“Christmastide” é o charmoso EP natalício de Tori Amos de 2020. O trabalho inclui quatro temas aos quais importa associar à magnífica reinterpretação de “Star Of Wonder”.
Depois dos anos na Deutsche Grammophon, em 2020, no dia 4 de Dezembro, a Decca editou “Christmastide”, EP dedicado ao Natal, que Tori Amos gravou com o baterista Matt Chamberlain e o baixista Jon Evans. Naturalmente é a compositora que assume o piano e a voz.
Sobre o disco, lançado num Natal atípico, devido à pandemia Covid, Tori Amor partilhou: «Em ‘Christmastide’ era importante ser positivo e tentar animar o espírito das pessoas. É uma altura do ano que deve ser alegre, junto da família e dos amigos, mas que também pode ser, infelizmente, uma época de muita solidão para muitos. Muitas famílias não se poderão reunir este ano devido à pandemia, tal como muitas estão a enfrentar as consequências de um longo e amargo processo eleitoral nos Estados Unidos. Espero que as canções contidas neste belo pacote possam, de alguma forma, auxiliar-vos».
Em “Christmastide”, o grande destaque é a deslumbrante canção “Circle Of Seasons”, logo seguida de “Better Angels”. Nesses momentos somos embalados por esses imensos raios de luz que são as progressões melódicas de Tori Amos e pela contrastante densidade rítmica. Neste EP recordamos uma vez mais uma elegância que Tori Amos patenteia, sempre num fluxo aparentemente sem esforço, com uma suavidade de veludo, e ainda o gosto da extraordinária artista pelas canções natalícias, se nos recordarmos de uma das suas mais bem conseguidas versões, “Star Of Wonder”.
Gold Dust
“Gold Dust” foi um álbum simples para Tori Amos. Pegando na sofisticação orquestral de “Night of Hunters”, bastou à diva ligeiros ajustes às já de si sofisticadas composições originais regravadas para este álbum. Se este disco tem sido pensado como um concerto ao vivo, com a cantora ao piano e a orquestra como fundo, seria verdadeiramente memorável (como de resto, se percebe pela aclamação dos ‘media’ e público à respectiva digressão).
Não se pode negar a capacidade de sedução da voz de Tori Amos e a sua eficácia emocional enquanto pianista, da mesma forma que a orquestra expande essa mesma emotividade. Mas, na verdade, nunca chegamos a ser surpreendidos com os arranjos orquestrais. Essa é a pior sensação que se podia ter com um registo de Tori Amos: que uma das maiores compositoras do rock alternativo das últimas três décadas estivesse a tornar-se indulgente. Não é o conceito do disco que o salva, é a espantosa colecção de canções que o compõe. Uma acima de todas…
A versão que Tori Amos faz do hino do clérigo norte-americano John Henry Hopkins Jr., “Star Of Wonder”, é parte do álbum natalício que a pianista editou em 2009, intitulado “Midwinter Graces”. É o ponto mais alto desse trabalho, tal como o é a sua versão rearranjada para “Gold Dust”. Eis a canção nessas duas formas e ainda na visceral interpretação de Amos a solo.
