Após a refundação que significou “Purple”, em “Gold & Grey” os Baroness aliaram o seu mais alargado espectro estético à sua vigorosa criatividade.
No final de 2015, “Purple” foi editado. O quarto álbum de estúdio dos Baroness fechou uma era complicada para a banda, ao mesmo tempo que abriu um novo ciclo. O baterista Sebastian Thomson falou-nos, em entrevista, sobre todo esse processo de refundação da banda.
Um ciclo que terminou em 2017, quando o guitarrista Peter Adams deixou a banda. Gina Gleason foi a escolhida para se juntar a Thomson, Nick Jost e a John Baizley. A guitarrista de Filadélfia tinha um percurso maioritariamente marcado como hired gun. A sua carreira já a colocou em projectos tão diversos como integrar o elenco do Cirque Du Soleil, na produção “Michael Jackson: One”, numa residência com Carlos Santana na House Of Blues, em Las Vegas, ou a ter acompanhado Jon Anderson, o génio criador dos Yes, em várias das suas apresentações, ao longo dos anos, na Winter NAMM.
A guitarrista é ainda a líder de duas bandas de tributo, com line-ups totalmente femininos, Misstallica e Queen Diamond! Em 14 de Junho de 2019, os Baroness editaram “Gold & Grey”. O 5.º álbum da banda de Filadélfia é o primeiro com a guitarrista Gina Gleason e foi gravado em Nova Iorque, com o produtor Dave Fridmann, que já havia trabalhado com a banda no anterior álbum, “Purple” (2015).

O frontman da banda John Baizley falou sobre “Gold & Grey”, antes do seu lançamento, afirmando: «O nosso objectivo é, sempre foi e será, escrever canções cada vez melhores e mais honestas, e desenvolver um som cada vaz singular e desafiante. Tenho a certeza que completámos o nosso melhor e mais aventuroso álbum. Fomos ao fundo do poço, desafiámo-nos e gravámos um disco que estou certo de nunca poder ser replicado».
«Considero-me um sortudo por ter o Sebastian, o Nick e a Gina quer como amigos, quer como colegas de banda. Eles forçaram-me a ser um melhor compositor, músico e vocalista. Estamos todos muito ansiosos com este lançamento, que inclui algumas estreias para a banda e estamos excitados por regressar às digressões e poder tocar estas psicóticas canções para os nossos fãs. Esperem surpresas», prometia.
Toda a gente que escute géneros musicais aproximados à música dos Baroness, ou qualquer grupo que esteja a utilizar duas guitarras de forma harmónica, sabe quem são os Thin Lizzy. Definitivamente, os Baronessa ouviam os Thin Lizzy na sua juventude. Essa inflência é bastante óbvia nos Baroness e neste trabalho entre Baizley e Gleason.
Da mesma forma que os Queen, os Metallica ou os Boston são influências. Os Iron Maiden e os Judas Priest. Mas há referências mais obscuras nesse trabalho harmónico de guitarra, como os The Fucking Champs que, de certa forma, agarram esta ideia e levam-na sempre ao máximo e tudo é tão harmónico.
De resto, “Gold & Grey” é um álbum de uma banda que, por esta altura, estava perto da sua velocidade cruzeiro, mas ainda assim capaz de gerar bastantes surpresas e de exibir recursos criativos sempre bastante vigorosos, mantendo o interesse na sua audição, que compreende 17 malhas.
Ao melhor jeito de “III”, dos Led Zeppelin, os Baroness parecem servir-nos uma primeira parte mais bombástica e uma segunda metade do disco mais contemplativa, mais acústica até. Os valores de produção dão este álbum o som mais pristino da discografia dos Baroness.
