Diamanda Galás quebrou um período sabático de quase uma década, o que traz a diva da música experimental a Portugal, para concertos na Culturgest, Theatro Circo e Casa da Música, em Fevereiro de 2026.
Após quase uma década de silêncio, Diamanda Galás está de regresso aos palcos. Um dos nomes mais inquietantes e incontornáveis da música avant-garde, a vocalista, compositora e pianista norte-americana é uma força da natureza que há mais de quatro décadas vem explorando os limites entre som e sofrimento, corpo e espírito, grito e oração. A sua voz — uma extensão visceral da própria existência — é instrumento e abismo, um canal de exorcismo e redenção.
Este regresso acontece em paralelo com o lançamento de dois trabalhos que reafirmam o seu estatuto singular. Por um lado, a remasterização de You Must Be Certain of the Devil (1988) devolve-nos um dos álbuns mais incendiários da sua carreira, um documento brutal sobre fé, morte e epidemia — parte essencial da sua trilogia sobre a SIDA, escrita no auge da crise e da indiferença institucional. Ao revisitar You Must Be Certain of the Devil, um dos capítulos mais confrontacionais da sua discografia, Galás reabre feridas antigas, mas também recontextualiza o discurso da dor e da fé no século XXI.
Por outro, De-formation: Second Piano Variations, gravado ao vivo na Pinault Gallery, em Paris, expõe uma dimensão mais introspectiva e intimista, quase litúrgica, onde o piano é simultaneamente instrumento e altar, que ela transforma num corpo vivo, numa extensão física da sua própria respiração.
Nas mãos de Diamanda Galás, a música é um ritual de afirmação e purificação. As suas interpretações são mais do que concertos: são liturgias contemporâneas, experiências onde o corpo é consumido pela voz, e onde cada nota é uma ferida aberta. Da ópera ao gospel profano, da improvisação livre ao minimalismo expressionista, o seu percurso é uma permanente desconstrução das formas, uma luta pela liberdade estética e espiritual. Para quem acompanha o seu percurso, o retorno de Diamanda Galás é muito mais do que um simples reencontro. É uma reencarnação. A sua música não se ouve, atravessa-nos.
Desde os anos 80 que a artista tem explorado as fronteiras do som e do corpo, transformando a dor, a loucura e a espiritualidade em matéria artística. Obras como Plague Mass ou The Divine Punishment estabeleceram-na como uma figura única, uma sacerdotisa da dissonância e da transcendência, onde a voz humana se torna instrumento e ferida, grito político e oração profana.
Este retorno também reafirma a dimensão performativa e política de Diamanda Galás. A sua voz, capaz de atingir simultaneamente o lamento e o rugido, permanece um dos veículos mais radicais de expressão da música contemporânea. Entre o bel canto e a glossolalia, entre a liturgia e o noise, a artista constrói universos em que a beleza convive com a violência, e onde cada nota soa como uma prece rasgada.
Em tempos de saturação digital e fórmulas seguras, assistir a um concerto de Diamanda Galás é uma experiência quase mística: há nela uma entrega total, uma recusa em simplificar o sofrimento humano e uma crença inabalável no poder da arte como redenção. Talvez seja essa a razão pela qual, mesmo após décadas de carreira, continua a ser reverenciada tanto pela vanguarda académica como pelos meios mais subterrâneos da música experimental e do metal.
Numa colaboração entre a Culturgest – Fundação CGD, o Theatro Circo e a Amplificasom, a icónica artista apresenta-se em três cidades para concertos imperdíveis: 11 de Fevereiro de 2026, a sala de Lisboa acolhe a primeira data de Diamanda Galás que, no dia 14 de Fevereiro, sobe depois a Braga, antes de fechar esta tríade de apresentações no dia 18 de Fevereiro, na Casa da Música, no Porto.
Os bilhetes para estes espectáculos já estão disponíveis na See Tickets Portugal, e também nos sites oficiais da Casa da Música e da Amplificasom, que reúne todas as informações adicionais sobre a digressão.
