Symphony X

Symphony X, O Sucessor de Underworld

Ao fim de mais de uma década, o tão aguardado 10.º álbum dos Symphony X deverá estar concluído até ao final de 2026. As explicações e garantias são dadas por Michael Romeo e Russell Allen.

Depois de mais de uma década desde Underworld (2015), os norte-americanos Symphony X parecem finalmente aproximar-se da recta final para o aguardado sucessor. Em entrevistas recentes concedidas à rádio brasileira 92.5 Kiss FM e ao portal uruguaio The Dark Melody, o guitarrista Michael Romeo e o vocalista Russell Allen revelaram novos detalhes sobre o processo criativo do grupo — um processo que, segundo ambos, se tornou paradoxalmente mais complexo à medida que o material se acumulava.

Longe de sofrer de falta de inspiração, o problema parece ser precisamente o contrário: um verdadeiro excesso de ideias. Romeo explicou que, nas primeiras décadas da carreira da banda, o processo de composição era relativamente linear. A indústria discográfica ainda gerava receitas substanciais através da venda de álbuns, permitindo que os músicos se concentrassem exclusivamente na escrita durante longos períodos.

«Naquela altura recebíamos royalties dos discos e conseguíamos sobreviver enquanto trabalhávamos num álbum. Podíamos passar um ano inteiro no estúdio a escrever e a arranjar tudo. Depois saíamos para a estrada e repetíamos o ciclo», recorda o guitarrista numa reflexão muito semelhante deixada a outra feita pela islandesa Björk recentemente (abre link).

Hoje, a realidade é muito diferente. Com a erosão do modelo económico baseado nas vendas físicas, as digressões tornaram-se a principal fonte de rendimento para a maioria das bandas de metal. Isso obriga os músicos a alternar constantemente entre palco e estúdio — um ritmo que, no caso de uma banda tão meticulosa quanto os Symphony X, acaba por fragmentar o processo criativo. Segundo Romeo, foi exactamente isso que aconteceu durante os últimos anos.

Após a pandemia de COVID-19, a prioridade dos Symphony X foi regressar aos concertos para estabilizar financeiramente. No entanto, cada nova digressão interrompia o fluxo de trabalho no estúdio. E cada regresso a casa trazia novas ideias. O resultado foi uma avalanche criativa difícil de gerir.

«Tenho uma pasta com mais de mil ideias. Riffs, melodias, pequenas secções… Coisas que começaram, mas nunca foram terminadas. Envio tudo para os outros e pergunto: ‘O que é que vale a pena aproveitar?» Essa acumulação tornou-se, nas palavras de Michael Romeo, quase esmagadora. O desafio não é escrever música suficiente para um álbum dos Symphony X, mas sim filtrar e organizar uma quantidade gigantesca de material inacabado.

«Temos material a mais», admitiu Romeo. «O problema é que não temos material terminado. Temos milhares de coisas pela metade». Apesar do caos aparente, o guitarrista garante que o processo está finalmente a entrar numa fase mais estruturada. Depois de anos a gerar ideias quase compulsivamente, a banda começou agora a seleccionar e desenvolver as peças que poderão integrar o próximo disco dos Symphony X. O objectivo é claro: terminar as gravações até ao final deste ano.

Para o vocalista Russell Allen, a situação reflecte também a própria natureza criativa de Michael Romeo — que sempre funcionou como o principal arquitecto musical da banda. «Ele é um verdadeiro cientista louco. É um génio criativo, mas precisa de se perder completamente no seu mundo para que as coisas aconteçam».

Segundo Allen, cada interrupção — seja uma digressão ou outro compromisso — quebra o fluxo de trabalho de Romeo. Quando regressa ao material anterior, muitas vezes já não reconhece a lógica criativa que o originou e prefere começar de novo. Essa dinâmica explica em parte os intervalos cada vez maiores entre álbuns da banda.

Não Há Fome que Não Acabe Dê em Fartura

Ainda assim, o frontman garante que o material existente é extremamente promissor. O guitarrista terá enviado cerca de dez horas de música para aquilo que deverá resultar num disco de aproximadamente cinquenta e cinco minutos. «É um trabalho monumental simplesmente filtrar tudo. Mas há coisas incríveis ali».

A abundância de material levanta até a possibilidade de reduzir o tempo de espera entre futuros lançamentos dos Symphony X. De acordo com Allen, há já ideias suficientes para alimentar não apenas um álbum, mas potencialmente vários projectos futuros. «Há tanto material bom que podemos aproveitar para o próximo disco também. Se tudo correr bem, o intervalo não deverá ser tão grande da próxima vez».

A trajectória recente dos Symphony X também foi marcada por acontecimentos difíceis. Em 2017, Allen esteve envolvido num trágico acidente rodoviário com a sua outra banda, Adrenaline Mob, que resultou na morte do baixista David Zablidowsky. Dois anos depois, o vocalista sofreu uma lesão durante ensaios para a digressão de inverno da Trans-Siberian Orchestra, impedindo-o de participar nessa tour.

Enquanto isso, Romeo manteve actividade criativa fora da banda. Em 2022 lançou o álbum solo War of the Worlds Pt. 2, editado pela InsideOut Music, que contou com participações vocais de Dino Jelusick. Entretanto, os Symphony X continuam activos ao vivo e preparam-se para celebrar o seu 30.º aniversário com uma digressão especial pela América Latina. Segundo Allen, a banda pretende regressar ao estúdio logo após essa série de concertos. A intenção é dedicar o resto do ano à finalização das composições e ao processo de gravação.

Para uma banda cuja reputação foi construída sobre a precisão composicional e o rigor técnico, talvez seja apropriado que o próximo capítulo surja não da escassez de ideias — mas de um excesso quase vertiginoso delas. E se há algo que a história dos Symphony X demonstra, é que a espera raramente é em vão.

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