Os Avesso regressam com “eterno retorno”, single que antecipa uma morte por mil cortes, o novo EP de quatro temas com edição em Novembro de 2026.
Os AVESSO regressam com “eterno retorno”, single que inaugura um novo ciclo para a banda e antecipa uma morte por mil cortes, EP de quatro temas com lançamento previsto para Novembro de 2026. Depois de desassossego, álbum de estreia que apresentou uma das propostas mais singulares do rock pesado português recente, o quarteto volta a mergulhar num universo onde música e literatura, peso e melodia, inquietação e contemplação se encontram.
A ROMA INVERSA apresentou a banda ao público, pela primeira vez, através do single “se eu pudesse trincar a vida toda”. Desde o início, os Avesso construíram a sua linguagem a partir do confronto entre diferentes formas de pensar e fazer música. Nascidos de uma residência artística em 2022 e consolidados enquanto banda no processo de criação de desassossego, Diogo Leite, Dani Valente, Vitor Hugo e Paulo Rui cruzaram diferentes percursos e influências para criar uma música que nunca se fechou numa fórmula. O resultado foi um disco de grande densidade atmosférica, atravessado por progressões melódicas, dissonâncias, distorção e uma dimensão lírica sustentada em Fernando Pessoa, Séneca, Marco Aurélio e Omar Khayyam.
“eterno retorno” parece prolongar esse diálogo com a literatura e com a filosofia, mas coloca-o perante uma ideia particularmente adequada ao percurso dos Avesso: a contemporaneidade como resultado de reverberações sucessivas da própria história humana. O passado não desaparece; regressa, transforma-se e volta a encontrar-nos. É nessa perspectiva que o novo single se constrói, explorando inquietações e narrativas onde a repetição dos ciclos humanos se cruza com a consciência da efemeridade da vida.
A inspiração vem, uma vez mais, dos Rubaiyat de Omar Khayyam, cuja presença já era fundamental em desassossego. “a existência dos homens”, segundo single de avanço do álbum de estreia, partia precisamente de um texto de Khayyam transposto para português, num processo que os Avesso integraram na sua própria linguagem progressiva e expansiva. Agora, essa relação parece ganhar uma nova dimensão em «eterno retorno»: as imagens de Khayyam continuam a interrogar a existência, mas encontram uma banda que entretanto passou por mais estrada, mais palco e mais experiência.
E essa evolução não é apenas conceptual. Quando os vimos no Bilha d’Aço 2026, os Avesso apresentaram-se com uma energia muito mais física do que aquela tensão instrumental, espartanamente controlada, que caracterizava desassossego. A intensidade de Paulo Rui, a mobilidade dos músicos e uma maior confiança nas harmonizações vocais e nos momentos corais revelaram uma banda em transformação, cada vez menos dependente das referências que inicialmente ajudavam a situá-la — de Cult Of Luna ao pós-rock e pós-hardcore — e cada vez mais consciente da sua própria identidade.
É a partir desse ponto que “eterno retorno” deve ser escutado: não apenas como o primeiro fragmento de um novo lançamento, mas como o início de uma nova etapa de uma banda que nunca concebeu a sua música como uma linguagem estática. Se desassossego era uma espécie de cidadela exuberante de sons e ideias, uma morte por mil cortes parece querer continuar a explorar esse território a partir de outras fissuras.



Em Novembro de 2026, uma morte por mil cortes reunirá quatro temas e marcará o novo capítulo dos Avesso. A apresentação oficial (bilhetes na loja oficial) está marcada para 28 de Novembro, no Mouco, no Porto, num concerto que levará para palco a linguagem do novo EP e dará continuidade a uma das características mais fortes que a banda tem vindo a revelar: a capacidade de transformar uma música densamente construída em algo fisicamente intenso quando chega ao palco.
“eterno retorno” é, por agora, a primeira porta aberta. E, nos Avesso, raramente uma porta dá simplesmente para o mesmo lugar.
