Em 2014, os Arch Enemy apresentaram Alissa White-Gluz através de War Eternal. O 9.º álbum quebrou alguma inconsistência editorial e deu um futuro ao death metal melódico dos suecos.
O lançamento de War Eternal em 2014 não foi apenas a estreia do décimo álbum de estúdio dos Arch Enemy; foi, acima de tudo, uma declaração de sobrevivência e continuidade. Após a saída chocante da vocalista icónica Angela Gossow, e do guitarrista de longa data Christopher Amott, o grupo liderado por Michael Amott enfrentou a difícil tarefa de provar aos fãs que a essência e a relevância da banda permaneceriam intactas. Tudo isto se torna estranhamente pertinente em Novembro de 2025.
Com a chegada da vocalista Alissa White-Gluz e do guitarrista Nick Cordle, o álbum não só conseguiu apaziguar as preocupações dos fãs mais cépticos como injectou revigorou um projecto que muitos críticos consideravam ter diminuído de intensidade em lançamentos anteriores, como Khaos Legions. Para alguns, War Eternal representou uma lufada de ar fresco, sendo colocado ao nível de clássicos como Wages of Sin ou Burning Bridges, superando o que era visto como uma década de alguma inconsistência criativa.
War Eternal: Alissa vs. Angela
A mudança mais discutida, obviamente, foi a voz. O estilo vocal de Alissa White-Gluz, vinda dos The Agonist, trouxe um timbre distinto e instantaneamente reconhecível. O seu growl é mais rasgado e, para alguns melómanos, embora profundo e poderoso, soaria marginalmente “menos raivoso” do que o de Angela, mas, paradoxalmente, “mais bonito” na sua técnica e controlo. No entanto, na sua essência, Alissa conseguiu emular a intensidade vocal necessária para ancorar o death metal melódico da banda.
A sua performance reflectia a energia combativa de Angela, dissipando rapidamente as dúvidas sobre se uma substituta seria capaz de carregar o peso da herança vocal. Michael Amott foi astuto na sua escolha, encontrando alguém que conseguia replicar o impacto da voz anterior, permitindo que a fundação musical dos Arch Enemy permanecesse a peça central.
Musicalmente, War Eternal é um álbum que joga com a fórmula estabelecida da banda, mas não tem medo de a agitar. A influência de Nick Cordle e Jeff Loomis foi imediatamente sentida. Ambos trouxeram consigo uma abordagem lead guitar altamente técnica, complementando o estilo mais tradicional e focado no feeling de Michael Amott. O resultado é uma dinâmica de guitarras mais rica e diversificada: Amott ancorando a melodia e as emoções, e Cordle/Loomis injetando shredding implacável, tremolo picking e complexidade técnica.
Esta sinergia permitiu que o álbum fosse ao mesmo tempo, fiel às raízes da banda — com composições a fazer lembrar os primeiros quatro discos, com Burning Bridges à cabeça— mas também aberto a ideias mais modernas, como a inclusão de breakdowns em malhas como “On and On” e “No More Regrets”, elementos raramente utilizados na discografia da banda, até aí.
Espessura & Intensidade
A produção foi outro elemento central. War Eternal apresenta uma sonoridade poderosa, grave e encorpada devido à afinação baritonal das guitarras, mas também super polida e cristalina. Enquanto alguns criticaram esta clareza como um passo demasiado grande em direção ao mainstream, o consenso geral foi que esse tipo de produção amplificou o aspecto épico e atmosférico das malhas, contribuindo para que o álbum se destacasse.
As malhas mais fortes do disco são aquelas que encapsulam este equilíbrio entre tradição e novidade. A faixa-título, “War Eternal”, é um hino instantâneo, com um refrão marcante e uma estrutura que soa a Arch Enemy clássico, perfeitamente adequada à nova voz. “You Will Know My Name” glorifica o álbum com a sua fúria e o coro cativante, enquanto a dupla de guitarras se destaca em uníssono com a intensidade dos vocais.
No entanto, as malhas de maior ruptura foram as que marcaram a diferença, como “Avalanche”, que ousou incluir breves, mas eficazes, vocais limpos no refrão, um movimento que aumentou o espetro emocional de War Eternal e dos Arch Enemy com melancolia e mistério, para além da raiva esperada. A presença de instrumentais atmosféricos, como o outro “Not Long for This World”, também foi elogiada por construir um ambiente que lembra os finais de álbuns antigos.
Lacklustre
A verdadeira pecha notada no álbum reside nas letras, que tendem a ser genericamente sobre temas de auto-capacitação e imagens sombrias/épicas, e revelam-se entre o pueril e o cringe. No entanto, a força do War Eternal reside quase inteiramente na sua música implacável e bem composta, que forneceu novo vigor e um futuro ao Melodic Death Metal dos Arch Enemy, óptimo tanto para novos ouvintes, quanto para fãs de longa data.
War Eternal não foi perfeito, mas acertou muito mais do que errou. Foi o início triunfante de uma nova fase que se provou vital para a carreira da banda, e que, com o anúncio da saída de Alissa White-Gluz, fica para sempre cimentado como um capítulo de sucesso e como um marco na discografia dos Arch Enemy.

Um pensamento sobre “War Eternal, Arch Enemy”