A Screaming Life

A Screaming Life, Autobiografia de Kim Thayil em 2026

Kim Thayil anunciou “A Screaming Life”, autobiografia a publicar em Maio de 2026, onde revisita o nascimento do grunge, as origens imigrantes, o seu papel como guitarrista dos Soundgarden e o legado da banda que moldou uma era.

Kim Thayil, lendário guitarrista e cofundador dos Soundgarden, vai publicar a sua autobiografia A Screaming Life: Into the Superunknown With Soundgarden and Beyond no dia 19 de Maio de 2026, pela editora HarperCollins, através do selo William Morrow. O livro, anunciado oficialmente a 28 de Outubro de 2025, promete mergulhar nas origens, ascensão e herança de uma das bandas mais importantes da era grunge, oferecendo o ponto de vista do seu membro mais cerebral e discreto.

Nascido em Seattle da urgência e dissonância dos anos 80, o som dos Soundgarden desafiou convenções, cruzando punk, metal e psicadelismo num registo de intensidade quase espiritual. A Screaming Life surge, assim, como um documento essencial não apenas sobre a banda, mas sobre o tecido cultural que moldou a música alternativa norte-americana. Segundo o próprio Thayil, o livro contará «a história de um filho de imigrantes a crescer em Chicago, e de como, com outro filho de imigrantes, Hiro Yamamoto, partimos para Seattle como jovens idealistas em busca de uma voz».

A narrativa de A Screaming Life seguirá a génese dos Soundgarden desde os primeiros ensaios em clubes cheios de cerveja até à fama mundial, passando pelas transformações da cena local, a explosão do grunge e o peso da indústria.

Thayil sempre foi reconhecido como o elemento mais enigmático da formação clássica dos Soundgarden. Enquanto Chris Cornell assumia a presença carismática e Matt Cameron e Ben Shepherd consolidavam a secção rítmica, Thayil emergia como o arquitecto sonoro da banda: um guitarrista de timbre corrosivo, combinando sabedoria teórica com uma irreverência punk que desafiava padrões de afinação e estrutura. Ao longo dos anos, a sua figura tornou-se símbolo de integridade e lucidez num género muitas vezes reduzido a estereótipos. O livro promete confirmar essa imagem, funcionando como uma crónica pessoal mas também como reflexão cultural sobre a forma como o grunge — e, por extensão, o rock alternativo — redefiniu as fronteiras entre o mainstream e o subterrâneo.

A publicação coincide com um momento de consagração tardia. Em Novembro de 2025, os Soundgarden serão finalmente introduzidos no Rock & Roll Hall of Fame, após anos de espera e de campanhas de fãs que reclamavam justiça para uma das bandas que abriram o caminho para Nirvana, Alice in Chains e Pearl Jam. A escolha do timing não é inocente: A Screaming Life apresenta-se como um complemento à celebração, mas também como um testemunho das fraturas e perdas que marcaram o percurso da banda — em particular, a morte de Chris Cornell em 2017, tragédia que Thayil raramente abordou em público. E ainda numa altura em que é cada vez mais concreto o registo póstumo dos Soundgarden com Chris Cornell.

Os primeiros excertos divulgados pela imprensa especializada apontam para um texto introspectivo, mas sem nostalgia excessiva. O guitarrista evoca o passado com a ironia e o pragmatismo de quem sobreviveu ao turbilhão de uma cena musical tão criativa quanto autodestrutiva. O título — retirado do primeiro EP da banda, Screaming Life (1987) — funciona como elo simbólico entre a juventude e o legado: um grito que ecoa através do tempo, agora convertido em memória.

Para a comunidade de leitores e músicos que acompanharam a trajetória dos Soundgarden, o livro representa a oportunidade de ouvir a história contada a partir da guitarra — do raciocínio técnico ao contexto cultural. Thayil sempre privilegiou a substância sobre o mito, e é precisamente essa honestidade que se espera encontrar em A Screaming Life: uma viagem entre o barulho e o pensamento, a distorção e o silêncio. Com A Screaming Life, Kim Thayil promete não apenas revisitar o percurso de uma banda seminal, mas também oferecer um retrato íntimo da contracultura norte-americana dos anos 80 e 90 — das garagens de Seattle aos palcos mundiais, da inocência à ruína.

Um testemunho que parece destinado a transcender o estatuto de “livro de memórias” para se tornar, antes, um documento da resistência criativa que moldou uma era. A Screaming Life em pré-encomenda na HarperCollins.

Até ao momento, não há qualquer previsão de tradução portuguesa nem edição para o mercado lusófono. A primeira edição será publicada exclusivamente em inglês, em formato físico e digital, com distribuição internacional assegurada pela HarperCollins.

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