Dave Lombardo recorda a criação e reflecte sobre o impacto de Reign In Blood, álbum dos Slayer que redefiniu os limites do thrash metal e continua a influenciar gerações de músicos.
Em entrevista com Scott Penfold, da Loaded Radio, Dave Lombardo, reflectiu sobre um dos discos de metal mais intransigentes de todos os tempos: Reign In Blood, o clássico terceiro álbum de longa duração dos Slayer, que assinalou o seu quadragésimo aniversário na passada quarta-feira, 7 de Outubro. Questionado sobre a forma como encara o álbum que gravou quatro décadas depois, Dave respondeu, segundo a transcrição publicada pelo BLABBERMOUTH.NET:
«Ainda fico arrepiado quando ouço esse álbum. As palmas das mãos ficam suadas, o ritmo cardíaco acelera e estás completamente dentro do momento. Toquei aquelas canções ao vivo tantas vezes ao longo da minha vida, e basta pensar nessa adrenalina — quando ouço essas músicas, elas desencadeiam essa reacção», explica Lombardo. «Fico logo cheio de energia. Se entrar em paragem cardíaca, ponham a tocar “Angel Of Death” ou “Raining Blood”, ou qualquer coisa do género, e vejam-me levantar-me de repente, como quem diz: “Então, o que se passa?”».
Questionado sobre se o thrash metal continua a ocupar um lugar muito especial no seu coração, Dave respondeu: «Gosto de ouvir thrash quando é bom. Há muitas tentativas realmente positivas — ou, melhor dizendo, louváveis — mas, desde que começaram a usar-se programas informáticos para gravar música, muita coisa se tornou extremamente estéril. E acabamos por sentir falta daquela tensão, daquele jogo de forças presente naqueles álbuns, que eram quase… inquietos. Eram simplesmente muito agressivos, diria eu. E ouvia-se isso. Ouvia-se na própria gravação», diz o Dave Lombardo.
«Percebo como essa energia passou para o disco, porque, quando estávamos a gravar aquelas canções, olhávamos uns para os outros e dizíamos: “Muito bem, vamos lá. Vá, vamos dar cabo disto. Vamos acertar nesta. Vamos apanhar esta canção.” “Mais depressa?” “Sim, toca só um bocadinho mais depressa.” “Está bem, vamos a isso.” Contávamos quatro tempos e a banda entrava toda. Sim, raiva, angústia, adrenalina — tudo», acrescenta.
Dave Lombardo falou também sobre o famigerado guitarrista Jeff Hanneman, que morreu em 2013 devido a cirrose hepática relacionada com o consumo de álcool. Hanneman é creditado como autor de muitas das malhas clássicas dos Slayer, incluindo “Angel Of Death” e “South Of Heaven”. Lombardo afirma: «[Jeff] era um tipo fantástico. Tinha sentido de humor. Era um compositor extraordinário. Foi um pioneiro, pá. Entrou para a banda sem formação musical formal e, a partir daí, criou algumas das músicas mais incríveis do nosso género».
Reino de Sangue
Reign In Blood marcou a primeira colaboração dos lendários thrashers com Rick Rubin enquanto produtor e a estreia da banda pela American Recordings. Durante as sessões de gravação, a formação de quatro elementos da época — Tom Araya (voz e baixo), Kerry King (guitarra), o falecido Jeff Hanneman (guitarra) e Dave Lombardo (bateria) — conseguiu canalizar para o estúdio a ferocidade das suas actuações ao vivo. As dez canções do disco totalizavam, de forma notória, apenas 28 minutos e 58 segundos, mas foi quanto bastou aos Slayer para mudarem para sempre o rumo da história do heavy metal.
Desde o famoso grito lancinante de Araya no início de “Angel Of Death” até aos últimos vestígios da chuva que se dissipam em feedback no final de “Raining Blood”, Reign In Blood continua a ser um pilar não só da discografia dos Slayer, mas também da cultura popular em geral. Com clássicos como “Altar Of Sacrifice”, “Piece By Piece” e “Criminally Insane”, dizer que a influência de Reign In Blood cresceu ao longo dos anos é um eufemismo: o álbum simplesmente consumiu tudo o que encontrou pelo caminho.




Os Slayer editaram originalmente o seu terceiro álbum de longa duração, a obra-prima Reign In Blood, a 7 de Outubro de 1986. O disco chegou a entrar no Top 100 da Billboard 200 e obteve a certificação de ouro da RIAA. Mais importante ainda, deixou uma marca indelével no mundo. É legítimo argumentar que o death metal e o black metal tal como hoje os conhecemos não existiriam sem Reign In Blood. Formado em 1981, o quarteto conquistou dois GRAMMYs, vendeu dezenas de milhões de discos em todo o mundo, acumulou milhares de milhões de reproduções e arrasou multidões em concertos esgotados em arenas e estádios por todo o globo.
Ao longo de várias décadas, editaram álbuns clássicos, desde Reign In Blood e South Of Heaven, nos anos 80, a Seasons In The Abyss e Divine Intervention, nos anos 90, e God Hates Us All e World Painted Blood, já nos anos 2000. Mais recentemente, Repentless, editado em 2015, estreou-se no Top 5 da Billboard 200, assinalando a segunda entrada da banda no Top 5 dessa tabela.
Artigo traduzido e adaptado do original, em blabbermouth.net
