“How Blue Can You Get” é um álbum póstumo de Gary Moore, no qual estão reunidos alguns inéditos absolutos e ainda versões alternativas de alguns dos temas favoritos do lendário guitarrista irlandês.
Gary Moore (1952-2011) foi um dos mais respeitados guitarristas da sua geração, conhecido tanto pelo seu trabalho no rock como pelo seu profundo amor pelos blues. Nascido em Belfast, na Irlanda do Norte, iniciou a sua carreira ainda jovem e destacou-se como membro dos Thin Lizzy, antes de embarcar numa prolífica carreira a solo. O seu álbum “Still Got the Blues” (1990) marcou uma viragem definitiva para o género que sempre o fascinou, estabelecendo-o como um dos grandes mestres contemporâneos dos blues rock.
Gary Moore foi um dos mais respeitados guitarristas da sua geração, e a sua ligação ao blues sempre se manifestou como uma paixão visceral. O seu legado continua a influenciar músicos e fãs em todo o mundo, graças à sua técnica inconfundível e à intensidade emocional que transmitia através da sua guitarra. Essa terá sido mais uma razão para as vozes críticas quando surgiu o anúncio de um álbum post mortem.
“How Blue Can You Get”, lançado a 30 de Abril de 2021 pela Provogue Records, é um álbum que surge da escavação cuidadosa dos seus arquivos, revelando gravações inéditas e takes alternativos que o próprio Gary Moore considerava especiais. Mais do que um simples resgate póstumo, este disco é um testemunho da sua devoção aos blues, um género que ele abordava com o mesmo fogo e intensidade que caracterizou a sua carreira. O álbum reúne oito malhas mais ou menos inéditas, entre originais e versões de clássicos dos blues, oferecendo uma visão aprofundada da versatilidade e paixão de Gary Moore pelo género.
A abertura do álbum dá-se com “I’m Tore Down”, uma interpretação vigorosa do clássico de Freddie King. Esta malha, conhecida por ser uma das favoritas de Gary Moore para tocar ao vivo, destaca-se pela energia contagiante e solos de guitarra que evidenciam a sua destreza técnica e emocional. Esta interpretação de Moore para reafirma a sua capacidade de absorver as nuances do blues texano, acrescentando-lhe a sua assinatura própria, marcada pelo vibrato inconfundível e pelo ataque feroz às notas.
Segue-se um take alternativo de “Steppin’ Out”, uma peça instrumental originalmente de Memphis Slim, onde Moore presta homenagem às suas raízes bluesy através de uma execução dinâmica e cheia de nuances. Este take ganha uma nova vida, com uma pegada mais agressiva e menos contida do que as versões anteriores. “Done Somebody Wrong” surge com uma abordagem suja e crua, resgatando o espírito slide de Elmore James.
Entre os inéditos absolutos, destaca-se a balada original “In My Dreams” e “Looking At Your Picture”. “In My Dreams” é uma peça melancólica, com um solo emotivo que captura a essência lamentosa do género, remetendo para o estilo de “Still Got the Blues”. A melodia lenta e os solos emotivos reflectem a capacidade de Gary Moore em transmitir profundidade emocional através da sua guitarra. “Looking At Your Picture” apresenta uma abordagem mais suave, com uma melodia cativante que demonstra a versatilidade de Moore enquanto compositor.
O grande destaque, no entanto, tem que ir para a reinterpretação de “How Blue Can You Get”, onde Gary Moore parece dialogar directamente com B.B. King, que imortalizou a malha. O solo, carregado de emoção, é uma demonstração do seu domínio absoluto da linguagem dos blues, misturando fragilidade e potência, desespero e redenção. Além disso, “Love Can Make A Fool Of You”, uma reinterpretação da canção lançada originalmente no álbum “Corridors of Power”, de 1982, redimensiona-se neste contexto bluesy, destacando-se pela sua, uma vez mais, profundidade emocional e solos expressivos.

Se o anúncio do disco foi recebido pouco entusiasticamente, a recepção crítica de “How Blue Can You Get” foi consideravelmente positiva. Publicações como a Blues Rock Review elogiaram a autenticidade e paixão presentes no álbum. O site Louder, por exemplo. também reconheceu a habilidade de Gary Moore em equilibrar técnica e emoção, sublinhando a sua interpretação de “How Blue Can You Get” como um dos pontos altos do álbum. Este lançamento póstumo não só celebra a carreira de Gary Moore, mas também serve como uma recordação da sua contribuição inestimável para o mundo dos blues e do rock.
