Under The Doom 2026

Under The Doom 2026, Cowboys & Dragões

O anúncio de Sólstafir e Draconian como cabeças de cartaz do Under The Doom 2026 fecha um cartaz eclético e afirma a 10.ª edição do festival como uma das mais marcantes da sua história.

Lisboa volta a abrir as portas ao peso e à contemplação quando o Under The Doom regressar ao LAV – Lisboa Ao Vivo nos dias 25 e 26 de Setembro de 2026. Mas desta vez há um detalhe que altera subtilmente o eixo de tudo: estamos perante a 10.ª edição. Um número redondo que não pede celebração — exige afirmação. E é precisamente isso que este anúncio final faz. Não acrescenta apenas nomes; fecha um círculo. Define um cartaz que a promotora NotreDame Productions assume como um dos mais fortes da sua história — e, pela forma como se desenha, não parece haver grande margem para contestação.

Se no primeiro anúncio já se intuía a dimensão do que estava a ser preparado, este segundo acto vem consolidar uma narrativa clara: o Under The Doom 2026 deixa de ser apenas um festival de nicho para se afirmar como um dos raros espaços onde o peso ainda é tratado com reverência e curadoria.

Na sexta-feira, o eixo gravita em torno dos Sólstafir, confirmados como cabeças de cartaz do Under The Doom 2026. O seu regresso a Portugal não surge como mero gesto de continuidade, mas como momento de síntese. Ao longo de mais de duas décadas, os islandeses recusaram sempre permanecer estáticos, deslocando-se de territórios mais extremos para uma linguagem onde a melancolia e a narrativa emocional se tornaram centrais.

Em palco, essa transformação ganha corpo — não como evolução linear, mas como acumulação de camadas. O que se antecipa aqui é precisamente isso: um concerto que não se limita a revisitar, mas que reconfigura o seu próprio percurso.

Ainda nesse dia, os suíços Schammasch apresentam um momento de carácter singular: a celebração do 10.º aniversário de Triangle. Não se trata de nostalgia, mas de reconstrução — um espectáculo pensado como peça integral, onde o álbum serve de espinha dorsal para uma exploração mais ampla da identidade da banda.

Completam este bloco nomes como os Ereb Altor, cuja abordagem épica ao doom continua a beber da mitologia nórdica sem perder contundência, e os brasileiros The Cross, trazendo consigo uma densidade sombria que carrega o peso específico da cena sul-americana. No plano nacional, os ANZV surgem com novo material e um concerto exclusivo em Lisboa, enquanto os veteranos Thragedium assumem a abertura do Under The Doom 2026 como gesto simbólico: memória viva de uma cena que recusa desaparecer.

O segundo dia do Under The Doom 2026 responde com igual densidade, mas com um centro emocional distinto. Os suecos Draconian encabeçam o alinhamento num momento particularmente significativo: o regresso de Lisa Johansson e a apresentação de novo material. Mais do que um concerto, antecipa-se aqui um reencontro — não apenas entre membros, mas com uma estética que ajudaram a definir dentro do doom/death melódico europeu.

Já o referimos no primeiro anúncio (abre link), mas vale a pena repetir. Se há momento que se perfila como experiência limítrofe, ele pertence aos norte-americanos Evoken. A sua estreia absoluta em Portugal carrega o peso de décadas de culto dentro do funeral doom. Não é música que se consuma; é música que se atravessa. E isso, num contexto ao vivo, transforma-se inevitavelmente num dos pontos de maior tensão desta edição. Num registo diferente, mas igualmente estruturante, surge Liv Kristine, figura incontornável da vertente gótica e atmosférica, agora acompanhada por uma nova formação e material recente.

Há ainda regressos e ressurgimentos que reforçam a identidade do festival: os belgas Marche Funèbre, que voltam uma década depois com novo trabalho, e os portugueses Exhausted, num momento de particular relevância histórica. O seu regresso aos palcos, com formação original e foco na maqueta Frozen Embrace (1995), não é apenas um concerto — é uma reactivação de arquivo, uma fissura temporal aberta no centro do festival.

Completa-se o alinhamento com a estreia absoluta dos Atone, projecto que reúne elementos de várias linhagens do underground nacional, afirmando-se aqui num registo de exclusividade que reforça o carácter irrepetível do evento.

Os concertos do Under The Doom 2026 terão início às 19:00 na sexta-feira e às 18:00 no Sábado, mantendo o formato habitual do festival. Os bilhetes encontram-se disponíveis através da Unkind.pt e nos locais habituais, com o bilhete diário fixado nos €50 e o passe de dois dias a €95 até 31 de Julho. Após essa data, o bilhete para o dia 26 e o passe geral do Under The Doom 2026 terão um acréscimo de €5, mantendo-se o valor do bilhete diário para o dia 25.

A ROMA INVERSA é orgulhosamente parceira oficial do Under The Doom 2026.

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