Arvo Pärt

Arvo Pärt, Tractus

O selo alemão ECM editou o mais recente álbum original do compositor Arvo Pärt, intitulado “Tractus”, apresentando a sua obra mais recente interpretada pela Tallinn Chamber Orchestra, pelo Estonian Philharmonic Chamber Choir e pela soprano Maria Listra sob a regência do maestro Tõnu Kaljuste.

Gravado em Tallinn em 2022, “Tractus” é o décimo sétimo álbum de Arvo Pärt na sua longa colaboração com o produtor da ECM, Manfred Eicher, que começou com o monumental “Tabula Rasa” em 1984. Curada por Tõnu Kaljuste, a selecção de peças de Pärt funde os timbres e texturas de coro e orquestra de cordas. As obras foram compostas ao longo das últimas décadas e proporcionam uma visão abrangente do trabalho mais recente do compositor, de acordo com um representante do Estonian Philharmonic Chamber Choir.

O álbum recebe o nome da faixa de abertura, “Littlemore Tractus”, cujos versos de oração etéreos estabelecem o clima para toda a colecção. Reflectindo sobre o crepúsculo da vida, esta oração incentiva o ouvinte a fazer uma pausa, reflectir e encontrar a paz interior em meio à agitação da vida.

«Desde que Arvo Pärt se aposentou da composição activa, algumas das suas obras previamente não gravadas, que Arvo e eu discutimos com frequência nos últimos anos, têm-me chamado das prateleiras onde se encontravam», afirmou Tõnu Kaljuste em comunicado. «As conversas com Arvo têm girado em torno de novas versões e estreias passadas. Este álbum é uma colecção de ambos», acrescentou.

No entanto, o álbum também apresenta um arranjo completamente novo. Na peça de abertura, “Littlemore Tractus”, originalmente escrita para coro e órgão e alternativamente intitulada ‘Swansong’ na sua versão para uma grande orquestra sinfónica, Kaljuste une o coro e a orquestra de câmara, mantendo a clareza sonora da peça original.

Importa referir que a credenciada National Public Radio dos Estados Unidos, vulgo NPR, incluiu “Tractus” entre os dez melhores álbuns clássicos de 2023.

«Tõnu Kaljuste tem conduzido apresentações da música de Arvo Pärt com as mesmas forças (a Tallinn Chamber Orchestra e o Estonian Philharmonic Chamber Choir) por três décadas. Para ‘Tractus’, ele escolheu a dedo um grupo de obras do compositor que têm o incrível poder de confortar e tranquilizar. (Isto realmente reduziu a minha pressão arterial. Eu medi.) E dado o estado violento do nosso mundo presentemente, o álbum não poderia vir em melhor hora. O facto de as peças serem todas sagradas pouco importa. Religioso ou não, podem sentir os efeitos da música que não é apenas bonita, mas rigorosamente construída para o coração e a mente», escreveu Tom Huizenga, da NPR.

«A meio do tema de abertura, ‘Littlemore Tractus’, algo notável acontece – o coro finalmente alça voo, florescendo em puro sol. Neste caso e em muitos outros ao longo do álbum, pode testemunhar-se o misterioso poder da música de desafiar a descrição em palavras. Como o cobertor quente de cordas que acariciam no 7.º das ‘Greater Antiphons’, a luz crepuscular que se insinua em ‘Veni Creator’, o trovão ligeiramente inquietante do tambor em ‘These Words’ e a canção de embalar da inocência que encerra o álbum, simplesmente sente-se», lê-se na review.

Na foto (Carolina Forbes) que ilustra o artigo está acompanhado por Manfred Eicher (contrabaixista, produtor e fundador da ECM RFecords). Podem descobrir mais sobre a sua impressionante obra em https://www.arvopart.ee/

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