Os Bell Witch vão estar no SWR Barroselas Metalfest, que tem lugar entre os dias 24 e 27 de Abril de 2024. Eis o monolítico e versátil rig que Dylan Desmond usa para soar com o mesmo poder de um baixista e dois guitarristas.
Vai ser mais um ano esmagador em Barroselas! Os Blasphemy, Tankard, Cancer e Skitsystem, por si só, já tinham peso mais que suficiente para exercer uma atracção gravitacional potente em direcção ao solo sagrado da irredutível vila minhota no final de Abril, mas as últimas confirmações para a edição de 2024 do SWR Barroselas Metalfest trouxeram ainda mais razões para que o público do metal extremo se desloque novamente em massa ao festival.
Depois de, em Outubro, ter revelado as primeiras vinte bandas em cartaz, na recta final do ano passado, os organizadores do SWR Barroselas Metalfest confirmaram o alinhamento completo para um evento que, entre os dias 24 e 27 de Abril de 2024, promete não defraudar as expectativas de quem está à espera que a vila próxima de Viana do Castelo se transforme numa plataforma para ver clássicos e novos valores da música extrema e também dos vários subgéneros do heavy metal, com a bitola da qualidade cada vez mais elevada.
Dessa segunda vaga de confirmações, o destaque vai (quase) todo para os I Am Morbid e Terrorizer, duas bandas com fortes ligações aos lendários Morbid Angel que se juntaram aos cabeças de cartaz de mais uma edição que promete ficar marcada a ferro e fogo nos anais da história do festival. No entanto, como dizem os nossos vizinhos da LOUD!, nem só de David Vincent e Pete Sandoval se faz um festival. O SWR Barroselas Metalfest vai contar também com a ilustre presença de nomes bem diversos e elogiados no underground, como é o caso dos norte-americanos Bell Witch.
O duo formado por Dylan Desmond e Adrian Guerra em Seattle em 2010 tomou progressivamente as rédeas de um género que se pensava adormecido. Em 2015, “Four Phantoms” foi um dos álbuns mais unanimemente exaltados pela imprensa que se rege pelas leis do gesso. Os riffs são lentos, pesados, colossais, maiores que a vida ou até que a própria morte, crivados a toques de heroísmo numa carapaça de letargia e vozes cavernosas e de um ritualismo primordial. Em 2016, Guerra morreu e Jesse Shreibman juntou-se a Dylan Desmond.
Então em 2017, “Mirror Reaper” quebrou o molde. Um melancólico épico meditativo de mais de uma hora onde forças opostas são colocadas frente a frente num exercício de imensurável tensão e excepcional controlo dinâmico. Esse trabalho ainda hoje ecoa fortemente entre qualquer devoto de paredes de amplificação, mas os Bell Witch estarão no SWR para apresentar o recente “Future’s Shadow Part 1: The Clandestine Gate”. As comparações com o trabalho anterior serão inevitáveis, mas este possui os seus próprios méritos. Talvez não tão esmagador e ambientalmente opressivo, mas mais diverso e instrumentalmente exploratório.
Recentemente, nas suas redes sociais, os Bell Witch partilharam um excelente resumo do rig usado pelo baixista Dylan Desmond e que, pelo menos parcialmente, se pode esperar contemplar no SWR 24. «Desde o início de Bell Witch, o Dylan sempre usou uma configuração de três amplificadores com a guitarra baixo. No início era um Ibanez de 6 cordas, mas The Clandestine Gate introduziu o Ibanez BTB747 de 7 cordas. Tem tanto o grito de uma banshee como o rugido de um tsunami», detalha a publicação.
Cada amplificador de Dylan Desmond está ligado entre si através de um divisor de canais que permite o envio de uma cadeia de efeitos única para cada dos amps, que são todos equalizados para uma gama de frequências diferente e concebidos para se complementarem entre si. Inicialmente, o Sour Sound Phase Linear Distribution Amplifier (divisor) fornece um loop de efeitos isolado para cada canal, para que os pedais de distorção possam ser acedidos com um botão, em vez de três. Isto é crucial.
No rig norte-americano de Dylan Desmond, o canal “primário”, ou seja, os agudos e os médios superiores, é um Verellen Loucks com Sunn 4×12. A cadeia de pedais para isso tem um pedal de distorção Benedict V1, Strymon Deco, Strymon El Capistan e Strymon Bluesky. O canal “mids” é um Ampeg V4 num Lahar 4×12. A cadeia de pedais é um Skreddy Pigmine num Xotic Effects Boost, Chase Bliss Warped Vinyl, Strymon El Capistan e Strymon Blue Sky. Finalmente, o canal de baixo é um Ampeg SVT 2 num Ampeg 8×10. Esse canal só tem um pedal Skreddy Perestroika para distorção.




A amplificação de Dylan Desmond na Europa pode variar, mas a pedaleira em si permanece a mesma. Os canais “highs” e “mids” servem para espalhar o desempenho solitário do baixo pelo palco de uma forma stereo com os seus próprios níveis de modulação e reverberação. Isto dá a cada gama de frequência uma textura distinta e tem como objectivo preencher o espaço normalmente atribuído por dois guitarristas e um baixista.

Um pensamento sobre “Bell Witch, O Rig de Dylan Desmond”