Beth Gibbons interpreta os temas do seu primeiro álbum a solo na atmosfera solene da Biblioteca Richelieu, em Paris. Uma actuação fascinante, imbuída de uma graça melancólica. Uma produção ARTE Concert.
Beth Gibbons sempre preferiu ser discreta em vez de se expor demasiado. Em 2024, após dez anos de silêncio virtual, a cantora britânica lançou “Lives Outgrown”, o seu primeiro álbum a solo, no qual se revela com uma proximidade sem precedentes, evocando os seus tormentos femininos, a passagem do tempo e um amor que está a findar.
“Lives Outgrown”, que foi eleito na lista AOTY 2024 da ROMA INVERSA, é um disco composto por 10 belíssimas canções gravadas ao longo de 10 anos, com produção de James Ford (Arctic Monkeys, Depeche Mode, The Last Dinner Party) e da própria Beth Gibbons, e ainda de Lee Harris (Talk Talk). Sucessor de “Out Of Season (2002), criado com Rustin Man, é seu o trabalho mais pessoal até hoje, fruto de um período de profunda reflexão e mudança – «muitas despedidas», nas palavras de Beth Gibbons.
Despedidas de familiares, de amigos e, até, de quem ela costumava ser. Estas são canções de um ponto intermédio da vida, quando olhar para o futuro já não traz as mesmas promessas e olhar para trás ganha um foco mais nítido e melancólico.
«Percebi como é a vida sem esperança. E essa foi uma tristeza que nunca tinha sentido. Antes, tinha a capacidade de mudar o meu futuro, mas, quando estás contra o teu corpo, não o consegues forçar a fazer algo que ele não quer», diz Beth Gibbons sobre as canções que abordam temas como a maternidade, a ansiedade e a menopausa (que artista descreve como «uma auditoria massiva» e «uma enorme ressaca» que «te corta as pernas»), assim como, inevitavelmente, a mortalidade. «As pessoas começaram a morrer. Quando és jovem, nunca sabes os finais, não sabes como vai correr. Pensas: vamos superar isto. Vai melhorar. Alguns finais são difíceis de digerir».
“Lives Outgrown” é um álbum muito bonito, triste e muito minimalista. Poderoso e emocionalmente envolvente, com algo de etéreo e uma instrumentação, apesar do referido minimalismo, dinâmica, diversa e sempre elegante. Uma artista que não desperdiça oportunidades e que revela um profundo respeito pelo seu percurso editorial, oferece-nos um disco perfeito do início ao fim.
















Desde a edição do álbum, a icónica frontwoman dos Portishead tem andado em digressão, que a levará a actuar no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 16 de Julho de 2025. Os bilhetes para o concerto em Lisboa estão à venda a partir de 22 de Novembro de 2024, em everythingisnew.pt e nos locais habituais.
Após um único concerto na Salle Pleyel, na Primavera, Beth Gibbons regressou a França pouco tempo depois para gravar uma edição da colecção “Passengers”, na majestosa sala oval da biblioteca Richelieu, em Paris. A sua voz, vibrante como sempre, liga canções delicadamente orquestradas, cuja graça musical contrasta com uma interioridade sombria. A solenidade do cenário reforça a raridade deste momento suspenso na eternidade.
A setlist: Tell Me Who You Are Today; Burden Of Life; Floating On A Moment; Rewind; For Sale; Mysteries; Lost Changes; Oceans; Beyond The Sun; Reaching Out. As fotos são de Cha Gonzalez.
