A Nossa Parte da Noite

A Nossa Parte da Noite, de Mariana Enríquez: A Sístole e Diástole da Escuridão

A Nossa Parte da Noite, de Mariana Enríquez — uma das obras mais perturbadoras da literatura latino-americana e onde horror, ditadura, corpo e memória se cruzam na Argentina contemporânea.

A Nossa Parte da Noite, de Mariana Enríquez, é um romance de horror que se recusa a permanecer num único registo. A Nossa Parte da Noite é simultaneamente saga familiar, alegoria política, romance de formação e descida metafísica. A sua ambição é hiperbólica — e conscientemente excessiva — porque lida com matérias que não admitem contenção: a transmissão do trauma, o poder como culto, o corpo como instrumento, a noite como herança. Poucos romances contemporâneos conseguem mover-se com esta amplitude sem perder o peso humano das suas personagens; Enriquez consegue fazê-lo porque nunca separa o fantástico da carne e da história.

Publicado em 2019, A Nossa Parte da Noite é um mergulho perturbador no terror contemporâneo e na obscura geografia emocional da Argentina. Mariana Enríquez não usa o horror como truque fácil; ela costura-o com violência social, memória colectiva, dependência, família e o trauma de uma nação que ainda carrega cicatrizes de um passado brutal.

A narrativa de A Nossa Parte da Noite atravessa décadas e Enriquez usa o terror fantástico para falar sobre horrores bem reais: os desaparecidos, os menosprezados, a repressão social e a violência sistémica. Como a autora costuma dizer em entrevistas, a realidade da Argentina, por vezes, é mais assustadora que qualquer fantasma. Essa fusão entre horror sobrenatural e memória histórica transforma o romance numa espécie de cartografia emocional do país.

A Nossa Parte da Noite é uma mistura hipnótica de terror gótico com realismo sujo — cenas que saem do sobrenatural, mas deixam uma marca visceral que parece estranhamente familiar. O protagonista, Gaspar, e a sua relação com o pai numa seita que busca a imortalidade através de rituais sombrios, tornam-se uma lente para explorar temas profundos: amor, perda, obsessão e as sombras que habitam dentro e fora de nós. Gaspar é simultaneamente herdeiro e testemunha: alguém que cresce dentro do horror, mas também tenta compreendê-lo.

O livro ganhou prémios (incluindo o Premio Herralde de Novela) e consolidou Enríquez como uma das vozes mais inquietantes e necessárias da literatura latino-americana contemporânea — especialmente no que toca ao horror que nasce do real e do social, e não apenas do fantástico. Através do simbolismo dos rituais e o uso do corpo como território de sofrimento e resistência, A Nossa Parte da Noite é um romance que fica contigo, não importa quanto tempo passe. A escrita tem uma potência ímpar — uma voracidade que não pede licença. É um livro que deixa o leitor exausto, mas hipnotizado. Há nele uma sensação constante de excesso: excesso de dor, de desejo, de memória.

Família, Política & Herança em A Nossa Parte da Noite

A escrita de Enríquez é lírica e brutal — belas frases que te arrastam para baixo, directo ao miolo da escuridão humana. A família como primeiro culto; a transmissão do trauma como ritual inevitável; e o horror não como ruptura, mas como continuidade histórica (a Ordem, a ditadura, os corpos, os desaparecidos). A Nossa Parte da Noite não é um romance “de terror” no sentido clássico — é um livro sobre o que herdamos sem pedir, sobre como a violência se infiltra nos laços mais íntimos e no quotidiano. E talvez por isso doa tanto: não há monstros externos suficientes para nos salvar dos internos. A verdadeira genealogia do horror aqui não é sobrenatural, é histórica.

Em A Nossa Parte da Noite, Mariana Enríquez usa a figura do pai como corpo sacrificial: Juan é simultaneamente protector e vítima, alguém que ama o filho de forma quase desesperada enquanto sabe que o está a conduzir para uma herança maldita. Gaspar cresce nesse limbo — entre o afecto genuíno e a consciência difusa de que o amor também pode ser uma forma de condenação.

A morte prematura de Rosario, mãe de Gaspar e membro de uma família rica ligada à Ordem, desencadeia uma fuga errante pela Argentina pré e pós ditadura militar — e por Londres — numa tentativa desesperada de quebrar a lógica hereditária do mal. Essa fuga é também uma tentativa de escapar àquilo que já foi decidido antes mesmo do nascimento de Gaspar.

Um dos grandes méritos de A Nossa Parte da Noite está na forma como Enríquez recusa separar o sobrenatural do político. A Ordem não é apenas uma seita ocultista dedicada a uma entidade cósmica inominável; é também uma elite económica, perfeitamente integrada nos mecanismos de poder da Argentina durante a ditadura militar. A justaposição é clara: a Ordem gere corpos como o Estado geria desaparecimentos — sacrifícios organizados, silêncio imposto, violência administrada. O horror não é caos, é administração.

O poder, aqui, não se manifesta apenas pela violência aberta, mas pela sua normalização. Da oikos para a polis, aquilo que se poderia identificar como hipérbole é, na verdade, a forma mais honesta de descrever a Argentina daqueles anos. Não é exagero literário, é uma tradução poética da política.

No universo de A Nossa Parte da Noite, os deuses antigos são apenas mais uma elite cruel a quem se deve prestar contas. Aqui, o horror cósmico não funciona como evasão lovecraftiana, mas como hipérbole moral. Enriquez amplifica o real até ao monstruoso para revelar a sua lógica interna. A entidade da Ordem é incompreensível, sim — mas os seus intermediários são perfeitamente humanos, reconhecíveis, históricos. O mal absoluto precisa sempre de burocratas, médicos, mecenas, famílias respeitáveis. Neste sentido, o romance é brutalmente argentino, mas também universal: o culto é apenas a forma extrema de um poder que sempre se apresentou como inevitável. O sobrenatural apenas torna visível aquilo que o poder prefere manter invisível.

Bowie

A inclusão do Bowie em A Nossa Parte da Noite, no arco londrino dos anos 60, é uma escolha brilhante. Ele não está ali apenas como um easter egg para fãs; ele personifica a estética daquela época que é aplicada brilhantemente no romance: a Androgenia e o Ritual — Bowie sempre namorou com o ocultismo e a reinvenção da identidade (abre link), o Glamour Decadente — ele traz aquela aura de “beleza perigosa” que envolve a juventude do Juan e do Stephen, tornando a tragédia deles ainda mais fascinante.

Em 1969, Bowie estava a lançar Space Oddity e a transitar para essa figura etérea e quase alienígena. No livro, ele representa essa elite cultural e boémia que orbitava perto do perigo e do oculto sem saber (ou sabendo demasiado bem) com o que estava a brincar. Enríquez usa essa época para mostrar que a Ordem não era um grupo de velhos escondidos em castelos, mas uma rede global, sofisticada e ligada ao que havia de mais moderno e “cool” no mundo.

É uma parte do livro que traz uma cor diferente — um azul eléctrico e esfumaçado — que contrasta com o cinzento húmido e opressor da Buenos Aires da ditadura e do verde luxuriante, perigoso, viçoso e silvestre da Argentina rural.

Esse arco de A Nossa Parte da Noite é fundamental porque nos mostra uma Rosario jovem, inteligente e herdeira de uma linhagem de poder, mas que vive aquele momento de efervescência cultural de Londres. É o auge da “Swinging London”, onde o esoterismo, as drogas psicadélicas e o rock se misturavam. Juan como “Objecto”: é nesse período que vemos o Juan como este jovem de beleza magnética e doentia, sendo disputado e moldado pela Ordem. Rosario tenta, de certa forma, racionalizar ou “modernizar” o que a família faz, mas acaba presa na mesma teia de destino que o seu enamorado (mencionaremos apenas Eddie, sem arriscar spoilers).

Rosario, com o seu ar indígena, é a personificação da vitalidade, da terra e do sustento. O carisma e a presença física criam uma imagem de maternidade arquetípica. Ela é o Sol, o centro gravitacional daquele grupo de amigos em Londres. Num mundo de rituais sombrios e de uma elite fria, Rosario representa o calor humano e a fertilidade. A Ordem é estéril. Eles procuram a imortalidade porque têm pavor da finitude do corpo. Rosario, pelo contrário, aceita a sua humanidade e a sua biologia.

O facto de Juan a amar tanto — e de ela ser a única que parece conseguir “ancorá-lo” à vida — torna a ausência dela um buraco negro que engole o resto do romance. É por isso que, quando Gaspar tenta reconstruir a imagem da mãe, ele não procura apenas uma fotografia; ele procura essa essência vital que a Ordem tentou apagar. É uma forma de resistência através da memória do corpo.

Horror Intimista & Claustrofóbico

Um dos aspectos mais perturbadores de A Nossa Parte da Noite é a sua capacidade de alternar entre escala cósmica e opressão íntima sem perda de intensidade. Enriquez entende que o verdadeiro terror não está apenas no espaço desconhecido, mas no espaço fechado. O episódio em Buenos Aires, no pico da SIDA e da homofobia, da sala de cinema clandestina de pornografia homossexual é exemplar. Ali não há entidade sobrenatural, nem ritual, nem escuridão metafísica — apenas corpos observados, perseguidos, potencialmente denunciáveis.

O medo nasce da proximidade, da ilegalidade, do olhar alheio. É um horror político e sexual, profundamente histórico, que dialoga directamente com a repressão da ditadura, primeiro, e da sociedade, depois. É o horror que cheira a suor, cigarro e desespero, provando que o “monstruoso” não está apenas na dimensão da Escuridão, mas nas frestas da experiência humana proibida. Esta alternância impede o romance de se tornar abstrato. Cada abertura para o infinito é compensada por um retorno violento ao corpo: do médium exaurido, da criança aterrorizada, do desejo proibido. O horror cósmico amplia; o claustrofóbico fere.

Enquanto Lovecraft nos pede para olhar para o cosmos enquanto abiso e temer o que não conseguimos compreender (um horror de distância e abstracção), Mariana Enríquez obriga-nos a olhar para o que está debaixo da nossa pele e para o que sai dos nossos poros (um horror de proximidade e visceralidade). A sua estratégia narrativa em A Nossa Parte da Noite é precisamente inverter a distância: aproximar-nos tanto do horror que já não conseguimos fingir que ele é apenas ficção.

A escrita dela não é apenas visual; ela é olfativa e táctil. Sinestesia do horror. Onde Lovecraft usaria adjectivos como “indescritível” ou “blasfemo” para contornar a descrição, Enríquez mergulha precisamente no que é mais difícil de ler: sentimos o cheiro do suor rânciso no cinema clandestino, as feromonas sexuais, o odor da humidade das casas velhas de Buenos Aires e o cheiro a podridão na masmorra em que a Ordem mantém as suas vítimas ou a metal do sangue nos rituais.

O nojo como ferramenta. O asco não é gratuito. Enríquez usa o nojo para nos lembrar que somos biologia. Quando descreve a degradação física de Juan — o seu peito aberto, as cicatrizes que nunca fecham bem — ela está a atacar a nossa própria sensação de segurança corporal.

A Carne Templo & Lixo

Há esse campo que o próprio romance insiste em abrir: o corpo como valor, moeda, altar e lixo. Não como tema único, mas como força transversal. Essa obsessão pela carne e pelo corpo é o que torna o horror da Enríquez mais “real” do que o terror sobrenatural clássico, que é mais mental e cósmico. Mais impactante, pelo menos, porque mesmo que em A Nossa Parte da Noite desenvolva lentamente a loucura da mente, ataca-se mais os sentidos com a evocação física da carne e da dor e do cheiro, do desejo e do nojo. A metafísica da Escuridão, aqui, nunca abandona a biologia: o sobrenatural manifesta-se sempre através da degradação ou exaltação da carne.

Juan é o exemplo máximo da exaltação corporal em A Nossa Parte da Noite. Mesmo quando destruído, doente, usado pela Ordem até à exaustão, o corpo dele mantém uma aura quase escultórica — e isso passa muito pela visão de Gaspar. É um corpo simultaneamente sagrado e condenado.

O episódio em que o filho vê inadvertidamente o pai a foder com o amante (Stephen) é decisivo não pelo sexo em si, mas pela estética: músculos tensos, suor, força física, uma imagem que remete menos para intimidade do que para heroísmo clássico, quase estatuário. A cena é descrita quase como um friso grego. Não há vergonha ali; há potência. O corpo masculino adulto, desejante, ainda inteiro, ainda digno de ser visto. Há também uma espécie de mito físico ali: o pai visto como figura quase titânica antes da inevitável queda.

Esse contraste é brutal quando colocado ao lado da forma como Juan usa outros corpos. O empregado da mercearia, logo no início do romance, é tratado como puro dispositivo — um corpo reduzido a orifício, a função, a descarga. Não há erotismo, não há desejo recíproco, não há sequer crueldade performativa: há indiferença.

É talvez uma das cenas mais violentas de A Nossa Parte da Noite precisamente porque é seca, funcional, sem lirismo. Uma boca para onde se esporrar, nada mais. O corpo descartável aparece ali como aparece ao longo de toda a narrativa: sem nome que importe, sem futuro, sem memória. Aí vemos o lado negro do Juan, como a proximidade com a Ordem o desumanizou. É a crueldade de quem sabe que o corpo é efémero e que, depois da morte de Rosario, o sexo é o único momento em que o corpo (habitualmente um canal de dor para a Escuridão) se pertence a si próprio e ao prazer.

Rosario ocupa um lugar ambíguo nesse mapa. O romance insiste nos seios fartos, no corpo abundante, quase maternal e sensual ao mesmo tempo — mas essa exaltação não é libertadora. O corpo de Rosario é valorizado enquanto capital simbólico, enquanto corpo fértil, belo, pertencente à linhagem certa. A sua fisionomia remete para o indígena sul-americano, para a pureza da terra, da natureza. Não por acaso, é um corpo que a Ordem quer preservar, gerir, enquadrar. A sua morte não é degradação física como a de Juan; é uma perda patrimonial.

E depois há o extremo oposto: o corpo da menina presa na lama, inchando até morrer. Ao referir-se ao traumático acidente de Omayra Sánchez, da violência cega da erupção vulcânica, Enríquez retira-lhe qualquer possibilidade de elevação. Não há beleza, não há erotização (e a erupção será o quê mais?), não há função ritual. É um corpo que falha até como sacrifício. É a degradação absoluta, o corpo reduzido a matéria, a peso, a obstáculo. Aqui o horror deixa de ser metafísico e torna-se puramente material. Deu na TV. É feérico ver aqueles olhos, e é real (abre link).

Rosario é a abundância (os seios, o leite, a vida), enquanto a menina presa na lama representa a estagnação e a decomposição. O corpo que incha na humidade é o lembrete de que, sem o privilégio da Ordem, a carne argentina é apenas matéria para ser esquecida no pântano da história. A forma como Enríquez descreve o suor e os músculos faz com que o leitor sinta o peso físico daquelas personagens. Não são figuras de papel; são corpos que sangram e que têm fome.

Começa a emergir — sem que o romance o sistematize — uma lógica cruel: corpos fortes, belos, desejáveis → portadores de sentido; corpos marginais, pobres, infantis, desviantes → consumíveis ou descartáveis. E isto liga-se directamente à Ordem e à ditadura: o horror precisa de corpos que “valham a pena” e de corpos que não valham nada. A metafísica do culto só funciona porque essa hierarquia já existe no mundo social.

A Nossa Parte da Noite, Acto de Memória

A grande subversão da Enríquez em A Nossa Parte da Noite é fundir o erotismo com o horror. Em Lovecraft, o sexo é quase inexistente ou visto como uma “degeneração” biológica de raça. Em Enríquez o desejo é uma força de vida, mas também uma forma de poder. A Política do Corpo. Essa “evocação física” tem um propósito político profundo na literatura argentina.

Num país onde milhares de corpos “desapareceram” durante a ditadura, devolver a materialidade ao horror é um acto de memória. O romance move-se num ritmo quase orgânico: momentos de expansão cósmica seguidos de uma contracção brutal no corpo e na intimidade das personagens. Como um coração negro a bater no centro da narrativa. Os corpos mutilados pela Ordem, a macabra masmorra de Florence, etc., são representações daqueles que a história tentou apagar.

Lovecraft teme o “Outro” que vem do espaço; Enríquez teme o que o ser humano faz ao “Outro” aqui na Terra. É essa capacidade de nos fazer sentir o “peso” da carne que torna a leitura de A Nossa Parte da Noite uma experiência quase física. Saímos do livro a sentir-nos um pouco mais “pesados”.

Há também algo profundamente perturbador na forma como A Nossa Parte da Noite coloca uma criança no centro desta maquinaria metafísica. Gaspar cresce rodeado de sinais que não compreende totalmente — rituais, segredos, medo difuso — e é precisamente essa percepção incompleta que torna o horror ainda mais intenso. O terror chega primeiro como atmosfera, muito antes de se tornar conhecimento.

A viagem dele e do seu pai, ou a vida urbana de ambos (o acompanhamento do Mundial de Maradona e da Mano de Díos) transforma o romance numa espécie de cartografia sombria e, ao mesmo tempo, nostálgica da Argentina. Estradas vazias, cidades decadentes, casas abandonadas e paisagens húmidas compõem um país que parece permanentemente assombrado. O horror não está apenas nos rituais da Ordem; está entranhado na própria paisagem.

A Nossa Parte da Noite é, em última análise, um livro sobre aquilo que herdamos — histórias, culpas, silêncios, medos. Gaspar é confessional, é Mariana Enriquez e a Argentina, carrega as cicatrizes na memória e na alma. Sim, somos curados, mas os traumas que carregamos, e principalmente à noite, são o terror absoluto. Porque a noite de Enriquez não é apenas um espaço sobrenatural. É memória, história e herança. Cada um de nós tem de habitar a sua própria “parte da noite”.

Capa da edição portuguesa de A Nossa Parte da Noite, da Quetzal.

Perguntas sobre A Nossa Parte da Noite

O que é A Nossa Parte da Noite?
A Nossa Parte da Noite é um romance de horror de Mariana Enriquez publicado em 2019 que mistura saga familiar, crítica política e terror sobrenatural, explorando a herança do trauma na Argentina pós-ditadura.

Sobre o que fala A Nossa Parte da Noite?
A história de A Nossa Parte da Noite acompanha Gaspar e o seu pai Juan, médium de uma seita que tenta alcançar a imortalidade através de rituais ligados a uma entidade chamada Escuridão.

Porque A Nossa Parte da Noite é considerado um dos grandes romances de horror contemporâneo?
Porque A Nossa Parte da Noite funde terror cósmico, violência histórica e drama familiar, transformando o horror numa metáfora da memória política argentina.

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