SWR 26

SWR 26, Perdidos no Mundo Crepuscular com Century

É uma tendência felizmente crescente em Barroselas e este ano não foi excepção. Os Century trouxeram ao SWR 26 uma tempestade de heavy metal tradicional, guitarras gémeas e energia imparável no palco Arena.

Já na recta final do segundo dia de SWR Barroselas Metalfest, o palco Arena respondeu ao chamamento clássico do aço. Depois de horas mergulhado em várias formas de caos extremo, o festival abriu espaço para outro tipo de violência — mais veloz, mais luminosa, construída sobre guitarras gémeas, refrães cerrados e a fé inabalável de que o heavy metal tradicional continua muito longe de precisar de ressurreição. Os Century chegaram a ao SWR 26 exactamente com essa missão: lembrar toda a gente de que o metal à moda antiga ainda sabe morder.

Vindos da Suécia, os Century empunham sem vergonha a herança da NWOBHM, do speed metal pioneiro e da velha escola europeia de riffs galopantes e solos afiados. Mas o mais impressionante é precisamente o facto de não soarem presos ao passado. Há demasiadas bandas actualmente interessadas em reproduzir estética vintage como exercício de cosplay musical; os Century, pelo contrário, tocam como quem acredita genuinamente que este som ainda pertence ao presente. E no SWR 26 isso tornou-se imediatamente evidente.

Desde a introdução sinfónica e “Sacrifice”, o concerto no palco Arena foi construído com devidos floreados: velocidade, ataque e canções desenhadas para impacto imediato. Tudo ali parecia orientado para movimento — cabeças em constante agitação, punhos erguidos e um público que rapidamente entrou na lógica quase ritual do heavy metal clássico: responder ao riff, seguir o ritmo, celebrar colectivamente cada mudança de andamento e cada solo disparado para o ar nocturno de Barroselas.

Grande parte dessa força vem naturalmente de Sign Of The Storm (2025), um disco que confirmou os Century como uma das bandas mais interessantes da nova vaga tradicionalista europeia. todavia, talvez cientes da natureza mais inóspita do festival, também esteve em destaque o mais áspero álbum de estreia, Conquest Of Time (2023).

Há ali amor verdadeiro pelas fundações do género, mas também agressividade suficiente para impedir que a coisa se transforme em exercício nostálgico. As músicas vivem de tensão e urgência: baterias imparáveis, harmonias de guitarra cheias de músculo e refrães concebidos para ecoar imediatamente entre cervejas derramadas e gargantas destruídas.

Ao vivo, percebeu-se no SWR 26, essa energia ganha necessariamente outra dimensão. Os Century despem um ouco os temas e não complicam o que não precisa de complicação. Não há cinismo pós-moderno, nem distância irónica. Apenas heavy metal tocado com convicção absoluta, como se ainda estivéssemos numa realidade paralela onde 1983 nunca terminou e cada riff pudesse efectivamente mudar o estado do mundo, prevalecendo códigos de cavalaria anacrónicos, durante quatro minutos.

E talvez seja exactamente isso que tornou o concerto do SWR 26 tão eficaz. No meio de tanta música extrema contemporânea obcecada com dissonância, abstracção e desconstrução, os Century apareceram em Barroselas para recordar uma verdade muito simples: um grande riff e um refrão dado a ares épicos continuam a ser uma arma perigosíssima.

No player em baixo, a partir dos 6:35:40, podem recordar o concerto no SWR 26, cuja setlist foi: Sacrifice; Children of the Past; Neon Warrior; Master of Hell; Stronghold; Distant Mirror; Possessed by the Night; Caught In A Spell; Black Revenant; Sinister Star; The Fighting Eagle; Nosferatu.

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