Under The Doom

Under The Doom 2026, A Musa e os Evoken

Promovendo a estreia dos sacrossantos Evoken em Portugal, a apresentação de um novo álbum de Liv Kristine, além de uma mão cheia de propostas nacionais e internacionais, o primeiro anúncio do Under The Doom 2026 prenuncia um evento histórico para os amantes música pesada atmosférica.

Nos dias 25 e 26 de Setembro de 2026, o LAV – Lisboa Ao Vivo vai tornar-se novamente no epicentro dos territórios mais densos e atmosféricos da música pesada com a 10.ª edição do Under The Doom. Já não se trata apenas de um festival: é um ritual de imersão, um espaço onde a lentidão e a densidade sonora se transformam em experiências quase físicas, e onde cada riff, cada arrastamento de bateria e cada gemido vocal reverbera como se testasse a resistência emocional do público.

A primeira vaga de confirmações apresenta uma combinação de retornos aguardados, estreias absolutas e nomes históricos do doom extremo, garantindo que a reputação do Under The Doom (abre link) como ponto de paragem obrigatório se mantém intacta. Mas há duas presenças que, sozinhas, já justificariam o bilhete: os norte-americanos Evoken, em estreia absoluta em Portugal, e a lendária Liv Kristine, regressando aos palcos com nova banda e novo álbum.

O Abismo

Para qualquer adepto do funeral doom, o anúncio dos Evoken no cartaz do Under The Doom 2026 não é apenas notícia: é evento de culto. Formados em Yonkers, Nova Iorque, no final dos anos 1980, e extraindo o seu nome a uma malha dos míticos Thergothon, os Evoken consolidaram-se como um dos pilares absolutos do funeral doom, um subgénero onde a lentidão e a densidade não são efeitos, mas filosofia.

A discografia da banda é um percurso de consistência obsessiva e refinamento atmosférico. Álbuns como Embrace the Emptiness (1998) e Quietus (2001) ajudaram a definir a linguagem do funeral doom, mesclando riffs arrastados, vocais cavernosos e arranjos que lembram paisagens devastadas. Em Antithesis of Light (2005) e A Caress of the Void (2007), a banda aprofundou a construção de atmosferas densas, quase cinematográficas, que exigem atenção total do ouvinte, e nos álbuns mais recentes, Hypnagogia (2018) e Mendacium (2025), mantêm a reputação de arquitectos da melancolia sonora e simultaneamente titãs capazes de devastar essa arquitectura.

Um detalhe que não pode ser ignorado é a colaboração consistente com Ron “Bumblefoot” Thal, atrás da consola e como produtor conseguiu capturar a essência dos Evoken em estúdio: cada nota, cada pausa, cada eco, é meticulosamente trabalhada para que a sensação de peso e claustrofobia sonora chegue intacta aos ouvidos do público. É quase a antítese do perfil de Thal enquanto intérprete, onde se manifesta como um dos mais vibrantes shredders contemporâneos.

De volta ao Under The Doom, a estreia dos Evoken em Portugal representa mais do que um concerto: é a tradução ao vivo de décadas de tradição hermética do funeral doom, algo que os fãs aguardam com reverência. A presença dos Evoken no Under The Doom 2026 é um momento de referência histórica, capaz de transformar cada sombra e cada silêncio em parte de um ritual colectivo. Quem conhece a banda sabe que se prepara para uma experiência de imersão total, onde o tempo se dilata e a música se torna quase tangível.

O impacto da banda no género é profundo: eles conseguiram manter integridade artística em décadas de mudanças na cena doom, resistindo a modismos, mantendo a densidade sonora como marca registada. Cada álbum é um testemunho de paciência, horror e beleza — elementos que convergem para a atmosfera ritualística que apenas o funeral doom pode oferecer. No contexto do Under The Doom 2026 , os Evoken não vêm apenas tocar: vêm personificar o festival, mostrando por que o funeral doom continua a ser um território musical de culto e obsessão.

Ecos de Tragédia

Se os Evoken são o ritual do funeral doom, Liv Kristine é a encarnação do gótico e atmosférico no Under The Doom. Lendária pela sua carreira que atravessa décadas, desde o Theatre of Tragedy até aos projectos a solo, Liv Kristine regressa a Lisboa acompanhada por nova banda e novo álbum, reforçando a sua relevância contínua no panorama da música pesada e atmosférica.

Liv Kristine começou a chamar a atenção mundial com o homónimo álbum de estreia dos Theatre of Tragedy, em 1995, que rapidamente se tornou um marco do doom/gothic metal. Combinando vocalizos femininos etéreos e graves masculinos guturais, o disco introduziu o conceito de “beauty and the beast vocals”, agora clássico no género, mas então inovador. Cada canção era marcada por contrastes dramáticos: atmosferas sombrias, riffs pesados e melodias que flutuavam entre o encanto e o terror, estabelecendo uma estética sonora que ainda hoje influencia centenas de bandas.

Liv Kristine não era apenas o soprano do álbum; era o coração etéreo que dava vida à tensão dramática do disco. Transformava canções em pequenas narrativas góticas, carregadas de melancolia e teatralidade, e estabeleceu-a como uma referência incontornável para quem aprecia a fusão do metal extremo com a atmosfera romântica e sombria. Esse início moldou o que seria a sua carreira solo.

O seu percurso é marcado por uma habilidade rara: integrar teatralidade, melodia e peso sem nunca perder autenticidade. A sua voz etérea e cristalina, muitas vezes contrastando com riffs densos e baterias pesadas, cria uma tensão única, capaz de transformar uma simples música numa narrativa emocional profunda. O Under The Doom 2026 não será excepção: espera-se que Liv Kristine leve o público através de um repertório que mistura clássicos e material recente, oferecendo momentos de grande densidade dramática, emocional e sonora. A nova banda e o álbum recente prometem refrescar a experiência ao vivo, mas mantendo a assinatura vocal e estética que tornaram Liv Kristine inesquecível.

Intra & Extramuros

Além destes dois momentos centrais, o Under The Doom mantém o seu compromisso com a exploração completa do doom extremo. Os suecos Draconian regressam com Lisa Johansson ao vocal e novo álbum, oferecendo um concerto que atravessa diferentes fases da discografia da banda, enquanto os suíços Schammasch celebram o 10.º aniversário de Triangle, interpretando o álbum na íntegra e complementando com outros temas da carreira. Os belgas Marche Funebre, regressando ao festival uma década depois da última actuação com um novo LP para mostrar.

No plano nacional, Atone e ANZV marcam presença com actuações únicas em Lisboa em 2026. Ambos reforçam a importância do Under The Doom como palco de revelação e consolidação do underground lusitano, oferecendo ao público nacional oportunidades raras de imersão em projetos que, embora locais, dialogam com tendências internacionais de peso, atmosfera e densidade.

Os concertos têm início às 19h na sexta-feira, 25 de Setembro, e às 18h no Sábado, 26 de Setembro de 2026. Os passes de dois dias estão disponíveis com 20% de desconto, exclusivamente através da Unkind.pt (abre link), entre 4 de Março e 2 de Abril, assim como bilhetes diários a preço reduzido. Uma segunda vaga de confirmações será anunciada em Abril, completando o alinhamento do Under The Doom, do qual a ROMA INVERSA é orgulhosamente parceira oficial.

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