Audacity

Audacity 3.4 Actualizado com Plugins IA

Ainda gratuito e ainda sob as suspeitas de spyware (originadas em 2021), o Audacity, um dos editores de áudio gratuitos mais usados em todo o mundo, recebeu uma actualização que passa a integrar plugins de inteligência artificial. Os processadores OpenVINO da Intel oferecem capacidades nunca antes vistas.

2021 foi um ano de muitas e impactantes mudanças no Audacity, um dos editores de áudio gratuitos mais usados em todo o mundo. Com uma história com mais de 20 anos, chega a ser surpreendente que o Audacity – o aclamado editor de áudio gratuito e de código aberto que é adorado por músicos ou podcasters – só nesse ano tenha chegado à versão 3. Mas essa é a verdade. O Audacity 3.0.0 foi concebido para substituir todas as versões anteriores em Windows, macOS e Linux.

Ainda assim, essa nova versão de um dos softwares mais populares de sempre não difere muito das anteriores, havendo, no entanto, uma mudança fundamental – os projectos Audacity são agora guardados num novo formato de ficheiro conhecido como .aup3.

Anteriormente, os projectos apresentavam um grande número de pequenos ficheiros, sendo o formato .aup utilizado para os coordenar. No entanto, houve alturas em que o ficheiro .aup foi separado dos seus dados. Então, com o formato .aup3, tudo é agrupado, o que deverá facilitar o acompanhamento dos projectos e tornar a edição um pouco mais rápida (embora o encerramento dos projectos possa ser um pouco mais lento). O Audacity 3 passou também a poder carregar ficheiros .aup, sendo que estes serão então convertidos para o formato .aup3.

De resto, na versão 3.0.0., o efeito Noise Gate foi melhorado e há um novo analisador, Label Sounds, que pode rotular sons e silêncios. Também foram feitos alguns outros ajustes – tais como a opção de importar e exportar macros – e mais de 160 bugs foram corrigidos. Podes descarregar a versão 3 gratuitamente, a partir daqui.

Muse Group

Em Maio do mesmo ano, o Audacity foi adquirido pelo recém-fundado Muse Group, que inclui várias aplicações relacionadas com música, como os populares Ultimate Guitar e MuseScore. O aclamado editor de áudio gratuito e de código aberto Audacity passou a ger serido por Martin Keary (também conhecido por Tantacrul), que também chefia o MuseScore.

Keary publicou um vídeo – que podes ver mais abaixo – no qual explica tudo o que vai acontecer: «O Audacity acaba de se juntar ao Muse Group, uma colecção de marcas que inclui outra popular aplicação musical de código aberto chamada MuseScore, da qual sou actualmente o responsável. E uma vez que as coisas estão a correr bastante bem no MuseScore, foi-me pedido que também gerisse o Audacity em parceria com a sua comunidade de código aberto. E tal como estamos a fazer no MuseScore, estamos agora a planear melhorar significativamente o conjunto de funcionalidades e a facilidade de utilização do Audacity, com designers e programadores dedicados para lhe dar a atenção que merece – mantendo-o livre e de código aberto».

A notícia de que, apesar da mudança de mãos, permaneceria gratuito foi, naturalmente, um alívio para o enorme número de músicos, podcasters e outros criativos que o utilizam diariamente. Todavia, apenas um par de meses depois da compra, o Muse Group teve que clarificar os termos da sua política de privacidade actualizada.

No momento da aquisição, o novo proprietário do aclamado editor de áudio comprometeu-se, como referido, a melhorar o conjunto de funcionalidades, mantendo o seu estatuto de software livre e de código aberto. Contudo, surgiram algumas questões quando a empresa actualizou o seu Contributor License Agreement (CLA), que alguns membros da comunidade Audacity consideraram contrário aos valores do ecossistema de código aberto. Os utilizadores foram informados de que precisavam de assinar este acordo para poderem continuar a fazer parte do projecto Audacity.

A nova política de privacidade provocou uma consternação semelhante, com novos mecanismos de recolha de dados a suscitar apelos para que as pessoas desinstalassem o software. Isto significaria basicamente uma nova versão do software, criada sob regras de código aberto, mas sem a recolha de dados.

O Muse Group respondeu então a essas preocupações, em Julho de 2021, declarando que estas se devem «em grande parte a frases pouco claras na Política de Privacidade», garantindo que não serão partilhados dados com terceiros (“full-stop”) e que apenas serão recolhidos dados muito básicos – endereço de IP, informações do sistema (tipo de SO e CPU) e relatórios de erro. A empresa garantiu que não recolhe quaisquer dados para além destes para qualquer fim, incluindo a transmissão a qualquer governo ou agência de aplicação da lei. Além disso, diz que os dados só serão partilhados se um tribunal os obrigar, e que os endereços de IP só são mantidos durante 24 horas.

A política de privacidade foi actualizada, diz o Muse Group, devido às novas características introduzidas na nova versão do Audacity (3.0.3). Estas novas características incluem a actualização automática e a comunicação de erros, as quais exigem que os dados pessoais acima mencionados funcionem. Além disso, a versão que vigorava (3.0.2) não recolhe quaisquer dados e a nova política de privacidade não se aplica à utilização offline da Audacity.

O Muse Group garantiu, na altura, estar a trabalhar com a sua equipa jurídica na revisão da sua política de privacidade, para comunicar mais claramente que tipo de dados irá recolher e porquê. Ainda assim, as coisas ainda permanecem pouco claras a respeito da versão 3.0.3.

Audacity 3.4

Pode ser gratuito e de código aberto, mas o Audacity não é certamente um editor de áudio que não esteja a acompanhar a evolução dos tempos. Recentemente, recebeu um novo conjunto de plugins que são alimentados pelo kit de ferramentas OpenVINO AI da Intel, e parece que alguns deles podem ser bastante úteis.

Em primeiro lugar, temos o Music Generation e o Music Style remix, ambos utilizam o modelo de IA Stable Diffusion – especificamente na sua forma Riffusion – para criar música nova a partir de uma mensagem ou música existente. Entretanto, o Music Separation faz o que diz: divide uma canção em partes vocais ou instrumentais, ou em partes vocais, bateria, baixo e uma parte combinada de «tudo o resto». A separação de stems (blocos) é uma funcionalidade que se está a tornar cada vez mais comum; não só constitui a base de uma série de aplicações de ambiente de trabalho e baseadas em browsers, como também está a ser incluída num número crescente de DAWs e outros pacotes de produção musical.

O Audacity também recebe a funcionalidade Noise Suppression (não confundir com o BOSS NS-1X), que se destina a remover o ruído de fundo de um ficheiro de áudio, e a Transcrição Sussurrante, uma ferramenta para transcrever áudio de palavras faladas ou gravações vocais.

«Decidimos adicionar funcionalidades de IA ao Audacity para podermos oferecer capacidades que anteriormente não estavam disponíveis ou que eram muito difíceis de obter», afirma o gestor de produto do Audacity, Martin Keary, num vídeo publicado pela Intel Business. Keary também confirma que «os plugins são executados localmente no seu PC e não a partir de um servidor, respondendo a preocupações de privacidade».

De acordo com Keary, esta actualização, «é apenas um primeiro passo. Esperamos continuar com a parceria com a Intel para desenvolver todos os tipos de novas ferramentas de IA no futuro para ajudar a levar o Audacity a um nível que ninguém nunca viu antes».

A única desvantagem é que os plugins de IA estão actualmente disponíveis apenas para utilizadores do Windows, mas esperamos que também cheguem ao Mac e ao Linux. Saibam mais – incluindo como descarregá-los e instalá-los – no blog do Audacity.

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