbul, Hazardous surge com um álbum de estreia feroz que canaliza o espírito cru da velha guarda thrash metal numa investida moderna e implacável. Lançado pela Selvajaria Records a 3 de Abril de 2026, este primeiro longa-duração é uma descarga contínua de velocidade, agressividade e caos. Com influências evidentes de nomes como Demolition Hammer, Power Trip, Slayer e Nuclear Assault, os Hazardous apresentam riffs cortantes, bateria devastadora, voz completamente insana e a intensidade old-school.
Nas letras, o álbum mergulha num universo alimentado pela caves bafientas com cassetes VHS dos filmes de culto de terror dos anos 80 e pelo caos dos videojogos arcade — uma fusão distorcida de nostalgia e violência que encaixa perfeitamente na brutalidade sonora da banda. Os Hazardous não vieram reinventar o thrash — vieram afiá-lo, transformá-lo numa arma e libertá-lo sem piedade. ULTRA-RECOMENDADO!
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Composta pelos portugueses Nuno Santos na bateria (Amputate), Roberto Raposo na voz (Sortilege) e o Hugo Conim (Dawnrider, entre outos duzentos projectos e bandas) e ainda pelo baterista suiço Phillip Stengele (ex-Amputate), Sadistik Warfare é uma ode ao thrash germânico dos 80s. A demo estreada de 2024, lançada unicamente em cassete – rapidamente esgotou a limitada edição de 99 cópias – mostrou ao mundo as marcas de Destruction, Protector, Necronomicon, Deathrow, Angel Dust, Iron Angel.
A 20 de Março de 2026, a Selvajaria Records editou o álbum Raised in Violence: 9 malhas novas, 9 cilindros de riffs destruidores e sem o mínimo compromisso com a rajada sónica descarregada na demo. A loucura vertiginosa do filme de 1986 Thrashin’ são uma referência insana nos dois registos, primeiro na demo com a cover de Circle Jerks, “Wild in the Streets”, e no álbum as covers de Rebel Faction, “Burnin’ For You” e FEAR, “Hey”. Também se fazem sentir influências do hardcore dos anos 80 através da letra da música que dá o título do álbum inspirada pelo livro sobre o vocalista dos Cro Mags, Harley Flanagan, Hard Core: Life of My Own.
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Os Fatal Exposure detonam o Hemisféro Norte com Bikini Atoll Broadcast, um álbum de estreia DEVASTADOR como terra queimada — um ataque d-beat de pura fúria radioactiva. Forjado nos escombros da decadência global, este disco (edição Selvajaria Records de 13 de Fevereiro de 2026) é um bombardeamento implacável de riffs mergulhados em ácido, ataques táticos de sintetizador e pânico rítmico de tambores de guerra. Um tributo irradiado a Disclose, GISM, Anti-Cimex, Carnivore e Motörhead. Uma banda sonora para a última transmissão da humanidade.
«Um inferno D-Beat catastrófico, forjado na paranóia nuclear, alucinações de um mundo moribundo e pesadelos alimentados por chuva ácida radioativa. Marcha rumo ao esquecimento — a guerra começa agora!» – Vance Pearl, The Apocalyptic Times. Outro título Selvajaria Records ULTRA RECOMENDADO!
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Os Catachrest juntaram-se em Malmö, Suécia, no ano de 2020, quando Åsa (guitarra/voz) e Andreas (baixo) começaram a falar sobre tocar metal Lo-Fi juntos. A formação foi completada quando encontraram Selle para a bateria e passaram a orquestrar black thrash metal primitivo com influências da antiga cena teutónica do thrash, black thrash norueguês e crust sueco.
O álbum de estreia é composto em duas partes: as primeiras quatro malhas são do EP Target of Distortion e as últimas quatro são da demo Ruiner, remisturada e gravada com guitarras adicionais em 2025. Portanto, uma compilação com tudo o que a banda gravou até agora. E é daí que vem o título do álbum, uma mistura entre os títulos dos dois últimos lançamentos.
Oito malhas monstruosas de metal cru, rápido e sombrio, com muita variação entre momentos mais lentos e batidas aceleradas com vocais abrasivos, que por vezes fazem lembrar a fase mais vespeetina de Bathory. As partes de guitarra dissonantes e abrasivas evocam os inícios de Voivod, uma profusão de texturas em quase 30 minutos para os fãs de grindcore old school, crust, punk, hardcore sueco, thrash teutónico dos anos 80 e black metal da segunda vaga.
Target of Ruin teve edição Selvajaria Records no dia 30 de Janeiro de 2026.
Os textos são, maioritariamente, adaptados dos press releases da Selvajaria Records.
