O trailer de Stranger Things 5 e uma épica versão de “Child In Time” dos Deep Purple, preparam o terreno para uma batalha final épica dos jovens heróis de Hawkins.
A contagem decrescente para o final de Stranger Things está prestes a terminar. A quinta e última temporada, um dos eventos televisivos mais aguardados do ano, prepara-se para invadir o ecrã, e a Netflix não esconde que esta será uma despedida em grande escala. O primeiro Volume 1 da temporada estreia em Portugal no dia 26 de Novembro, seguido pelo Volume 2 a 26 de Dezembro, e com o episódio final a ser lançado a 31 de Dezembro, para encerrar o ano e a saga de Hawkins.
Para marcar o início do fim, o trailer oficial da última temporada, os criadores da série fizeram o que já se tornou a sua marca: usar um clássico da música para elevar a antecipação de Stranger Things. Desta feita foi eleito um dos mais inesperados e potentes hinos do rock: “Child In Time” dos Deep Purple. A canção, originalmente um protesto contra os horrores da guerra, surge numa nova e dramática versão de gigantescas sintetizações orquestrais, e um épico amontoado de arpeggios de guitarra no final, que amplifica a escala apocalíptica do que está para vir. É um prenúncio sombrio e, ao mesmo tempo, épico, que nos lembra de onde viemos e para onde vamos.
Um Resumo
A série começou com o desaparecimento de Will Byers e a introdução de uma figura misteriosa e poderosa: Eleven, a miúda com capacidades telecinéticas. Rapidamente, o que parecia ser um mistério local transformou-se numa batalha contra um universo paralelo aterrorizante, o Mundo Invertido, e as suas criaturas: o Demogorgon na primeira temporada e o devorador de mentes, o Devorador de Mentes, nas temporadas seguintes.
O grupo de amigos de Hawkins cresceu à medida que os perigos aumentavam. Na terceira temporada, a ameaça saiu do Mundo Invertido para a nossa dimensão, com os monstros a fundirem-se para criar um novo terror, numa batalha memorável no Starcourt Mall. A última temporada elevou as apostas a um nível sem precedentes, apresentando o grande vilão final, Vecna, uma criatura de poder aterrador que se revela ser Henry Creel, o primeiro sujeito a escapar do laboratório de Hawkins, e que estava por trás de todas as ameaças desde o início.
A Temporada 4 revelou ainda o icónico metaleiro Eddie Munson e a guitarra de ângulos extremos, high gain, vibrato double-locking para vertiginosos dive-bombs e estridentes “squeals” harmónicos que o líder do Clube Dungeons & Dragons do Liceu de Hawkins – o Hellfire Club – tem como objecto de devoção e com a qual arrasou meio mundo, ao tocar “Master Of Puppets” dos Metallica, naquela que é já uma das mais icónicas cena do heavy metal no cinema mainstream.
A história terminou com um golpe devastador: Max ficou cega e em coma, e o grupo falhou em derrotar Vecna, que conseguiu abrir portais que rasgaram Hawkins, expondo a cidade ao Mundo Invertido. O final foi um convite aberto para a guerra final, que nos leva diretamente para a quinta e última temporada.
Child In Time
O uso de “Child In Time” no trailer da Temporada 5 de Strangers Things é uma escolha de mestres da narrativa. Longe de ser uma escolha aleatória, a canção de 1970 é um comentário musical à trama que se aproxima. Originalmente, “Child In Time” é um protesto contra a Guerra do Vietname e os seus horrores, com as letras a explorarem a visão de um “filho” perante a brutalidade de um conflito. Na versão do trailer, a canção transforma-se numa poderosa alegoria para a guerra final que se avizinha em Hawkins.
A decisão de criar uma versão “orquestral” de “Child In Time” não é apenas uma escolha estética. Serve para amplificar o tom épico da batalha. Os arranjos de sintetizações e os novos elementos sonoros elevam a escala do perigo, indicando que a ameaça do Mundo Invertido não é já somente uma luta local, mas uma guerra total que os nossos heróis devem enfrentar. “Child In Time” deixa de ser apenas um hit de rock e torna-se a banda sonora de um apocalipse iminente.
É uma escolha calculada dos irmãos Duffer, os criadores da série, que são conhecidos pela sua meticulosa seleção de música. Tal como “Running Up That Hill” de Kate Bush definiu a jornada de Max na temporada anterior, “Child In Time” define o destino de todo o grupo. A música é o aviso final!
“Child In Time”, que fala sobre um “filho” a ver o mundo a desabar, espelha a jornada das nossas personagens. Eles começaram como crianças inocentes, a jogar Dungeons & Dragons, e acabaram a lutar uma guerra por um mundo que nem todos percebem que está em perigo. A canção é a síntese perfeita desta evolução: a inocência perdida e a coragem encontrada. O que começou como uma aventura de crianças é agora uma guerra pela sobrevivência. O grupo, que cresceu perante os olhos do público, é a “criança” que tem de enfrentar a escuridão, e esta canção é o seu hino de batalha.
Isto vai para além de um simples tributo. É um dispositivo narrativo inteligente que prepara o público para a carga emocional e a escala do que está para vir. O final não será apenas sobre a vitória ou derrota, mas sobre o sacrifício e o amadurecimento dos heróis. A nova versão orquestral de “Child In Time” transforma o trailer num manifesto sonoro, prometendo um final digno do legado da série.
