Uma explosão de grindcore, black, death e punk – obscena, abrasiva e feroz. A Larvae e a Haloran Records entregam ao underground português o seu manifesto definitivo, com a edição de “Caralhograma” dos Vizir.
O disco que o metal português esperava há vinte e cinco anos já chegou – e soa mais urgente do que nunca. “Caralhograma” é o primeiro registo de estúdio dos VIZIR, banda lendária da subcultura extrema nacional, cuja reputação viveu durante décadas na penumbra, entre histórias contadas à mesa, concertos caóticos e rumores de demolições sónicas que poucos testemunharam e ninguém esqueceu.
Formados nos finais dos anos 90, quando o underground português fervilhava de nomes que preferiam o anonimato ao artifício, os Vizir sempre foram um caso à parte. Não havia carreira a planear, apenas a necessidade de gritar, cuspir e provocar. Vinte e cinco anos depois, esse grito finalmente ganha forma física em “Caralhograma”, editado pela Haloran Records e Larvae Records — duas editoras que, como a própria banda, sempre recusaram dobrar-se ao conforto da indústria e que muito estimamos nesta plataforma.
Prosseguindo a necessária hiperbolização, “Caralhograma” não é um álbum de estreia, é uma detonação. Grindcore, black, death e punk colidem num magma incandescente onde o caos é método e a blasfémia é estética. É um disco feito para incomodar, para desafiar os limites do som e da linguagem, para lembrar que o metal nasceu como um acto de revolta – e que, nas mãos certas, ainda o é. As guitarras cortam como lâminas enferrujadas, os vocais soam como o eco de um ritual profano, e a secção rítmica avança como uma maré negra em fúria.
Nada aqui é limpo ou calculado: o ruído é deliberado, a distorção é dogma, e o resultado final é um documento histórico – a radiografia de um país subterrâneo que sempre existiu, mesmo quando fingiram que não. “Caralhograma” é feroz, corrosivo e deliberadamente ofensivo. Uma declaração de guerra à normalidade, um murro no estômago do mainstream e um hino absoluto à liberdade artística.
As letras, ora obscenas, ora metafísicas, funcionam como um evangelho de niilismo e sarcasmo, escrito na língua que Portugal sempre usou para amaldiçoar e celebrar. Assim se entoam clássicos inqualificáveis como “Comi Mortos (Sem Querer)”, “Esporra Podre”, “Floresta de Pintelhos”, “Parti o Caralho a Foder”, “Grávida dum Paneleiro”, “Esporrei-me na Pia Baptismal”, “Punhetas na Catequese”, “Punheta de Braço Partido”, “Bordel de Cadáveres” ou “Baptizado Com Menstruação”, para referir apenas alguns dos mais de 40 temas aqui reunidos pelos Vizir.
É o álbum que pega na tradição blasfema do metal extremo nacional e a arrasta para o século XXI, com o riso de quem não tem nada a perder. Depois de 25 anos a resistir sem concessões, os Vizir provam que a espera valeu cada segundo. Este disco não pede licença, não pede desculpa – é obsceno, caótico e inegavelmente arte. No seu rasto ficam a ruína, o espanto e a sensação libertadora de que o verdadeiro underground português nunca morreu; apenas esperava pelo momento certo para se vingar.
Numa edição limitada a 300 cópias em CD, “Caralhograma” é esse momento. O trovão dos Vizir há muito esperado chegou no dia 11 de Outubro de 2025. Podem obter este documento sacrílego de Hellraiser (voz), Barrasco (bateria) e Hélio Fodas (baixo) no Bandcamp da Haloran Records.

Um pensamento sobre “Vizir, ‘Caralhograma’ Sob os Signos Larvae & Haloran Records”